domingo, 15 de maio de 2011

Filipe, o evangelista

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 12)

TEXTO BASE: Atos 8:1-40


PARA LER E PENSAR
As pessoas com quem Filipe dividiu as boas novas eram diferentes em raça, posição e religião. Os samaritanos eram de raça mista, meio israelitas e meio gentios, e asiáticos; o etíope era um africano negro, embora provavelmente judeu de nascença. Quanto à disposição, presume-se que os samaritanos fossem cidadãos comuns, enquanto o etíope era um funcionário público destacado, a serviço da coroa. As diferenças religiosas incluem o fato de os samaritanos reverenciarem Moisés, mas rejeitarem os profetas, enquanto o etíope estava retornando de uma peregrinação e estava lendo precisamente um dos profetas rejeitados. Porém, apesar das diferenças quanto à origem racial, à classe social e à religião, Filipe apresentou-lhes as mesmas boas novas a respeito de Jesus.
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A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

MAPA DAS VIAGENS DE FILIPE

quarta-feira, 11 de maio de 2011

As 95 Teses de Martinho Lutero


As 95 Teses afixadas por Martinho Lutero na Abadia de Wittenberg a 31 de outubro de 1517, fundamentalmente "Contra o Comércio das Indulgências":

Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade, discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. Padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... etc., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo e ininterrupto arrependimento.

2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo dos sacerdotes.

3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de mortificação da carne.

4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até à entrada para a vida eterna.

5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar de outras penas além das que impôs ao seu alvitre ou nem acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6ª Tese
O papa não pode perdoar dívida, senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus, ou então o faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida em absoluto deixaria de ser anulada ou perdoada.

7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao ministro, seu substituto.

8ª Tese
Cânones poenitentiales, que são as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas são impostos aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9ª Tese
Eis por que o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluindo este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema.

10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõe aos moribundos penitências canônicas ou para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

11ª Tese
Este joio, que é o de transformar a penitência e satisfação, prevista pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado enquanto os bispos dormiam.

12ª Tese
Outrora canônica poenae, ou seja, penitência e satisfação por pecados cometidos, eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

14ª Tese
Piedade ou amor imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte, necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menos o amor, tanto maior o temor.

15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem nos referirmos a outras coisas, basta para causar o tormento e o horror do purgatório, pois se avizinham da angústia do desespero.

16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, também deve crescer e aumentar o amor.

18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas razões e nem pela Escritura, que as almas do purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

19ª Tese
Parece ainda não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem mais por ela, não obstante nós termos esta certeza.

20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreender com as palavras “perdão plenário de todas as penas” o perdão de todo o tormento, mas tão só as penas por ele impostas.

21ª Tese
Eis por que erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante indulgência do papa.

22ª Tese
Com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas do purgatório das que, segundo os cânones da igreja, deviam ter expiado e pago na presente vida.

23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muitos poucos.

24ª Tese
Logo, a maioria do povo é ludibriado com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d’almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder o perdão às almas em virtude do poder das chaves (coisa que não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

28ª Tese
Certo é que, no momento em que a moeda soa na caixa, vem lucro, e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com S. Severino e Pascoal.

30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do arrependimento e pesar verdadeiros, muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

32ª Tese
Irão para o diabo, juntamente com os seus mestres, aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

33ª Tese
Há que acautelar-se muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dádiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória, estipulada por homens.

35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

36ª Tese
Todo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

38ª Tese
Entretanto se não devem desprezar o perdão e a distribuição deste pelo papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão consiste numa declaração do perdão divino.

39ª Tese
Ë extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e, ao contrário, o verdadeiro arrependimento e pesar.

40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo; mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para tanto.

41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal, para que o homem singelo não julgue erradamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgências de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta ao necessitado do que os que compram indulgência.

44ª Tese
É que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgência do papa, mas desafia a ira de Deus.

46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura, fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos ser a compra de indulgência livre e não ordenada.

48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgência, preferiria ver a basílica de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por um dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgência, vendendo, se necessário, a própria basílica de São Pedro.

52ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma como garantia.

53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a palavra de Deus nas demais igrejas.

54ª Tese
Comete-se injustiça contra a palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da palavra do Senhor.

55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a coisa menor, com um toque de sino, uma pompa, uma cerimônia, enquanto o evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem toques de sino, centenas de pompas e solenidades.

56ª Tese
Os tesouros da igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecidos na Igreja de Cristo.

57ª Tese
É evidente que não são bens temporais, porquanto muitos pregadores não os distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58ª Tese
Também não são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto este sempre são suficientes, e, independente do papa, operam graça do homem interior e são a cruz, a morte e o inferno do homem exterior.

59ª Tese
São Lourenço chama aos pobres, os quais são membros da Igreja, tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, que lhe foram dadas pelo merecimento de Cristo.

61ª Tese
Evidente é que, para o perdão das penas e para a absolvição em determinados casos, o poder do papa por si só basta.

62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus.

63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é notoriamente o mais apreciado, porque faz com que os últimos sejam os primeiros.

65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos foram outrora as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67ª Tese
As indulgências, apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça, decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

68ª Tese
Nem por isso semelhante indulgência é a mais ínfima graça, comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda reverência.

70ª Tese
Entretanto tem muito maior dever de conservar abertos os olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não apregoem os seus próprios sonhos.

71ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

72ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob pretexto de indulgências, prejudicam a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agirem.

75ª Tese
Considerar a indulgência do papa tão poderosa, a ponto de absolver alguém dos pecados, mesmo que (coisa impossível de se expressar) tivesse deflorado a mãe de Deus, significa ser demente.

76ª Tese
Bem ao contrário afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo pode anular o menor pecado venial no que diz respeito a culpa que representa.

77ª Tese
Afirmar que nem mesmo São Pedro, se no momento fosse papa, poderia dispensar maior indulgência, constitui insulto contra São Pedro e o papa.

78ª Tese
Dizemos, ao contrário, que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o evangelho, dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1 Corinto 12.6-9.

79ª Tese
Alegar ter a cruz de indulgências, erguida e adornada com as armas do papa, tanto valor como a própria cruz de Cristo é blasfêmia.

80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas desta atitude.

81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a indulgência, torna difícil até homens doutos defenderem a honra e dignidade do papa contra a calúnia e as perguntas mordazes e astutas dos leigos.

82ª Tese
Haja vista exemplo como este: Por que o papa não livra duma só vez todas as almas do purgatório, movido pela santíssima caridade e considerando a mais premente necessidade das mesmas, havendo santa razão para tanto, quando, em troca de vil dinheiro para a construção da basílica de São Pedro, livra inúmeras delas, logo por motivo bastante infundado?

83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para esse fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou prebendas oferecidos em favor dos mortos, quando já não é justo continuar a rezar pelos que se acham remidos?

84ª Tese
E: Que nova santidade de Deus e do papa é esta a consentir a um ímpio e inimigo resgate uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não livrar esta mesma alma piedosa e amada por Deus do seu tormento por amor espontâneo e sem paga?

85ª Tese
E: Por que os cânones de penitência, isto é, os preceitos de penitência, que faz muito caducaram e morreram de fato pelo desuso, tornam a remir mediante dinheiro, pela concessão de indulgência, como se continuassem em vigor e bem vivos?

86ª Tese
E: Por que o papa, cuja fortuna é maior do que a de qualquer Creso, não prefere construir a basílica de São Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de cristãos pobres?

87ª Tese
E: Que perdoa ou concede o papa pela sua indulgência àqueles que pelo arrependimento completo tem direito ao perdão ou indulgência plenária?

88ª Tese
Afinal: Que benefício maior poderia receber a igreja se o papa, que atualmente o faz uma vez ao dia cem vezes ao dia concedesse aos fiéis este perdão a título gratuito?

89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas mediante a indulgência do que o dinheiro, por que razão revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, quando tem sempre as mesmas virtudes?

90ª Tese
Desfazer estes argumentos muito sutis dos leigos, recorrendo apenas à força e não por razões sólidas apresentadas, significa expor a igreja e o papa ao escárnio dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91ª Tese
Se, portanto, a indulgência fosse apregoada no espírito e sentido do papa, estas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92ª Tese
Fora, pois, com todos este pregadores que dizem à igreja de Cristo: Paz! Paz! Sem que haja paz!

93ª Tese
Abençoados, porém, sejam todos os pregadores que dizem à igreja de Cristo: Cruz! Cruz! Sem que haja cruz!

94ª Tese
Admoeste-se os cristãos a que se empenhem em seguir seu Cabeça, Cristo, através da cruz, da morte e do inferno;

95ª Tese
E desta maneira mais esperem entrar no reino dos céus por muitas aflições do que confiando em promessas de paz infundadas.

domingo, 8 de maio de 2011

Martinho Lutero, 1483-1546 d.C. (Biografia III)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 13)

Lutero em 1529 por Lucas Cranach

“Eu estou atado as Escrituras”

TEXTO BASE: Romanos 3:21-31

OS PRIMEIROS ANOS
Martinho Lutero (em alemão: Martin Luther) nasceu no dia 10 de novembro de 1483 em Eisleben, Alemanha. A posição e condição de seus pais eram originalmente humildes, e a profissão de seu pai era trabalhar nas minas; porém, é provável que por seu esforço e trabalho ajuntara uma fortuna para a sua família. Lutero foi prontamente iniciado nos estudos, e aos treze anos de idade foi enviado a uma escola de Magdeburgo, e dali a Eisenach, na Turíngia, onde permaneceu por quatro anos e recebeu o ensino superior de Latin, condição essencial para a sua entrada na universidade.

Em 1501, foi enviado à Universidade de Erfurt, onde passou pelos costumeiros cursos de lógica e filosofia. Aos vinte anos de idade, recebeu o título de licenciado, e passou logo a ensinar a filosofia de Aristóteles, ética e outros assuntos ligados à filosofia. Posteriormente, por indicação de seus pais, dedicou-se à lei civil, a fim de trabalhar como advogado; porém, foi separado desta atividade devido ao incidente relatado a seguir.

VOCAÇÃO MONÁSTICA
Ao andar certo dia pelos campos, foi lançado ao solo por um raio, e ficou tão apavorado que prometeu a Santa Ana tornar-se monge caso fosse poupado. Este fato afetou-o de tal modo que se retirou do mundo e enclausurou-se junto à ordem dos eremitas de Santo Agostinho.

Dedicou-se ali à leitura das obras de Santo Agostinho e dos escolásticos; porém, ao vasculhar a biblioteca, encontrou, acidentalmente, uma cópia da Bíblia latina que jamais havia visto antes. Esta atraiu poderosamente a sua curiosidade; leu-a ansiosamente e sentiu-se atônito ao perceber que apenas uma pequena porção das Escrituras era ensinada ao povo.

Fez a sua profissão de fé no mosteiro de Erfurt, após ter sido noviço durante um ano; e tomou ordens sacerdotais, ao celebrar a sua primeira missa em 1507. Um ano mais tarde lecionou teologia por um semestre na nova universidade de Wittenberg. Assim prosseguiu os seus estudos em Erfurt pelo período de quatro anos no mosteiro dos agostinianos, principalmente teológicos.

O PAVOR DO PECADO
Em Erfurt havia certo ancião no convento dos agostinianos, com quem Lutero, que pertencia à mesma ordem, como frade agostiniano, conversou sobre vários assuntos, especialmente a remissão dos pecados. Sobre este tema, este sábio padre foi franco com Lutero, ao dizer-lhe que o expresso mandamento de Deus é que cada homem creia particularmente que os seus pecados foram perdoados em Cristo; disse-lhe ainda que esta interpretação particular fora confirmada por São Bernardo: “Este é o testemunho que o Espírito Santo te dá em teu coração, quando diz: Os teus pecados te são perdoados. Porque este é o ensino do apóstolo, que o homem é livremente justificado pela fé”.

Estas palavras não serviram somente para fortalecer Lutero, mas também para ensinar-lhe o pleno sentido do ensino do apóstolo Paulo, que insiste tantas vezes na seguinte frase: “Somos justificados pela fé”. E, após ler as exposições de muitos sobre esta passagem, logo percebeu, tanto pelo discurso do ancião como pelo conselho que recebeu em seu espírito, o quão vãs eram as interpretações que antes havia lido nos trabalhos dos escolásticos. E assim, pouco a pouco, ao ler e comparar os ditos e os exemplos dos profetas e dos apóstolos, com uma contínua invocação a Deus, e com a excitação da fé pelo poder da oração, deu-se conta desta doutrina com a maior evidência.

DECEPICIONANTE VISITA A ROMA
Entre 1510-11, sete mosteiros de sua ordem tiveram uma divergência com o seu vigário geral. Lutero foi escolhido para ir a Roma e defender a sua causa. Lá ele viu um pouco da corrupção e luxúria da Igreja Romana e começou a compreender a necessidade de uma reforma. Passou muito tempo visitando igrejas e vendo as numerosas relíquias que estavam em Roma. Ficou chocado com a leviandade dos sacerdotes italianos, capazes de rezar várias missas enquanto ele rezava uma.

LUTERO E A BÍBLIA
Em 1511, Lutero foi transferido para Wittenberg. Durante o ano seguinte, tornou-se professor de Bíblia e recebeu o título de doutor em teologia. Lutero, então, passou a ensinar os livros da Bíblia no latin e, para fazê-lo melhor, começou a estudar as línguas originais da Bíblia (Grego e Hebraico). Aos poucos desenvolveu a idéia de que somente na Bíblia se podia encontrar a verdadeira autoridade. De 1513 a 1515, deu aulas sobre Salmos; de 1515 a 1517, sobre Romanos e depois, Gálatas e Hebreus.

A leitura do versículo 1:17 de Romanos convenceu-o de que somente pela fé em Cristo era possível alguém tornar-se justo diante de Deus. O estudo da Bíblia o levara a crer em Cristo somente para a sua salvação.

AS INDULGÊNCIAS E AS 95 TESES
Leão X, que sucedeu a Júlio II em março de 1513, teve o desígnio de reconstruir a magnífica Catedral de São Pedro em Roma, cujas obras haviam sido iniciadas por Júlio, mas que ainda precisava de muito dinheiro para ser concluída. Por esta razão, Leão X, em 1517, aprovou a concessão de indulgências gerais a toda Europa, em favor de todos os que contribuíssem com qualquer soma de dinheiro para a reedificação da catedral; e designou pessoas em diferentes países para proclamarem estas indulgências e receberem o dinheiro das mesmas. Estes estranhos procedimentos provocaram muito escândalo em Wittenberg e, de modo particular, inflamaram o zelo de Lutero. Neste caso, por ser incapaz de conter-se, estava decidido a declarar-se contrário a tais indulgências em todas as circunstâncias.


Por esta razão, na véspera do dia de todos os santos, em 31 de outubro de 1517, fixou publicamente, na igreja adjacente ao castelo naquela cidade, as noventa e cinco teses contra as indulgências, onde desafiava a qualquer que se opusesse a elas, fosse por escrito ou por debate oral.
Em pouco tempo toda a Alemanha tomou conhecimento do conteúdo dessas teses e elas espalharam-se também pelo resto da Europa. Embora tivesse sido pressionado de muitas formas - excomungado e cassado - para abandonar suas idéias e os seus escritos, Lutero manteve suas convicções. Suas idéias atingiram rapidamente o povo e essa divulgação foi facilitada pelo recém inventado sistema de impressão de textos em série.

A RESPOSTA DO PAPADO
Após 2 anos de embate entre Lutero e representantes do papa, em 15 de junho de 1520, Leão X advertiu Lutero, com a bula "Exsurge Domine", onde o ameaçava com a excomunhão, a menos que, num prazo de sessenta dias, repudiasse 41 pontos de sua doutrina, destacados pela Igreja.

Em outubro de 1520, Lutero enviou seu escrito "A Liberdade de um Cristão" ao Papa, acrescentando a frase significativa:
"Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus".

MATRIMÔNIO E FAMÍLIA
Em abril de 1523, Lutero ajudou 12 freiras a escaparem do cativeiro no Convento de Nimbschen. Entre essas freiras encontrava-se Catarina von Bora, filha de nobre família, com quem veio a se casar, em 13 de junho de 1525. Dessa união nasceram seis filhos: Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margaretha. Dos seis filhos, Margaretha foi a única que manteve a linhagem até os dias de hoje. Um descendente ilustre da família Lutero é o ex-presidente alemão Paul von Hindenburg.

O casamento de Lutero com a ex-freira cisterciense incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Foi um rompimento definitivo com a Igreja Romana.

LEGADO DE LUTERO
Lutero morreu no dia 18 de fevereiro de 1546, com sessenta e três anos de idade. A herança de Lutero permanece até hoje na Igreja Protestante, como o pai de um movimento que procurava uma reforma na Igreja através das Escrituras como fonte exclusiva de autoridade para a fé cristã, proclamando a salvação pela fé genuína e pessoal em Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e o homem.

Lutero foi o autor de uma das primeiras traduções da Bíblia para alemão, algo que não era permitido sem especial autorização eclesiástica. Com isso os alemães passaram a ter acesso as Escrituras no seu próprio idioma e um forte incentivo pela sua leitura e redescoberta dos ensinos da Palavra de Deus.

APLICAÇÃO
A vida de Lutero se assemelha muito a vida do rei Josias (2 Crônicas 34 e 35), um jovem que começou a reinar aos 8 anos e fez o que era reto perante o Senhor. Através de diversas reformas políticas e religiosas pôs fim a corrupção dos sacerdotes e da idolatria de Israel, reencontrando as Sagradas Escrituras e voltando-se para os seus ensinos. Tanto Josias quanto Lutero foram líderes de um avivamento espiritual na sua geração.

  • Qual o valor das Escrituras na reforma religiosa promovido por Josias e Lutero? Comente sobre o zelo que ambos tinham para com a Bíblia.
  • Por que Lutero valorizou tanto a Bíblia?
  • Como Lutero encontrou absolvição para os seus pecados?
  • Quais as divergências de Lutero com a Igreja Católica?
  • Qual a repercussão e as conseqüências dos ensinos e da reforma promovida e liderada por Lutero?
  • O que a vida de Lutero pode lhe inspirar no cotidiano?

MEMORIZAR VERSÍCULO
Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé". Romanos 1:16-17
FILME LUTERO
O filme Lutero conta a história de Martinho Lutero, um padre alemão que inconformado com a decadência espiritual e moral da Igreja Católica, começa a questionar a igreja, a autoridade do Papa e o poder de Roma.

Com uma ótima produção, o filme é bastante envolvente. Mostra o lado absolutamente negro que a Igreja Católica estava envolvida e os motivos que levaram Lutero a escrever as 95 teses que iniciou a Reforma Protestante.



MATERIAL UTILIZADO
• Foxe, John. História da Vida e Perseguições de Martinho Lutero. Livro dos Mártires, 2003. Editora Mundo Cristão.
• César, Elben L. Conversas com Lutero. História e Pensamento, Viçosa/MG 2006. Editora Ultimato.
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vídeo da história da religião

Como a geografia da religião evoluiu ao longo dos séculos, e onde tem acontecido guerras? O nosso mapa nos dá uma breve história das religiões mais conhecidas do mundo: Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo e Judaísmo. Quer ver 5.000 anos de religião em 90 segundos?



Criado por Maps of War

domingo, 1 de maio de 2011

Igreja no início da Idade Média (História da Igreja 3)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 12)



INTRODUÇÃO
O ano de 590 constituiu um divisor de águas entre o período antigo da história da Igreja e o período medieval, como o início de uma nova era de poder para a Igreja no Ocidente, inaugurada pelo papado de Gregório I. Um momento no qual a Igreja, liderada pelo bispo de Roma deteve o poder político do Império.

GREGÓRIO, O GRANDE
Nascido de uma família tradicional, nobre e rica de Roma, Gregório (540-604) recebeu uma formação jurídica que o prepararia para a vida pública. Em 573 tornou-se prefeito de Roma, porém logo depois abriu mão da herança que herdara e tornou-se monge, renunciado seu cargo político.

No ano de 590, Gregório foi escolhido bispo de Roma. Sua maior obra foi aumentar a influência política do bispo de Roma, e embora não reivindicasse para si o título de papa, exerceu todos os poderes e privilégios dos papas posteriores, tornando-se o primeiro papa universal.

Gregório foi o organizador do canto gregoriano, contribuindo para a forma da liturgia na Igreja Medieval. Ele também teve uma proeminência no campo da teologia, sendo considerado um dos grandes doutores da Igreja Ocidental. Ele sistematizou a doutrina e fez da Igreja uma potência na área da política.

Vejamos algumas das idéias de Gregório que influenciaram a teologia medieval:

• O homem é um pecador por nascimento e escolha, herdando de Adão o pecado como uma doença a que todos estão sujeitos.
• A vontade do homem é livre, porém a sua bondade foi perdida.
• A predestinação limitada aos eleitos.
• A graça não é irresistível, está fundamentada na presciência de Deus e no mérito do homem.
• As almas são purificadas no purgatório, antes de entrarem nos céus.
• A Bíblia foi inspirada por Deus, porém a tradição tem a mesma autoridade que as Escrituras.
• A ceia é um sacrifício do corpo e do sangue de Cristo que se repete todas as vezes que é celebrada – doutrina da transubstanciação.
• A importância das boas novas e a invocação dos santos para alcançar o favor de Deus.

SURGIMENTO E IMPACTO DO ISLAMISMO
O Islamismo teve suas origens na península árabe, através de Maomé (570-632), um mercador que chegou a ter contato com o Cristianismo e o Judaísmo através de viagens à Síria e Palestina, as únicas religiões monoteístas até então.

Em 610, Maomé sentiu um chamado divino para proclamar o monoteísmo. Maomé não rejeitou completamente o judaísmo e o cristianismo, duas religiões monoteístas já conhecidas pelos árabes. Em vez disso, informou que tinha sido enviado por Deus para restaurar os ensinamentos originais destas religiões, que tinham sido corrompidos e esquecidos.

Ele afirmava ter recebido a visita do anjo Gabriel, que lhe ordenou que recitasse uns versos enviados por Deus, e comunicou que Deus o havia escolhido como o último profeta enviado à humanidade. Maomé deu ouvidos à mensagem do anjo e, após sua morte, estes versos foram reunidos e integrados no Alcorão, durante o califado de Abu Bakr.

Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu da Pérsia até a Península Ibérica.

As porções oriental e ocidental da Igreja se enfraqueceram com as perdas pessoais e territoriais para o islamismo. A sólida Igreja do norte da África desapareceu, e a Terra Santa e o Egito foram perdidos. Os islamitas resistiram obstinadamente aos esforços do papado e dos cruzados de reconquistar a Terra Santa e, desde então, tem resistido duramente a qualquer tentativa de missionários cristãos de propagação do cristianismo entre os mulçumanos.

A religião islâmica
A principal fonte da religião mulçumana é o Alcorão, composto por 114 capítulos, dos quais o maior fica no começo; os capítulos vão diminuindo em extensão até o último que tem apenas três versículos. O livro é repetitivo e desorganizado.

A crença em um Deus, conhecido como Alá, é o tema central do islamismo. Ala fez conhecida a sua vontade através de 25 profetas, entre os quais se encontram personagens bíblicos como Abraão, Moisés e Cristo; Maomé é porém o último e o maior dos profetas. Os mulçumanos negam a divindade de Cristo quanto a sua morte na cruz. Fatalista, a religião propõe uma submissão passiva à vontade de Alá. Após o julgamento, os homens gozarão de um paraíso sensual ou enfrentarão o terror do inferno.

O bom mulçumano ora 5 vezes ao dia com o rosto voltado a Meca. Jejum e obras de caridade são importantes. Os mulçumanos santos são aqueles que, pelo menos uma vez na vida, fazem uma peregrinação a Meca.

ATIVIDADES MISSIONÁRIAS
Enquanto grande parte da energia da Igreja Oriental foi gasta na luta para evitar que os mulçumanos conquistassem Constantinopla, a Igreja no Ocidente empreendeu várias campanhas missionárias entre os séculos VI e IX para expandir o evangelho a tribos e povoados até então ignorantes a cerca das boas novas de Jesus Cristo.

As atividades missionárias se concentraram nas Ilhas Britânicas, Alemanha, Países Baixos, Itália, Espanha e a Grande Morávia (correspondente as atuais República Checa, Eslováquia e parte da Hungria). Essa impetuosa conquista que, às vezes, convertia e batizava em massa tribos e nações inteiras, suscitou o problema do batismo sem uma experiência pessoal de fé. Esse é, sem dúvida, um problema perene da obra missionária onde quer que a conversão de um líder influente tenha resultado na aceitação coletiva do cristianismo, independentemente se os convertidos tiveram ou não uma experiência genuína de salvação.

A ORIGEM DA IGREJA ORTODOXA GREGA
A Igreja no Oriente esteve sob a jurisdição do Imperador, mas o papa em Roma estava longe de ser submetido ao seu controle. Na ausência de controle político efetivo no Ocidente, com a queda do Império Romano Ocidental (em 476), o papa tornou-se o líder temporal e espiritual em tempos de crise. Os imperadores eram quase papas no Oriente, e no Ocidente os papas eram quase imperadores. Isso deu as duas igrejas uma perspectiva diferente em relação ao poder temporal.

Outro fator de divergência entre as Igrejas foi a formulação de uma teologia ortodoxa. A mente grega do Oriente se interessava mais pela solução de problemas teológicos em termos filosóficos. A maioria das controvérsias teológicas entre 325 e 451 surgiu no Oriente, o que acirrava as disputas entre os bispos do Ocidente e Oriente.

A questão das imagens e esculturas nos templos foi outro fator de disputa entre as igrejas. Acusados pelos mulçumanos de idolatria, o imperador do Oriente, Leão III, em 739 ordenou que tudo, exceto a Bíblia, fosse removido das igrejas. Enquanto a igreja no Ocidente continuou a usar imagens e esculturas no culto, o que aumentou o antagonismo entre os dois grupos.

A interferência do papa na nomeação de patriarcas da Igreja no Oriente era mais um motivo que intensificava as más relações entre as duas igrejas.

E em 1054, todas essas diferenças e antagonismos se centralizaram em torno daquilo que parecia ser um problema menor. O patriarca de Constantinopla (Miguel Cerulário, 1043-1059) condenou a Igreja do Ocidente pelo uso de pão não-levedado na eucaristia. Por mais que o papa tentasse reconciliar os dois lados, as discussões não cessavam e a polêmica aumentava. No dia 16 de julho de 1054, o cardeal romano que representava o papa em Constantinopla colocou no altar superior da catedral de Santa Sofia um decreto de excomunhão do patriarca e seus seguidores. O patriarca não tardou em responder e anatematizou o papa de Roma e seus seguidores. Foi esse o primeiro grande cisma no cristianismo a romper com a unidade da Igreja.

Qualquer movimento ecumênico se tornou muito difícil depois dos amargos acontecimentos que separaram a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente. As mútuas excomunhões só foram levantadas em 7 de Dezembro de 1965, pelo Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, a fim de aproximar as duas Igrejas, afastadas havia séculos. As excomunhões, entretanto, foram retiradas pelas duas Igrejas em 1966. Somente recentemente o diálogo entre elas foi efetivamente retomado, a fim de tentar sanar o cisma.


APLICAÇÃO
O período da Igreja na Idade Média foi um momento de grande expansão do cristianismo, mas ao mesmo tempo de bastante confusão sobre a missão da Igreja.

A grande tentação neste período da história foi o poder e a riqueza que rondaram de perto e acabaram por se concentrar na Igreja institucionalizada, o que interferiu muito na sua pureza, teologia e missão.

QUESTÕES
Observando a história do cristianismo, você acredita que ele contribui positivamente para transformar uma sociedade?
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Quais as conseqüências do papado para o cristianismo?
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Qual o problema da adesão ao cristianismo sem uma experiência de fé pessoal e genuína, a qual denominamos ‘conversão’?
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Quais os perigos que você enxerga na associação da Igreja com o Estado?
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Quais os motivos do primeiro cisma da Igreja? E qual as conseqüências dessa divisão da Igreja?
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Por que Maomé criou uma religião ao invés de aderir a uma das religiões monoteístas já existentes?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 24 de abril de 2011

O TÚMULO VAZIO (Aula especial de Páscoa)

Texto base: João 20:1-18

Tomando como base o início do texto bíblico de hoje, o túmulo, onde Jesus foi colocado após a sua morte, é mencionado sete vezes. Isso revela a predominância da ideia de Jesus morto. Depois da crucificação, os discípulos e discípulas viam Jesus como aniquilado e passivo. O capítulo que lemos tem inicio com a seguinte referência: “ainda estava escuro”, o que expõe perfeitamente a desorientação e o desamparo dos seguidores de Jesus naquele momento.

O “escuro” lembra as trevas e o caos primordial antes de tudo ser criado. E agora está em vias de os discípulos perceberem a nova criação presente em Jesus ressurreto.

Reflexão em grupo
1. Quem são os discípulos de Jesus envolvidos neste texto? E quem é Maria Madalena (Veja Lc 8:1-3)?
2. A palavra “viu”, nos versículos 1 e 5, vem do grego que significa “deu uma olhadinha”; no versículo 6, o significado da palavra “viu” é “estudou”; e no versículo 8, a palavra “viu” é uma outra palavra grega cujo sentido é “perceber”. Note a progressão: “dar uma olhadinha”, “estudar” e “perceber”. O que isto nos anuncia?
3. Qual é a reação destas testemunhas diante da ressurreição de Jesus?
4. Hoje, tem alguma razão de ser o culto prestado a um morto em seu túmulo? Por quê?
5. Por que a ressurreição é parte tão importante de nossa crença?

Conclusão
O túmulo vazio confirma a obra de Jesus Cristo na cruz, sua obra de redenção para o homem.

A ressurreição traz a convicção de que somos peregrinos e forasteiros neste mundo, aguardando a nossa pátria celeste. Não nos deixa olhar limitadamente para este mundo, põe os nossos olhos na glória de Jesus.

O túmulo vazio provoca em nós a expectativa de que assim como Cristo nós também seremos ressuscitados, no dia do Senhor, o nosso corpo corruptível há de se revestir de incorruptibilidade e seremos semelhantes a Jesus.

A ressurreição de Cristo nos lembra de que a morte será vencida de uma vez por todas, assim como o mal e o pecado serão de uma vez por todas excluídos da realidade dos novos céus e nova terra.

O túmulo vazio põe em nossos lábios a confissão de fé na volta de Jesus. E em regozijo oramos: Maranata vem Senhor Jesus!
Pedro Paulo Valente

Reflexão pessoal
O que é que domina seu coração hoje: O túmulo vazio que anuncia a vitória de Jesus sobre morte, ou as ansiedades e pressões que o mundo impõe sobre você?

domingo, 17 de abril de 2011

Estevão, o mártir (aula 9)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 9)

TEXTO BASE: Atos 6:8 - 7:60


PARA LER E PENSAR
Estevão foi o primeiro. Muitos seguiram os seus passos para o martírio – aqueles que viveram e proclamaram a verdade que é intolerável neste planeta cheio de maldade. Estevão foi descrito como cheio do Espírito Santo e de sabedoria, cheio de graça e de poder. Quando os inimigos de Jesus não puderam mais agüentar este Espírito e esta sabedoria, o apedrejaram até a morte. Para a Igreja, Estevão foi uma dádiva, mas os inimigos não o podiam tolerar.


Há muito paralelos entre a morte de Jesus e a morte de Estevão. Em ambos os casos, falsas testemunhas foram apresentadas e a acusação era de blasfêmia. Em ambos os casos, a execução foi acompanhada de duas orações. Ambos oraram pelos que o executavam e pela recepção do seu espírito. Desse modo, conscientemente ou não, o discípulo refletiu seu Mestre. A única diferença foi que Jesus orou a seu Pai, e Estevão orou a Jesus, chamando-o Senhor, com=locando-o no mesmo nível de Deus.
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A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã