sexta-feira, 18 de março de 2011

Curso de História da Igreja

O blog Bom Caminho disponibiliza vídeos de aula sobre a história da Igreja.

O material é muito bom, e pode aprofundar mais os etudos que estamos fazendo sobre a História do Cristianismo através dos século.

Para acessar: Curso de História da Igreja

domingo, 13 de março de 2011

O Início da Perseguição (aula 5)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 5)

TEXTO BASE: Atos 3:1 – 4:31


PARA LER E PENSAR
Observamos que, antes de as pessoas fazerem qualquer pedido, elas alimentam suas mentes com pensamentos acerca da soberania divina. Primeiro, ele é o Deus da criação, que fez o céu, a terra e o mar, e tudo o que há neles (v. 24). Segundo, ele é o Deus da revelação, que falou pelo Espírito Santo por meio de Davi e, no Salmo 2 (já no primeiro século a.C. reconhecido como messiânico), previu a oposição do mundo ao seu Cristo, com os gentios se enfurecendo, os povos tramando, reis se levantando e príncipes conspirando contra o Ungido do Senhor (vs. 25, 26). Terceiro, ele é o Deus da História, que fez até seus inimigos (Herodes e Pilatos, gentios e judeus, unidos em conspiração contra Jesus, v. 27) fazerem o que seu poder e vontade haviam decidido antecipadamente (v. 28). Essa era, portanto, a compreensão que a igreja primitiva tinha de Deus, o Deus da criação, da revelação e da História, cujas ações características são resumidas pelos três verbos, fizeste (v. 24), disseste (v. 25) e predeterminaram (v. 28).

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

sábado, 12 de março de 2011

Na arena com Perpétua e Felicidade

Por Délnia Bastos
Publicado Originalmente na Revista Ultimato, edição 311 / 2008

Era o início do terceiro século. O Império Romano tinha se fortificado em toda a região do Mediterrâneo. A sociedade gozava de estabilidade e privilégios — entre eles o de assistir aos jogos.

O anfiteatro era o local construído para a realização dos jogos. Compunha-se de uma estrutura oval, com algumas jaulas laterais para as feras, a arena no centro e um pequeno templo debaixo da arena. Ali, os gladiadores pediam as bênçãos dos deuses romanos para suas lutas, ao mesmo tempo em que os condenados aguardavam sua sentença. Ao redor da arena, havia uma espécie de arquibancada para o público assistir confortavelmente aos espetáculos.

Naquela época, o imperador Sétimo Severo baixou um edito segundo o qual todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos e ao próprio imperador. O infrator era sentenciado, juntamente com outros criminosos.

Vívia Perpétua, uma jovem senhora da nobreza, e sua empregada Felicidade eram cristãs. Aos 20 anos, grávida, Perpétua foi condenada, juntamente com Felicidade e mais três cristãos, por desobedecerem ao edito imperial. Em vão o pai de Perpétua tentou várias vezes convencê-la de desistir da fé e sacrificar aos deuses. “O que será do seu filho?”, o pai a advertiu, sem sucesso.

Assim, em 7 de março de 203, foi dado o veredicto final: “Perpétua, Felicidade, Revocato, Secúndulo, Saturnino e Saturo são condenados às bestas no Anfiteatro de Cartago” (hoje na Tunísia).

Segundo a história, Saturo não estava entre os condenados, mas voluntariamente compartilhou do martírio de seus irmãos em Cristo.

Perpétua havia feito um pedido especial a Deus, e foi atendida: deu à luz no dia anterior à sua morte e uma amiga cristã adotou seu pequeno filho.

Os condenados deveriam usar uma roupa designada para o espetáculo. Cada roupa fazia menção de um deus romano, de modo que o sentenciado era oferecido como sacrifício àquele deus. Perpétua e Felicidade, e depois seus companheiros, se negaram a usar a “roupa festiva”, como que num último fôlego de testemunho — nem mesmo sua morte se tornaria oferenda para os deuses. Eles entraram na arena com pouquíssima roupa, mas com um brilho e uma alegria de espírito humanamente inexplicáveis. Todos eles tinham consciência de que sua morte seria um testemunho público importante para o avanço da fé cristã.

Felicidade dizia que seu martírio significava para ela não a morte, mas um segundo batismo.

Os homens foram os primeiros a entrar na arena. Dois deles deveriam passar por uma ponte com uma série de obstáculos, entre os quais algumas feras, como leões e tigres, até que chegassem aos gladiadores. Secúndulo morreu na prisão, antes mesmo de chegar à arena. Saturnino foi decapitado e os outros dois morreram durante o espetáculo.

Por último, entraram a jovem senhora e sua companheira. Para elas, foi designada uma bezerra, que investiu primeiramente em Perpétua e em seguida avançou para Felicidade. Perpétua, após recobrar a consciência, ajudou Felicidade a se levantar. Conta-se que escorria leite daquela que amamentara apenas um dia seu filhinho recém-nascido. Elas foram retiradas da arena feridas, para serem mortas pelos gladiadores. A platéia estava exaltada. Queria mais, e exigiu que a morte fosse pública. Elas então morreram na arena, pelas espadas dos gladiadores.

Esta história comovente certamente nos lembra a passagem bíblica que diz: “Eles, pois, venceram [Satanás] por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). Segundo Tertuliano, o sangue dos mártires é a semente da igreja. Com efeito, o sangue de Perpétua, Felicidade, Revocato, Secúndulo, Saturnino e Saturo foi a semente da igreja no Norte da África. Sua morte deveria ser um presente do imperador Severo para seu filho César Geta. Mas foi muito mais um presente para a igreja.

Os poucos cristãos que vivem naquela região felizmente não estão mais sob o jugo opressor romano. Mas precisam da mesma ousadia e fé para “enxergar além do véu” e enfrentar os obstáculos de oposição e perseguição a que ainda estão sujeitos hoje.

Publicado Originalmente na Revista Ultimato, edição 311 / 2008

domingo, 6 de março de 2011

Aurélio Agostinho, 354-430 d.C. (Biografia I)

Por Jan Tammadge

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 4)


Aurélio Agostinho, conhecido como Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo, Padre latino e Doutor da Igreja Católica. Ele é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Em seus primeiros anos, Agostinho foi fortemente influenciado pelo *maniqueísmo e pelo **neoplatonismo de Plotino, mas depois de tornar-se cristão ele desenvolveu a sua própria abordagem sobre filosofia e teologia. Ele aprofundou o conceito de pecado original e desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus distinta da cidade material do homem. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval.

Agostinho nasceu em 354 na cidade de Tagaste, província de Souk Ahras, na época uma província romana no norte de África, na atual Argélia. Seu pai Patrício era pagão mas a mãe Mônica católica. Foi educado no norte de África, na literatura latina e nas práticas e crenças do paganismo resistindo os ensinamentos de sua mãe para se tornar cristão. Com dezessete anos foi para Cartago para continur a sua educação na retórica. Vivendo como um pagão intelectual e se entregando a uma profunda sensualidade ele tomou uma concubina, com a qual teve um filho, Adeodato.

Agostinho se tornou professor de retórica, buscando fama e fortuna estabeleceu uma escola em Roma, onde conheceu a filosofia maniqueísta. Depois de uns anos abandonou o maniqueísmo e abraçou o movimento cético da neoplatonismo. Sua mãe insistia para que ele se tornasse cristão junto com um amigo Simplicianus. Mas foi a oratória do bispo de Milão, Ambrósio, que teve mais influência sobre a conversão de Agostinho.
No verão de 386, houve uma mudança radical na vida do Agostinho. A chave para esta transformação foi à voz de uma criança invisível, que ouviu enquanto estava em seu jardim, que cantava repetidamente, "Tolle, lege"; "tolle, lege" ("toma e lê"; "toma e ler"). Ele tomou a carta de Paulo aos Romanos, e abriu ao acaso em 13:13-14, onde lê-se: "Não caminheis em glutonerias e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites". Todas as sombras da dúvida desapareceram. Decidiu se converter ao cristianismo, abandonar a sua carreira na retórica, encerrar sua posição no ensino, desistir de relacoes com a mulher dele, e dedicar-se inteiramente a servir a Deus e às práticas do sacerdócio. Ele encontrou paz e o proposito para a vida que nenhuma moda intelectual pôde prover. Ele experimentou o poder da graça de Deus.

Ambrósio batizou Agostinho, juntamente com seu filho, Adeodato, em 387, em Milão, e logo depois, em 388 ele retornou à África. Em seu caminho de volta à África sua mãe morreu, e logo após também seu filho, deixando-o sozinho, sem família. Ele vendeu seu patrimônio e deu o dinheiro aos pobres. A casa da família foi convertido em uma fundação monástica para si e um grupo de amigos. Em 391, ele foi ordenado sacerdote em Hipona e em 396, foi eleito bispo coadjutor de Hipona. Ele permaneceu nessa posição em Hipona até sua morte em 430.

Agostinho era um homem de poderoso intelecto e um enérgico orador, que em muitas oportunidades defendeu a fé católica contra todos seus inimigos. Um homem que comia com moderação, trabalhou incansavelmente, desprezando fofocas, rejeitando as tentações da carne, e que exerceu a prudência na gestão financeira conforme sua posição e autoridade de bispo. Sua vida não era tranqüila: missa diária, pregando até duas vezes ao dia, dando catequese, administrando bens temporais, resolvendo questões de justiça, atendendo aos pobres e órfãos, etc.

Agostinho foi também um autor prolífico em muitos gêneros — tratados filosóficos, teológicos, comentários de escritos da Bíblia, além de sermões e cartas. Deixou 113 obras escritas.


*O maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom.

**O neoplatonismo é uma forma de monismo idealista. Ensina a existência de um Uno indescritível do qual emanou uma sequência de seres menores. Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter uma real existência no mundo. Algumas coisas eram menos perfeitas que outras. O mal, os neoplatônicos chamavam de imperfeição, de "ausência de bem". A perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas neste mundo - adquiridas pela devoção à contemplação filosófica.


Sobre o livre arbítrio
Em seu livro do mesmo nome, Agostinho tenta provar de forma filosófica que Deus não é o criador do mal. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom pudesse ter criado o mal. A concepção que Agostinho teve do mal, estava baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que "sobraria" quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto não poderia ter criado o mal.

Agostinho tenta explicar que a origem do mal está no livre-arbítrio concedido por Deus. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente da vontade de Deus) e algo mau (a prevalência da vontade das paixões humanas).

Entretanto, por ter em si mesmo a carga do pecado original de Adão e Eva, estaria constantemente tendenciado a escolher praticar uma ação que satisfizesse suas paixões (a ausência de Deus em sua vida). Deus, portanto, não é o autor do mal, mas é autor do livre-arbítrio, que concede aos homens a liberdade de exercer o mal, ou melhor, de não praticar o bem.

Tempo e Criação
No Livro Confissões Agostinho a fim de responder a asserção: “Do que faria Deus antes de criar o mundo?” o filósofo expõe seu pensamento a respeito do tempo e da criação. A resposta do Agostinho a tal pergunta é a de que Deus não estaria fazendo nada, pois não havia tempo antes desta terra ter sido criado por Deus, pois o tempo nada mais é do que uma criatura assim como o mundo e todas as coisas. Para ele, o tempo e o universo foram criados em conjunto, e Deus estaria fora deste contexto, pois ele é eterno e a eternidade não entra no tempo.

Para o filósofo, o tempo não tem existência por si mesmo e só pode ser apreendido por nossa alma por meio de uma atividade chamada de "distensão da alma". A distensão da alma, nada mais é do que a compreensão dos três tempos; pretérito, presente e futuro na alma, de modo que seja possível lembrar-se do passado, viver o presente e prever o futuro. Agostinho afirma que a alma é quem pode medir o tempo e essa "medição" atesta a existência do tempo apenas em caráter psicológico.

Agostinho tinha uma inteligência clara e um coração inquieto. As contribuições de Agostinho à igreja foram extremamente significativas. Ele foi uma figura de transição na historia da igreja. Ele defendeu o evangelho da graça de Cristo contra muitos oponentes – afirmando a culpa e a corrupção de todos os seres humanos por causa do pecado de Adão e a absoluta necessidade da graça salvadora de Deus. Também apresentou o Deus da Bíblia como um Deus trino, eterno, transcendente, infinito e perfeito (na obra A Trindade). O pensamento de Agostinho foi básico na orientação da visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha restaurar a condição decaída da razão humana, sendo, portanto mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação da Bíblia deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos como sua interpretação do livro bíblico do Gênesis, como o que chamaríamos hoje de um "texto alegórico", iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados.

Santo Agostinho não se preocupa em traçar fronteiras entre a fé e a razão. Para ele, o processo do conhecimento é o seguinte:
A razão ajuda o homem a alcançar a fé;
em seguida, a fé orienta e ilumina a razão;
e esta, por sua vez, contribui para esclarecer os conteúdos da fé.
Deste modo, não traça fronteiras entre os conteúdos da revelação cristã e as verdades acessíveis ao pensamento racional. O homem é uma alma racional que se serve de um corpo mortal e terrestre.

Pensamentos de Agostinho
  • Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que nós sabemos sobre a natureza.
  • Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, porque você irá perder um amigo; por outro lado, se dois estranhos pedirem o mesmo, aceite, porque você irá ganhar um amigo.
  • Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você.
  • Ter fé é acreditar naquilo que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita.
  • Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio.
  • A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.
  • No amor do próximo o pobre é rico; sem amor do próximo o rico é pobre.
  • Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me adulam, porque me corrompem.
  • Se o homem soubesse as vantagens de ser bom, seria homem de bem por egoísmo.


Bibliografia:

  • Eckman James P. Panoram da História da Igreja Vida Nova. São Paulo. 2005
  • Keeley Robin. Fundamentos da Teologia Cristã Vida. São Paulo 2000
  • Cairns Earle. E. O Cristianismo Através dos Séculos São Paulo 1988
  • Wikipédia

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Igreja perseguida (História da Igreja 1)

Por Pedro Paulo Valente
Blog do Pedro

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 3)



TEXTO BASE:
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.
"Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.
Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".
"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.
"Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.
E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa.
Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".
Mateus 5:10-16
INTRODUÇÃO
Nesta aula nós iremos estudar os primeiros séculos da Igreja, do início da Igreja de Jesus com o evento de Pentecostes no ano 30 d.C. até o ano 313 d.C. em que antecede a aproximação da Igreja com o Estado.

O avanço do cristianismo até o ano 100
A construção do alicerce da Igreja com base na vida, morte e ressurreição de Cristo e sua fundação entre os judeus são importantes para se compreender a origem do cristianismo no judaísmo. A ruptura desses laços no Concílio de Jerusalém (Atos 15) antecede a pregação do Evangelho aos gentios por Paulo e outros, e também a emergência do cristianismo como uma religião separada do judaísmo.

A luta pela sobrevivência do cristianismo entre os anos 100-313
Nesse período, a Igreja teve sua existência constantemente ameaçada pela perseguição do Estado Romano. Os mártires e os apologistas deram a resposta da Igreja a esse problema externo. A Igreja também enfrentou o problema interno da heresia, que teve uma resposta cristã por parte dos polemistas.

SITUAÇÃO HISTÓRICA
Em Gálatas 4:4, Paulo chama a atenção para a era histórica da preparação providencial que antecedeu a vinda de Cristo à terra em forma humana: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho...”. Os gregos e os romanos ajudaram a levar o desenvolvimento histórico até o ponto em que Cristo pudesse exercer o impacto máximo sobre a história de uma forma até então impossível.

Contribuições políticas dos Romanos
  1. Os romanos desenvolveram um senso de unidade da humanidade sob uma lei universal.
  2. A Pax Romana, expressão latina para a ‘paz romana’, foi um longo período de paz, gerada pelas armas e pelo autoritarismo, experimentado pelo Império Romano entre os anos 29 a.C. até 180 d.C.
  3. Os romanos criaram um ótimo sistema de estradas que ligavam as diversas províncias do Império, possibilitando viagens com mais rapidez e segurança.
 Contribuições intelectuais dos gregos
“Os romanos podem ter conquistado os gregos politicamente, mas os gregos conquistaram os romanos culturalmente.” Horácio
  1.  O Evangelho universal precisava de uma língua universal para poder exercer um impacto real sobre o mundo. Assim como o inglês no mundo moderno e o latin no mundo medieval erudito, o grego era a língua universal no mundo antigo.
  2. A filosofia grega preparou o caminho para a vinda do cristianismo destruindo as antigas religiões. Qualquer um que entrasse em contato com seus princípios. Fosse grego ou romano, logo perceberia que sua disciplina intelectual havia tornado sua religião politeísta tão ininteligível, em termos racionais, que acabavam por abandoná-la em favor da filosofia.
 Contribuições religiosas dos judeus
Por mais importantes que tenham sido as contribuições de Atenas e Roma como pano de fundo do cristianismo, as contribuições dos judeus se destacam como a herança do cristianismo.
  1. O judaísmo contrastava flagrantemente com a maioria das religiões pagãs, ao fundamentar-se num sólido monoteísmo espiritual.
  2. Os judeus ofereceram ao mundo a esperança de um Messias que estabeleceria a justiça na terra.
  3. Na parte moral da lei judaica, o judaísmo oferecia ao mundo o mais puro sistema ético existente, através do elevado padrão dos dez mandamentos que contratava com os sistemas éticos predominantes.
  4. O povo judeu preparou ainda mais o caminho para a vinda do cristianismo ao oferecer à jovem Igreja sua mensagem, o Antigo Testamento. No terceiro século antes de Cristo, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego, sua primeira tradução, realizada criteriosamente por 72 rabinos (a Versão dos Setenta).
 SURGIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA IGREJA
A Igreja nasce com o cumprimento da promessa de Jesus Cristo em enviar o Consolador que lideraria a sua Igreja, o Espírito Santo, no dia de Pentecostes (aproximadamente uma semana após sua ascensão). O livro de Atos narra que durante o ano 30 até aproximadamente 44 d.C., a igreja em Jerusalém manteve uma posição de liderança na comunidade cristã primitiva.
O crescimento da Igreja foi rápido. No dia de Pentecostes foi acrescentada a fé pelo menos três mil pessoas (At 2:41). O número de batizados chegou logo a cinco mil (At 4:4) Há menção de multidões se integrando à Igreja (At 5:14). Inclusive sacerdotes abraçaram a nova fé (At 6:7) entre os mebros da Igreja Primitiva em Jerusalém.
Esse crescimento rápido se deu sobre forte oposição dos judeus, incitados pelas autoridades eclesiásticas. Essa perseguição precoce e dura deu ao cristianismo o seu primeiro mártir, Estevão (At 8:1), e conseqüente dispersão dos cristãos, que serviu para que a mensagem fosse levada a outras partes do país (8:4) e também a outras nações. Não demorou para que surgisse uma forte igreja em Antioquia (At 11:19-30). Liderado pelo apóstolo Paulo surgiram as primeiras viagens missionárias que tinham a intenção de levar propositalmente o evangelho para povos que o desconheciam, fazendo discípulos e organizando igrejas locais (At 13-28). Porém foi apenas com o Concílio de Jerusalém (At 15) que os não judeus foram livremente aceitos na fé cristã.

As perseguições que a Igreja sofreu nos seus primeiros 30 anos foram todas oriundas dos judeus. A partir da década de sessenta o Império Romano passou a perseguir o cristianismo de forma bastante violenta. Por 250 anos (64 e 312) os cristãos sofreram esporádicas perseguições por sua recusa em adorar o imperador romano, considerados traidores e perturbadores da ordem civil, sendo passíveis de punição por execução. Essas execuções custaram a morte de dezenas de milhares de cristãos, e em muitas vezes de forma cruel. Porém, mesmo em tempos de perseguições intensas, o cristianismo continuou a sua propagação em toda a bacia do Mediterrâneo e o número de adeptos a fé cresceram rapidamente (alguns historiadores acreditam que o número de cristãos no início do terceiro século variava entre 5 e 10 milhões).

A organização da Igreja
O desenvolvimento da Igreja como organização foi feito pelos apóstolos sob a direção do Espírito Santo. Os apóstolos tomaram a iniciativa da criação de outros cargos na Igreja. Os novos oficiais deveriam ser escolhidos pelo povo, ordenados pelos apóstolos e precisavam ter qualificações espirituais próprias que envolviam a subordinação ao Espírito Santo. Esses novos oficiais podem ser divididos em duas classes: os oficiais carismáticos, escolhidos por Cristo e dotados de dons espirituais próprios, com funções basicamente inspiradoras (apóstolos); e os oficiais administrativos (presbíteros e diáconos).

DESAFIOS DA IGREJA

Perseguição – Cristo ou César
Enquanto fora vista pelas autoridades como parte do Judaísmo, que era uma religião lícita, a Igreja sofreu pouco. Mas assim que o cristianismo foi distinguido do Judaísmo e pôde ser classificado como sociedade secreta, ele recebeu a interdição do Estado Romano, que não admitia nenhum rival à obediência por parte de seus súditos. A religião somente seria tolerada se contribuísse para a estabilidade do Estado.
No ano 250, a perseguição deixou de ser local e intermitente para se tornar generalizada e violenta. A peste, a fome e a agitação civil assolavam o Império. E a opinião pública atribuía esses problemas à presença do cristianismo e ao conseqüente abandono de seus antigos deuses.

Cismas
A Igreja primitiva também sofreu com divisões. Um tema central dessa tensão era a idolatria. A perseguição criou problemas internos que necessitavam de solução. Qual seria a maneira de tratar aqueles que tinham oferecido sacrifícios em altares pagãos durante a perseguição movida por Décio (250), e aqueles que entregaram Bíblias na perseguição dirigida por Diocleciano (303), acusados de traidores, mas que arrependidos agora queriam retornar a Igreja. Uns queriam privá-los de qualquer comunhão com a Igreja; outros queriam aceitá-los após um período de prova.

Heresias
A Igreja teve que lutar muito contra o legalismo de judeus convertidos, que defendiam a obrigatoriedade da circuncisão e a observação da Lei. Alguns ainda negavam a divindade de Jesus e negavam os ensinos do apóstolo Paulo. Porém o maior perigo para a pureza doutrinária da fé cristã veio da filosofia grega. Muitos filósofos gregos que haviam abraçado o cristianismo queriam vestir a filosofia pagã com uma roupagem cristã.
Dentre os movimentos heréticos destaca-se o gnosticismo, o qual defende um dualismo entre a matéria (má) e o espírito (bom). No gnosticismo a salvação se dá pelo conhecimento (gnose), que liberta o espírito da escravidão do corpo. Ainda propunha dois deuses: o deus mal do Antigo Testamento para criar, e o bom para redimir. Essa corrente também rejeitava a humanidade, a morte sacrificial e a ressurreição corpórea de Cristo. E não aceitava os escritos do apóstolo João.

RESPOSTAS DA IGREJA

Martírio
Muitos cristãos tiveram que lidar com as perseguições nestes três primeiros séculos. Há relatos de que as prisões ficaram tão cheias de líderes cristãos e crentes comuns que não havia lugar suficiente para os criminosos. Os cristãos foram punidos com o confisco de bens, exílios, prisões ou execuções à espada ou por animais ferozes.
O rápido avanço do cristianismo, mesmo durante os períodos de feroz perseguição, provou que realmente o sangue dos mártires era a semente da Igreja (Tertuliano).
O cristianismo exigia fidelidade exclusiva de seus seguidores em assuntos morais e espirituais. Os cristãos que vivem hoje em países onde são perseguidos por sua fé devem ter a história da perseguição primitiva como guia.

Em defesa da fé
Nos séculos II e III, a Igreja explicou sua doutrina numa forma literária nova – as obras dos apologistas e dos polemistas. Os primeiros procuravam convencer os líderes do Estado de que os cristãos nada tinham feito para merecer a perseguição que estavam sofrendo. Os polemistas procuravam enfrentar o desafio dos movimentos heréticos. Esforçando-se para convencê-los da verdade da Bíblia através do argumento literário.
Justino, o Mártir (100-165) e Tertuliano (160-225) destacaram-se como os principais apologistas. Defendiam o cristianismo como a verdadeira filosofia, a divindade de Jesus. Tertuliano criou o vocabulário da fórmula trinitária (Trindade, uma substância e três pessoas) e da fórmula cristológica (duas substâncias ou naturezas e uma pessoa).
Já Irineu de Lião (130-195) foi um polemista antignóstico. Suas obras procuraram refutar as doutrinas gnósticas, com ênfase no propósito da encarnação de Cristo e na tradição da doutrina apostólica. Orígenes (185-254) produziu o primeiro grande tratado de teologia sistemática (Dos Primeiro Princípios), desenvolvendo um sistema alegórico de interpretação.

O cânon do Novo Testamento
O cânon, lista de volumes pertencentes a um livro autorizado, surgiu como um reforço à garantia da unidade da fé cristã frente às heresias que surgia dentro da Igreja. O desenvolvimento do cânon foi um processo demorado, basicamente encerrado em 175, exceto por uns poucos livros (Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas, Hebreus e Apocalipse).
O maior teste do direito de um livro estar num cânon era se ele tinha os sinais da apostolicidade. Ele havia sido escrito por um apóstolo ou por alguém ligado intimamente aos apóstolos. Daí a importância da verificação histórica de autoria ou influência apostólica, ou a consciência universal da Igreja, dirigida pelo Espírito Santo.

APLICAÇÃO
O apóstolo Paulo nos ensina que o propósito de Deus é que através da Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja revelada e conhecida (Ef 3:10). Isso nos lembra do valor da Igreja e do intento de Deus de fazê-la prevalecer contra tudo àquilo que se levantar contra ela, ainda que seja o próprio inferno (Mt 16:18).
O estudo nos ajuda a observar esse zelo de Deus através da história, e nos estimula a perseverar conservando a integridade da doutrina dos apóstolos e a manter a confissão firme de nossa fé em Jesus Cristo, ainda que as circunstâncias sejam desfavoráveis a nós.

QUESTÕES
Você acha que os cristãos em Viçosa sofrem perseguição religiosa?
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Quais são os maiores desafios para ser cristão hoje em dia?
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Quais são os motivos das divisões da Igreja no Brasil?
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Quais são as heresias que a Igreja combate nos nossos dias?
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Se alguém lhe pedisse explicação da sua fé, o que você diria a esse pessoa?
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 MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Recebendo o Espírito (aula 2)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 2)

TEXTO BASE: Atos capítulo 2


PARA LER E PENSAR
Nosso esforço consiste em sermos fiéis ao evangelho pregado pelos apóstolos ao mesmo tempo em que o anunciamos de modo que as pessoas de hoje possam compreendê-lo.
Mas como? Para permanecer fiel à mensagem tenho encontrado ajuda nos eventos do evangelho, a saber, a morte e a ressurreição de Cristo, as testemunhas do evangelho, as escrituras dos apóstolos, as promessas do evangelho, o perdão dos pecados, a vinda do Espírito, e as condições do evangelho: arrependimento com fé e o batismo.
Não basta “proclamar Jesus”, pois há muitos ‘Jesus’ sendo anunciados hoje. Mas de acordo com o novo testamento, Jesus é Histórico (Ele de fato viveu, morreu, ressuscitou e subiu aos céus), Teológico (sua vida, morte, ressurreição e ascensão têm sentido para a salvação), e Contemporâneo (ele vive e reina para dar salvação aos que o recebem).
Nós temos hoje a mesma responsabilidade de contar a história de Jesus como fato e como evangelho.

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Aguardando o Espírito (aula 1)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 1)

TEXTO BASE: Atos capítulo 1


PARA LER E PENSAR
Jesus disse aos discípulos que eles não necessitavam saber épocas e datas, mas que deviam saber que iriam receber poder para, entre a vinda do Espírito Santo no Pentecoste e a segunda vinda do Filho, serem suas testemunhas em círculos cada vez mais amplos. Na verdade, o período intermediário entre o Pentecoste e a volta de Jesus deve ser preenchido com a missão mundial da Igreja no poder do Espírito. Os seguidores de Cristo deveriam contar o que ele realizou na sua primeira vinda e convidar pessoas a serem suas testemunhas “até os confins da terra”.

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã