domingo, 25 de setembro de 2011

ERA DAS MISSÕES

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 30)


TEXTO BASE: Mateus28:18-20

INTRODUÇÃO
Por muito tempo as igrejas protestantes ficaram focadas com os desafios e os novos rumos da Europa. Missões não era o foco da Igreja, e muito do trabalho evangelístico realizado até então não era intencional, como por exemplo, os imigrantes oriundos de países protestantes, que ao desbravar e explorar suas colônias (nas Américas, África e Ásia), comunicava a sua fé através da cultura que apresentavam ou impunham aos moradores locais.

Nesta lição vamos estudar como esse espírito começou a mudar na Igreja Protestante, e o que ocorreu para que uma preocupação com a urgência na evangelização de povos não alcançados pelo evangelho sobreviesse sobre as igrejas, proliferando assim as agências e sociedades missionárias para cumprir essa tarefa dada por Jesus aos seus discípulos.

MISSÕES MORÁVIA
por Alderi de Souza Matos

Com o seu zelo por Cristo, os irmãos morávios escreveram uma das páginas mais nobres das missões cristãs em todos os tempos. Nenhum grupo protestante teve maior consciência do dever missionário e nenhum demonstrou tamanha consagração a esse serviço em proporção ao número de seus membros. Seu grande líder inicial e incentivador na obra missionária foi o piedoso conde alemão Nikolaus Ludwig Von Zinzendorf (1700-1760).

Numa viagem a Copenhague para assistir a coroação do rei dinamarquês Cristiano VI, o conde Zinzendorf conheceu alguns nativos das Índias Ocidentais e da Groenlândia. Regressou a Herrnhut, na Saxônia, a sede do movimento, cheio de fervor missionário e, em conseqüência disso, dois obreiros, Leonhard Dober e David Nitschmann, iniciaram uma missão aos escravos africanos em Saint Thomas, nas Ilhas Virgens, em 1732. Christian David e outros missionários foram para a Groenlândia no ano seguinte.

Em 1734, um grupo liderado por August Gottlieb Spangenberg (1704-1792) começou a trabalhar na Geórgia, no sul dos futuros Estados Unidos. No Natal de 1741, o próprio Zinzendorf visitou a América e deu o nome de Bethlehem (Belém) à colônia que os morávios da Geórgia estavam criando mais ao norte, na Pensilvânia. Essa cidade se tornaria a sede americana do movimento. O mais famoso missionário morávio aos índios norte-americanos foi David Zeisberger (1721-1808), que trabalhou entre os creeks da Geórgia a partir de 1740 e entre os iroqueses desde 1743 até a sua morte.

Herrnhut, na Alemanha, tornou-se um vigoroso centro de atividade missionária, iniciando missões no Suriname, Costa do Ouro, África do Sul, Argélia, Guiana, Jamaica, Antigua e outros locais. Em 1748, foi iniciada uma missão aos judeus em Amsterdã. Até 1760, o ano da morte de Zinzendorf, os morávios haviam enviado 226 missionários a dez países e cerca de 3.000 mil conversos tinham sido batizados. Outros locais alcançados posteriormente foram o Egito, Labrador, Espanha, Ceilão, Romênia e Constantinopla.

Em 1832, havia 42 estações missionárias morávias ao redor do mundo. Os nomes dos primeiros campos missionários mostram uma característica do trabalho morávio: em geral eram locais difíceis e inóspitos, exigindo uma paciência e dedicação toda especial, traço que até hoje caracteriza o trabalho missionário desse grupo.

Uma reunião de oração excepcional
O renascimento da igreja morávia, em maio de 1727, havia resultado em grande parte de uma forte ênfase na oração. Nos meses seguintes, um espírito de oração tomou conta da pequena comunidade evangélica. No dia 27 de agosto daquele ano, 24 homens e 24 mulheres comprometeram-se a orar uma hora por dia de forma seqüencial, de modo que sempre houve alguém orando por missões.

Essa “vigília de oração” sensibilizou Zinzendorf e a comunidade morávia a tentarem alcançar outros para Cristo. Seis meses após o início da vigília, o conde desafiou os companheiros a evangelizarem as Índias Ocidentais, a Groenlândia, a Turquia e a Lapônia. No dia seguinte, 26 morávios se ofereceram como voluntários para as missões mundiais, aonde quer que Deus quisesse levá-los.

A vigília de oração prosseguiu sem interrupção, vinte e quatro horas por dia, durante mais de 100 anos. Em 1792, sessenta e cinco anos após o início da vigília, a pequena comunidade morávia havia enviado 300 missionários até os confins da terra.

A teoria de missões de Zinzendorf
Zinzendorf estabeleceu alguns princípios que deveriam nortear a atividade missionária dos morávios. Eles são os seguintes:

·         Busquem os primeiros frutos. Zinzendorf dizia aos voluntários que partiam de Herrnhut: “Não tenham como alvo a conversão de nações inteiras. Simplesmente procurem pessoas interessadas pela verdade, que, como o eunuco etíope, pareçam prontas para abraçar o evangelho” (ver Atos 8.27-28). Assim, os missionários morávios não saíam para o campo com expectativas exageradas. Isso os capacitava a enfrentar muitas situações em que os frutos surgiam lentamente, mas também lhes proporcionava profunda alegria quando grandes números de pessoas estavam prontas para abraçar a Cristo. Associada a isso estava a sua dependência do Espírito Santo, que, como o verdadeiro evangelista, os conduziria a almas como Cornélio ou o eunuco.
·         Preguem a Cristo. “Em segundo lugar”, instruía Zinzendorf, “vocês devem ser objetivos e falar-lhes sobre a vida e a morte de Cristo”. Alguns missionários haviam ido para culturas pagãs e tinham tentado em vão ensinar teologia ou começar com verdades sobre Deus. Zinzendorf partia do pressuposto de que os pagãos já sabiam sobre Deus, mas precisavam conhecer sobre o Salvador, especialmente seus sofrimentos sobre a cruz.
·         Vão para os povos esquecidos. As primeiras pessoas buscadas pelos morávios foram os escravos negros. Nos anos seguintes eles foram para os leprosos, os esquimós, os índios, os africanos, e parecem ter sido os primeiros a buscarem sistematicamente a conversão dos judeus.
·         Pelo reino de Cristo. Os morávios têm buscado aumentar o reino de Cristo, e não a sua própria expansão denominacional. Inúmeras sociedades de cristãos zelosos das igrejas tradicionais da Europa e da Inglaterra oraram, contribuíram e forneceram voluntários para a causa missionária mundial dos morávios no século 18.
·         Sejam auto-sustentados. Hutton observou que, na missão das Índias Ocidentais, “por mais de cem anos ninguém recebeu um centavo da Igreja Morávia por seus serviços; cada um... primeiro tinha de ganhar o seu próprio sustento”. Essa política era seguida em toda parte. Na década de 1750, uma carta do Suriname dizia: “O irmão Kam está colhendo café; o irmão Wenzel conserta sapatos; o irmão Schmidt está fazendo uma roupa para um freguês”.

Com seu heroísmo, apego às Escrituras e consagração a Deus, os irmãos morávios, embora pouco numerosos, exerceram uma forte influência espiritual sobre outros grupos e movimentos protestantes, especialmente na Inglaterra.

A convivência com alguns morávios causou profundo impacto em João Wesley e contribuiu para a sua conversão e o surgimento do metodismo. William Carey, o pioneiro das missões batistas, os admirava grandemente e apelou para o seu exemplo de obediência. Eles também inspiraram a criação de duas das primeiras agências protestantes de missões – a Sociedade Missionária de Londres (1795) e a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (1804).

WILLIAM CAREY, O PAI DAS MISSÕES MODERNAS
por Marcos Granconato

Durante certo tempo, William Carey acumulou as funções de pastor, professor de tempo parcial e sapateiro na sua pequena aldeia. Na verdade, desde a juventude ele atuara como pregador leigo, mas só em 1785 recebeu o convite para ser pastor em uma pequena igreja batista. Mais tarde, foi chamado para pastorear uma igreja maior em Leicester, mas mesmo assim ainda precisava trabalhar em outras atividades para sustentar a família.

Como pastor, Carey revelava uma preocupação muito grande com o estudo. Quem chegasse em sua humilde casa, caracterizada pelas lindas flores que ele mesmo cultivava, sempre o encontraria com um livro. Foi durante seus anos de pastorado, marcados especialmente pela leitura, que Carey passou a desenvolver sua visão missionária, concluindo, para surpresa da igreja e dos ministros cristãos de seus dias, que a evangelização do mundo era a principal responsabilidade da noiva de Cristo.

Uma das dificuldades que William Carey teve de enfrentar para incutir a necessidade do envio de missionários às nações pagãs foi o hipercalvinismo reinante em seus dias, segundo o qual a conversão dos pagãos ocorreria, caso o Senhor quisesse, sem o auxílio de quem quer que fosse.

Foi para quebrar essa mentalidade que o pai das missões modernas escreveu um tratado intitulado Uma investigação sobre o dever dos cristãos de empregarem meios para a conversão dos pagãos" (1792). Tratava-se de uma exposição e análise do mundo de seus dias que refletia a necessidade urgente da pregação do Evangelho às nações de todos os continentes. Nesse tratado, Carey também expõe argumentos lógicos e teológicos apresentando-os como fundamentos para o envio de missionários aos pagãos, frisando especialmente que o Reino de Cristo tem de ser proclamado a toda a terra.

Num sermão sobre Isaías 54.2-3, dirigido a um grupo de pastores batistas em Nottingham, no dia 31 de maio de 1792, Carey reforçou os apelos constantes da sua Investigação e pronunciou a frase que se tornou célebre como a filosofia de trabalho do grande missionário: "Realizar grandes coisas para Deus; esperar grandes coisas de Deus".

A força dos argumentos de Carey e o vigor do seu entusiasmo resultaram na formação da Sociedade Missionária Batista, organizada em setembro de 1792. Menos de um ano depois, em junho de 1793, ele e sua família partiram para a Índia como membro da referida sociedade. Carey chegou em Hooghly no dia 11 de novembro de 1793, marcando o início da grande era das missões além mar, promovidas pela Inglaterra e Estados Unidos.

Dois missionários se juntaram à William Carey em 1799, William Ward e Joshua Marshman. Juntos eles fundaram 26 igrejas, 126 escolas com 10.000 alunos, traduziram as Escrituras em 44 línguas, produziram gramáticas e dicionários, organizaram a primeira missão médica na Índia, seminários, escola para meninas, e o jornal na língua Bengali. Além disso, William Carey foi responsável pela erradicação do costume "suttee", o qual queimava a viúva juntamente com o corpo do defunto numa fogueira; fundação da Sociedade de Agricultura e Horticultura na Índia em 1820; primeira imprensa, a tradução da Bíblia em Sânscrito, Bengali, Marati, Telegu e nos idiomas dos Siques.

 Em 1800, William Carey fez o batismo do primeiro hindu convertido ao Evangelho. Durante mais de trinta anos, William Carey foi professor de línguas orientais no Colégio de Fort Williams. Fundou, também, o Serampore College para ensinar os obreiros. Sob a sua direção, o colégio prosperou, preenchendo um grande vácuo na evangelização do país. Os seus esforços inspiraram a fundação de outras missões, dentre elas: a Associação Missionária de Londres, em 1795; a Associação Missionária da Holanda, em 1797; a Associação Missionária Americana, em 1810; e a União Missionária Batista Americana, em 1814.

Para conhecer mais da vida e obra de William Carey, visite < http://www.williamcarey.co.uk >.


ASHBEL GREEN SIMONTON, UM PIONEIRO DO EVANGELHO NO BRASIL
por Dom Robinson Cavalcanti

Embora as igrejas protestantes de imigrantes (anglicanas e luteranas) já estivessem estabelecidas no Brasil durante os períodos do Reino Unido e do Primeiro Reinado, é na segunda metade do século XIX (Segundo Reinado e Primeira República) que aportaram aqui os pioneiros do protestantismo de missão aos brasileiros, e em língua portuguesa, são eles:

1.    Igreja Congregacional: Rev. Robert Reid Kalley – 1855;
2.    Igreja Presbiteriana: Rev. Ashbel Green Simonton – 1859;
3.    Igreja Metodista: Rev. Junius E. Newman – 1867;
4.    Igreja Batista: Reverendos William Buck Bagby e Zacarias Clay Taylor;
5.    Igreja Episcopal (Anglicana): Reverendos Lucien Lee Kinsolving (primeiro bispo) e James Watson Morris – 1890.

Esses cinco ramos reformados foram os únicos entre 1855 e 1909, conseguindo se expandir nacionalmente, sob as restrições legais da Constituição Imperial, de 1824, e sob a severa perseguição social durante o período republicano (após 1889).

Simonton destacou-se por organizar o primeiro jornal protestante da América do Sul (1864), a primeira escola paroquial (1866), o primeiro seminário (1867) e ordenou o primeiro pastor brasileiro (1865). Ele desembarcou no Rio de Janeiro em 1859 e morreu de febre amarela em São Paulo, aos 34 anos, em 1867. Uma vida breve, que mudou a história”.

Para conhecer mais a história da evangelização do Brasil, consulte o livro: História da Evangelização do Brasil, Elben Lenz César. Editora Ultimato.

APLICAÇÃO
A evangelização do mundo é uma missão dada por Jesus aos seus discípulos. Todo cristão está encarregado do compromisso de comunicar o evangelho com o seu próximo e sinalizar o reino de Deus em sua cultura, e a Igreja de Jesus está incumbida de anunciar as boas novas do evangelho de Jesus aos confins da terra. Isso significa que de alguma forma nós temos responsabilidade nessa nobre tarefa, seja contribuindo com aqueles que irão fazer essa obra, ou seja, se voluntariando para a obra missionária.

A aula de hoje nos mostra como comunidades e homens de Deus foram usados para a proclamação e promoção do reino de Deus em lugares distantes e até então inalcançados. Dentre esses lugares, encontra-se a nossa terra amada Brasil. Nós somos fruto do esforço e obediência de homens e mulheres que ofertaram sua vida para que o evangelho chegasse até nós. Hoje, com uma igreja nacional desenvolvida, nos cabe a responsabilidade de pensar, sonhar, orar, investir e se voluntariar nessa grande comissão dada a nós pelo próprio Senhor Jesus Cristo, missão essa que vai passando de povo a povo, como numa corrida de bastão, na qual o precioso tesouro que carregamos é as boas novas do reino de Deus.

MEMORIZAR VERSÍCULO
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.Mateus 28:19-20


QUESTÕES
Quais princípios deveriam nortear a atividade missionária dos moravianos? Você concorda com eles?
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Como William Carey enfrentou a oposição da sua geração a obra missionária?
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Através da breve apresentação biográfica de Carey, como você percebe que ele enxergava a obra missionária?
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Simonton foi um dos missionários pioneiros na evangelização do Brasil. Você sabe quais foram os desafios enfrentados por ele?
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MATERIAL UTILIZADO
·      Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
·    Até aos confins da terra: as missões morávias, por Alderi de Souza Matos. Universidade Mackenzie < http://www.mackenzie.br/6979.html>
·    William Carey: a vida e a obra do pai das missões modernas. Marcos Granconato. Igreja Batista da Redenção < http://www.igrejaredencao.org.br/ibr>
·  Dom Robinson Cavalcanti. Simonton: um pioneiro do Evangelho. Editora Ultimato < http://www.ultimato.com.br >
·      Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

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