domingo, 8 de maio de 2011

Martinho Lutero, 1483-1546 d.C. (Biografia III)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 13)

Lutero em 1529 por Lucas Cranach

“Eu estou atado as Escrituras”

TEXTO BASE: Romanos 3:21-31

OS PRIMEIROS ANOS
Martinho Lutero (em alemão: Martin Luther) nasceu no dia 10 de novembro de 1483 em Eisleben, Alemanha. A posição e condição de seus pais eram originalmente humildes, e a profissão de seu pai era trabalhar nas minas; porém, é provável que por seu esforço e trabalho ajuntara uma fortuna para a sua família. Lutero foi prontamente iniciado nos estudos, e aos treze anos de idade foi enviado a uma escola de Magdeburgo, e dali a Eisenach, na Turíngia, onde permaneceu por quatro anos e recebeu o ensino superior de Latin, condição essencial para a sua entrada na universidade.

Em 1501, foi enviado à Universidade de Erfurt, onde passou pelos costumeiros cursos de lógica e filosofia. Aos vinte anos de idade, recebeu o título de licenciado, e passou logo a ensinar a filosofia de Aristóteles, ética e outros assuntos ligados à filosofia. Posteriormente, por indicação de seus pais, dedicou-se à lei civil, a fim de trabalhar como advogado; porém, foi separado desta atividade devido ao incidente relatado a seguir.

VOCAÇÃO MONÁSTICA
Ao andar certo dia pelos campos, foi lançado ao solo por um raio, e ficou tão apavorado que prometeu a Santa Ana tornar-se monge caso fosse poupado. Este fato afetou-o de tal modo que se retirou do mundo e enclausurou-se junto à ordem dos eremitas de Santo Agostinho.

Dedicou-se ali à leitura das obras de Santo Agostinho e dos escolásticos; porém, ao vasculhar a biblioteca, encontrou, acidentalmente, uma cópia da Bíblia latina que jamais havia visto antes. Esta atraiu poderosamente a sua curiosidade; leu-a ansiosamente e sentiu-se atônito ao perceber que apenas uma pequena porção das Escrituras era ensinada ao povo.

Fez a sua profissão de fé no mosteiro de Erfurt, após ter sido noviço durante um ano; e tomou ordens sacerdotais, ao celebrar a sua primeira missa em 1507. Um ano mais tarde lecionou teologia por um semestre na nova universidade de Wittenberg. Assim prosseguiu os seus estudos em Erfurt pelo período de quatro anos no mosteiro dos agostinianos, principalmente teológicos.

O PAVOR DO PECADO
Em Erfurt havia certo ancião no convento dos agostinianos, com quem Lutero, que pertencia à mesma ordem, como frade agostiniano, conversou sobre vários assuntos, especialmente a remissão dos pecados. Sobre este tema, este sábio padre foi franco com Lutero, ao dizer-lhe que o expresso mandamento de Deus é que cada homem creia particularmente que os seus pecados foram perdoados em Cristo; disse-lhe ainda que esta interpretação particular fora confirmada por São Bernardo: “Este é o testemunho que o Espírito Santo te dá em teu coração, quando diz: Os teus pecados te são perdoados. Porque este é o ensino do apóstolo, que o homem é livremente justificado pela fé”.

Estas palavras não serviram somente para fortalecer Lutero, mas também para ensinar-lhe o pleno sentido do ensino do apóstolo Paulo, que insiste tantas vezes na seguinte frase: “Somos justificados pela fé”. E, após ler as exposições de muitos sobre esta passagem, logo percebeu, tanto pelo discurso do ancião como pelo conselho que recebeu em seu espírito, o quão vãs eram as interpretações que antes havia lido nos trabalhos dos escolásticos. E assim, pouco a pouco, ao ler e comparar os ditos e os exemplos dos profetas e dos apóstolos, com uma contínua invocação a Deus, e com a excitação da fé pelo poder da oração, deu-se conta desta doutrina com a maior evidência.

DECEPICIONANTE VISITA A ROMA
Entre 1510-11, sete mosteiros de sua ordem tiveram uma divergência com o seu vigário geral. Lutero foi escolhido para ir a Roma e defender a sua causa. Lá ele viu um pouco da corrupção e luxúria da Igreja Romana e começou a compreender a necessidade de uma reforma. Passou muito tempo visitando igrejas e vendo as numerosas relíquias que estavam em Roma. Ficou chocado com a leviandade dos sacerdotes italianos, capazes de rezar várias missas enquanto ele rezava uma.

LUTERO E A BÍBLIA
Em 1511, Lutero foi transferido para Wittenberg. Durante o ano seguinte, tornou-se professor de Bíblia e recebeu o título de doutor em teologia. Lutero, então, passou a ensinar os livros da Bíblia no latin e, para fazê-lo melhor, começou a estudar as línguas originais da Bíblia (Grego e Hebraico). Aos poucos desenvolveu a idéia de que somente na Bíblia se podia encontrar a verdadeira autoridade. De 1513 a 1515, deu aulas sobre Salmos; de 1515 a 1517, sobre Romanos e depois, Gálatas e Hebreus.

A leitura do versículo 1:17 de Romanos convenceu-o de que somente pela fé em Cristo era possível alguém tornar-se justo diante de Deus. O estudo da Bíblia o levara a crer em Cristo somente para a sua salvação.

AS INDULGÊNCIAS E AS 95 TESES
Leão X, que sucedeu a Júlio II em março de 1513, teve o desígnio de reconstruir a magnífica Catedral de São Pedro em Roma, cujas obras haviam sido iniciadas por Júlio, mas que ainda precisava de muito dinheiro para ser concluída. Por esta razão, Leão X, em 1517, aprovou a concessão de indulgências gerais a toda Europa, em favor de todos os que contribuíssem com qualquer soma de dinheiro para a reedificação da catedral; e designou pessoas em diferentes países para proclamarem estas indulgências e receberem o dinheiro das mesmas. Estes estranhos procedimentos provocaram muito escândalo em Wittenberg e, de modo particular, inflamaram o zelo de Lutero. Neste caso, por ser incapaz de conter-se, estava decidido a declarar-se contrário a tais indulgências em todas as circunstâncias.


Por esta razão, na véspera do dia de todos os santos, em 31 de outubro de 1517, fixou publicamente, na igreja adjacente ao castelo naquela cidade, as noventa e cinco teses contra as indulgências, onde desafiava a qualquer que se opusesse a elas, fosse por escrito ou por debate oral.
Em pouco tempo toda a Alemanha tomou conhecimento do conteúdo dessas teses e elas espalharam-se também pelo resto da Europa. Embora tivesse sido pressionado de muitas formas - excomungado e cassado - para abandonar suas idéias e os seus escritos, Lutero manteve suas convicções. Suas idéias atingiram rapidamente o povo e essa divulgação foi facilitada pelo recém inventado sistema de impressão de textos em série.

A RESPOSTA DO PAPADO
Após 2 anos de embate entre Lutero e representantes do papa, em 15 de junho de 1520, Leão X advertiu Lutero, com a bula "Exsurge Domine", onde o ameaçava com a excomunhão, a menos que, num prazo de sessenta dias, repudiasse 41 pontos de sua doutrina, destacados pela Igreja.

Em outubro de 1520, Lutero enviou seu escrito "A Liberdade de um Cristão" ao Papa, acrescentando a frase significativa:
"Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus".

MATRIMÔNIO E FAMÍLIA
Em abril de 1523, Lutero ajudou 12 freiras a escaparem do cativeiro no Convento de Nimbschen. Entre essas freiras encontrava-se Catarina von Bora, filha de nobre família, com quem veio a se casar, em 13 de junho de 1525. Dessa união nasceram seis filhos: Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margaretha. Dos seis filhos, Margaretha foi a única que manteve a linhagem até os dias de hoje. Um descendente ilustre da família Lutero é o ex-presidente alemão Paul von Hindenburg.

O casamento de Lutero com a ex-freira cisterciense incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Foi um rompimento definitivo com a Igreja Romana.

LEGADO DE LUTERO
Lutero morreu no dia 18 de fevereiro de 1546, com sessenta e três anos de idade. A herança de Lutero permanece até hoje na Igreja Protestante, como o pai de um movimento que procurava uma reforma na Igreja através das Escrituras como fonte exclusiva de autoridade para a fé cristã, proclamando a salvação pela fé genuína e pessoal em Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e o homem.

Lutero foi o autor de uma das primeiras traduções da Bíblia para alemão, algo que não era permitido sem especial autorização eclesiástica. Com isso os alemães passaram a ter acesso as Escrituras no seu próprio idioma e um forte incentivo pela sua leitura e redescoberta dos ensinos da Palavra de Deus.

APLICAÇÃO
A vida de Lutero se assemelha muito a vida do rei Josias (2 Crônicas 34 e 35), um jovem que começou a reinar aos 8 anos e fez o que era reto perante o Senhor. Através de diversas reformas políticas e religiosas pôs fim a corrupção dos sacerdotes e da idolatria de Israel, reencontrando as Sagradas Escrituras e voltando-se para os seus ensinos. Tanto Josias quanto Lutero foram líderes de um avivamento espiritual na sua geração.

  • Qual o valor das Escrituras na reforma religiosa promovido por Josias e Lutero? Comente sobre o zelo que ambos tinham para com a Bíblia.
  • Por que Lutero valorizou tanto a Bíblia?
  • Como Lutero encontrou absolvição para os seus pecados?
  • Quais as divergências de Lutero com a Igreja Católica?
  • Qual a repercussão e as conseqüências dos ensinos e da reforma promovida e liderada por Lutero?
  • O que a vida de Lutero pode lhe inspirar no cotidiano?

MEMORIZAR VERSÍCULO
Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé". Romanos 1:16-17
FILME LUTERO
O filme Lutero conta a história de Martinho Lutero, um padre alemão que inconformado com a decadência espiritual e moral da Igreja Católica, começa a questionar a igreja, a autoridade do Papa e o poder de Roma.

Com uma ótima produção, o filme é bastante envolvente. Mostra o lado absolutamente negro que a Igreja Católica estava envolvida e os motivos que levaram Lutero a escrever as 95 teses que iniciou a Reforma Protestante.



MATERIAL UTILIZADO
• Foxe, John. História da Vida e Perseguições de Martinho Lutero. Livro dos Mártires, 2003. Editora Mundo Cristão.
• César, Elben L. Conversas com Lutero. História e Pensamento, Viçosa/MG 2006. Editora Ultimato.
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vídeo da história da religião

Como a geografia da religião evoluiu ao longo dos séculos, e onde tem acontecido guerras? O nosso mapa nos dá uma breve história das religiões mais conhecidas do mundo: Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo e Judaísmo. Quer ver 5.000 anos de religião em 90 segundos?



Criado por Maps of War

domingo, 1 de maio de 2011

Igreja no início da Idade Média (História da Igreja 3)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 12)



INTRODUÇÃO
O ano de 590 constituiu um divisor de águas entre o período antigo da história da Igreja e o período medieval, como o início de uma nova era de poder para a Igreja no Ocidente, inaugurada pelo papado de Gregório I. Um momento no qual a Igreja, liderada pelo bispo de Roma deteve o poder político do Império.

GREGÓRIO, O GRANDE
Nascido de uma família tradicional, nobre e rica de Roma, Gregório (540-604) recebeu uma formação jurídica que o prepararia para a vida pública. Em 573 tornou-se prefeito de Roma, porém logo depois abriu mão da herança que herdara e tornou-se monge, renunciado seu cargo político.

No ano de 590, Gregório foi escolhido bispo de Roma. Sua maior obra foi aumentar a influência política do bispo de Roma, e embora não reivindicasse para si o título de papa, exerceu todos os poderes e privilégios dos papas posteriores, tornando-se o primeiro papa universal.

Gregório foi o organizador do canto gregoriano, contribuindo para a forma da liturgia na Igreja Medieval. Ele também teve uma proeminência no campo da teologia, sendo considerado um dos grandes doutores da Igreja Ocidental. Ele sistematizou a doutrina e fez da Igreja uma potência na área da política.

Vejamos algumas das idéias de Gregório que influenciaram a teologia medieval:

• O homem é um pecador por nascimento e escolha, herdando de Adão o pecado como uma doença a que todos estão sujeitos.
• A vontade do homem é livre, porém a sua bondade foi perdida.
• A predestinação limitada aos eleitos.
• A graça não é irresistível, está fundamentada na presciência de Deus e no mérito do homem.
• As almas são purificadas no purgatório, antes de entrarem nos céus.
• A Bíblia foi inspirada por Deus, porém a tradição tem a mesma autoridade que as Escrituras.
• A ceia é um sacrifício do corpo e do sangue de Cristo que se repete todas as vezes que é celebrada – doutrina da transubstanciação.
• A importância das boas novas e a invocação dos santos para alcançar o favor de Deus.

SURGIMENTO E IMPACTO DO ISLAMISMO
O Islamismo teve suas origens na península árabe, através de Maomé (570-632), um mercador que chegou a ter contato com o Cristianismo e o Judaísmo através de viagens à Síria e Palestina, as únicas religiões monoteístas até então.

Em 610, Maomé sentiu um chamado divino para proclamar o monoteísmo. Maomé não rejeitou completamente o judaísmo e o cristianismo, duas religiões monoteístas já conhecidas pelos árabes. Em vez disso, informou que tinha sido enviado por Deus para restaurar os ensinamentos originais destas religiões, que tinham sido corrompidos e esquecidos.

Ele afirmava ter recebido a visita do anjo Gabriel, que lhe ordenou que recitasse uns versos enviados por Deus, e comunicou que Deus o havia escolhido como o último profeta enviado à humanidade. Maomé deu ouvidos à mensagem do anjo e, após sua morte, estes versos foram reunidos e integrados no Alcorão, durante o califado de Abu Bakr.

Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu da Pérsia até a Península Ibérica.

As porções oriental e ocidental da Igreja se enfraqueceram com as perdas pessoais e territoriais para o islamismo. A sólida Igreja do norte da África desapareceu, e a Terra Santa e o Egito foram perdidos. Os islamitas resistiram obstinadamente aos esforços do papado e dos cruzados de reconquistar a Terra Santa e, desde então, tem resistido duramente a qualquer tentativa de missionários cristãos de propagação do cristianismo entre os mulçumanos.

A religião islâmica
A principal fonte da religião mulçumana é o Alcorão, composto por 114 capítulos, dos quais o maior fica no começo; os capítulos vão diminuindo em extensão até o último que tem apenas três versículos. O livro é repetitivo e desorganizado.

A crença em um Deus, conhecido como Alá, é o tema central do islamismo. Ala fez conhecida a sua vontade através de 25 profetas, entre os quais se encontram personagens bíblicos como Abraão, Moisés e Cristo; Maomé é porém o último e o maior dos profetas. Os mulçumanos negam a divindade de Cristo quanto a sua morte na cruz. Fatalista, a religião propõe uma submissão passiva à vontade de Alá. Após o julgamento, os homens gozarão de um paraíso sensual ou enfrentarão o terror do inferno.

O bom mulçumano ora 5 vezes ao dia com o rosto voltado a Meca. Jejum e obras de caridade são importantes. Os mulçumanos santos são aqueles que, pelo menos uma vez na vida, fazem uma peregrinação a Meca.

ATIVIDADES MISSIONÁRIAS
Enquanto grande parte da energia da Igreja Oriental foi gasta na luta para evitar que os mulçumanos conquistassem Constantinopla, a Igreja no Ocidente empreendeu várias campanhas missionárias entre os séculos VI e IX para expandir o evangelho a tribos e povoados até então ignorantes a cerca das boas novas de Jesus Cristo.

As atividades missionárias se concentraram nas Ilhas Britânicas, Alemanha, Países Baixos, Itália, Espanha e a Grande Morávia (correspondente as atuais República Checa, Eslováquia e parte da Hungria). Essa impetuosa conquista que, às vezes, convertia e batizava em massa tribos e nações inteiras, suscitou o problema do batismo sem uma experiência pessoal de fé. Esse é, sem dúvida, um problema perene da obra missionária onde quer que a conversão de um líder influente tenha resultado na aceitação coletiva do cristianismo, independentemente se os convertidos tiveram ou não uma experiência genuína de salvação.

A ORIGEM DA IGREJA ORTODOXA GREGA
A Igreja no Oriente esteve sob a jurisdição do Imperador, mas o papa em Roma estava longe de ser submetido ao seu controle. Na ausência de controle político efetivo no Ocidente, com a queda do Império Romano Ocidental (em 476), o papa tornou-se o líder temporal e espiritual em tempos de crise. Os imperadores eram quase papas no Oriente, e no Ocidente os papas eram quase imperadores. Isso deu as duas igrejas uma perspectiva diferente em relação ao poder temporal.

Outro fator de divergência entre as Igrejas foi a formulação de uma teologia ortodoxa. A mente grega do Oriente se interessava mais pela solução de problemas teológicos em termos filosóficos. A maioria das controvérsias teológicas entre 325 e 451 surgiu no Oriente, o que acirrava as disputas entre os bispos do Ocidente e Oriente.

A questão das imagens e esculturas nos templos foi outro fator de disputa entre as igrejas. Acusados pelos mulçumanos de idolatria, o imperador do Oriente, Leão III, em 739 ordenou que tudo, exceto a Bíblia, fosse removido das igrejas. Enquanto a igreja no Ocidente continuou a usar imagens e esculturas no culto, o que aumentou o antagonismo entre os dois grupos.

A interferência do papa na nomeação de patriarcas da Igreja no Oriente era mais um motivo que intensificava as más relações entre as duas igrejas.

E em 1054, todas essas diferenças e antagonismos se centralizaram em torno daquilo que parecia ser um problema menor. O patriarca de Constantinopla (Miguel Cerulário, 1043-1059) condenou a Igreja do Ocidente pelo uso de pão não-levedado na eucaristia. Por mais que o papa tentasse reconciliar os dois lados, as discussões não cessavam e a polêmica aumentava. No dia 16 de julho de 1054, o cardeal romano que representava o papa em Constantinopla colocou no altar superior da catedral de Santa Sofia um decreto de excomunhão do patriarca e seus seguidores. O patriarca não tardou em responder e anatematizou o papa de Roma e seus seguidores. Foi esse o primeiro grande cisma no cristianismo a romper com a unidade da Igreja.

Qualquer movimento ecumênico se tornou muito difícil depois dos amargos acontecimentos que separaram a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente. As mútuas excomunhões só foram levantadas em 7 de Dezembro de 1965, pelo Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, a fim de aproximar as duas Igrejas, afastadas havia séculos. As excomunhões, entretanto, foram retiradas pelas duas Igrejas em 1966. Somente recentemente o diálogo entre elas foi efetivamente retomado, a fim de tentar sanar o cisma.


APLICAÇÃO
O período da Igreja na Idade Média foi um momento de grande expansão do cristianismo, mas ao mesmo tempo de bastante confusão sobre a missão da Igreja.

A grande tentação neste período da história foi o poder e a riqueza que rondaram de perto e acabaram por se concentrar na Igreja institucionalizada, o que interferiu muito na sua pureza, teologia e missão.

QUESTÕES
Observando a história do cristianismo, você acredita que ele contribui positivamente para transformar uma sociedade?
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Quais as conseqüências do papado para o cristianismo?
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Qual o problema da adesão ao cristianismo sem uma experiência de fé pessoal e genuína, a qual denominamos ‘conversão’?
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Quais os perigos que você enxerga na associação da Igreja com o Estado?
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Quais os motivos do primeiro cisma da Igreja? E qual as conseqüências dessa divisão da Igreja?
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Por que Maomé criou uma religião ao invés de aderir a uma das religiões monoteístas já existentes?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 24 de abril de 2011

O TÚMULO VAZIO (Aula especial de Páscoa)

Texto base: João 20:1-18

Tomando como base o início do texto bíblico de hoje, o túmulo, onde Jesus foi colocado após a sua morte, é mencionado sete vezes. Isso revela a predominância da ideia de Jesus morto. Depois da crucificação, os discípulos e discípulas viam Jesus como aniquilado e passivo. O capítulo que lemos tem inicio com a seguinte referência: “ainda estava escuro”, o que expõe perfeitamente a desorientação e o desamparo dos seguidores de Jesus naquele momento.

O “escuro” lembra as trevas e o caos primordial antes de tudo ser criado. E agora está em vias de os discípulos perceberem a nova criação presente em Jesus ressurreto.

Reflexão em grupo
1. Quem são os discípulos de Jesus envolvidos neste texto? E quem é Maria Madalena (Veja Lc 8:1-3)?
2. A palavra “viu”, nos versículos 1 e 5, vem do grego que significa “deu uma olhadinha”; no versículo 6, o significado da palavra “viu” é “estudou”; e no versículo 8, a palavra “viu” é uma outra palavra grega cujo sentido é “perceber”. Note a progressão: “dar uma olhadinha”, “estudar” e “perceber”. O que isto nos anuncia?
3. Qual é a reação destas testemunhas diante da ressurreição de Jesus?
4. Hoje, tem alguma razão de ser o culto prestado a um morto em seu túmulo? Por quê?
5. Por que a ressurreição é parte tão importante de nossa crença?

Conclusão
O túmulo vazio confirma a obra de Jesus Cristo na cruz, sua obra de redenção para o homem.

A ressurreição traz a convicção de que somos peregrinos e forasteiros neste mundo, aguardando a nossa pátria celeste. Não nos deixa olhar limitadamente para este mundo, põe os nossos olhos na glória de Jesus.

O túmulo vazio provoca em nós a expectativa de que assim como Cristo nós também seremos ressuscitados, no dia do Senhor, o nosso corpo corruptível há de se revestir de incorruptibilidade e seremos semelhantes a Jesus.

A ressurreição de Cristo nos lembra de que a morte será vencida de uma vez por todas, assim como o mal e o pecado serão de uma vez por todas excluídos da realidade dos novos céus e nova terra.

O túmulo vazio põe em nossos lábios a confissão de fé na volta de Jesus. E em regozijo oramos: Maranata vem Senhor Jesus!
Pedro Paulo Valente

Reflexão pessoal
O que é que domina seu coração hoje: O túmulo vazio que anuncia a vitória de Jesus sobre morte, ou as ansiedades e pressões que o mundo impõe sobre você?

domingo, 17 de abril de 2011

Estevão, o mártir (aula 9)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 9)

TEXTO BASE: Atos 6:8 - 7:60


PARA LER E PENSAR
Estevão foi o primeiro. Muitos seguiram os seus passos para o martírio – aqueles que viveram e proclamaram a verdade que é intolerável neste planeta cheio de maldade. Estevão foi descrito como cheio do Espírito Santo e de sabedoria, cheio de graça e de poder. Quando os inimigos de Jesus não puderam mais agüentar este Espírito e esta sabedoria, o apedrejaram até a morte. Para a Igreja, Estevão foi uma dádiva, mas os inimigos não o podiam tolerar.


Há muito paralelos entre a morte de Jesus e a morte de Estevão. Em ambos os casos, falsas testemunhas foram apresentadas e a acusação era de blasfêmia. Em ambos os casos, a execução foi acompanhada de duas orações. Ambos oraram pelos que o executavam e pela recepção do seu espírito. Desse modo, conscientemente ou não, o discípulo refletiu seu Mestre. A única diferença foi que Jesus orou a seu Pai, e Estevão orou a Jesus, chamando-o Senhor, com=locando-o no mesmo nível de Deus.
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A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

domingo, 10 de abril de 2011

Contra-ataque Satânico (aula 8)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 8)

TEXTO BASE: Atos 4:32 – 6:7


PARA LER E PENSAR
No mundo todo hoje, milhares de pessoas estão sofrendo e morrendo por Jesus. Durante o século XX, mais cristãos foram mortos por causa da fé ou em confrontos violentos por causa do cristianismo, do que em todos os outros séculos juntos. Onde há vida e crescimento, Satanás vai atacar.
Assim que o Espírito Santo veio sobre a igreja (Atos 3), Satanás lançou um violento contra ataque. Embora sua primeira e mais grosseira tática seja a violência física, esmagando a Igreja pela perseguição,sua segunda tática é ainda mais astuta: corrupção moral e conformação. Esse modo de atacar faz sentido porque Cristo é exaltado pela integridade da sua igreja. A igreja primitiva não foi uma exceção. O primeiro exemplo na Bíblia da tentativa para infiltrar o mal na vida interior da igreja foi a história de Ananias e Safira.
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A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

domingo, 3 de abril de 2011

Francisco de Assis, 1182-1226 d.C. (Biografia II)

Por Jan Tammadge

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 7)
Dedicado ou Doido?
  • O início da sua caminhada pela fé foi quando teve um sonho em qual lhe apareceu alguém o chamando pelo nome e levando-o a um rico palácio, onde vivia uma linda donzela, e que estava cheio de armas resplandecentes.
  • Passado algum tempo, diante do povo da cidade dele se declarou de preguiçoso e desocupado. A multidão o tomou por louco e divertiu-se o apedrejando.
  • Quando o próprio pai o acusou de dissipador de sua fortuna, reclamando uma compensação pelo que ele havia roubado o ‘doido’ despiu todas as suas belas roupas e as colocou aos pés do pai, renunciou à sua herança e partiu completamente nu.
  • Quando foi pedir uma audiência com o Papa foi mandado embora com a ordem que deve ir pregar entre os porcos. Procuro o chiqueiro mais próximo, e coberto de lama voltou para o Papa, que após disso decidiu recebê-lo!
1) E aí – este homem é dedicado ou é doido? É santo ou é louco?
Para muitos a visão que se tem do Francisco de Assis é de um frade humilde rodeado por aves e animais do campo. Qual foi a contribuição dele na historia da igreja? Porque ele se tornou tão importante? Na verdade para alguns houve dúvidas sobre sua sanidade mental em vista de seu caráter emocional, suas oscilações entre extremos de intensa euforia e de profunda tristeza, e sua imaginação exuberante. Mas para muitos ele foi uma "luz que brilhou sobre o mundo", e a maior figura do Cristianismo desde Jesus.
Nasceu Giovanni di Pietro di Bernardone 5 de julho 1182 na cidade de Assis. Filho do comerciante italiano Pietro di Bernadone dei Moriconi e sua esposa Pica Bourlemont, um casal rico. Francisco teve uma juventude mundana – era popular entre seus amigos por sua indisciplina e extravagâncias, por sua paixão pelas aventuras, pelas roupas da moda e pela bebida, e por sua liberalidade com o dinheiro. Ele desejava ganhar fama como um herói.
Em 1202, alistou-se como soldado, mas foi capturado e permaneceu preso por cerca de um ano. Depois tentou novamente a carreira das armas, engajou-se em 1205 no exército, incentivado por um sonho que tivera. No trajeto teve outro sonho/visão, onde ouviu uma voz a dizer: Volta para tua terra, e te será dito o que haverás de fazer. Pois deves entender de outro modo a visão que tiveste.
2) Olhando a vida do Fransisco até este ponto, o que você diria sobre o alvo ou objetivo da vida dele?
Francisco retirou-se para uma caverna a fim de meditar. Certo dia saiu pelos campos, e ao penetrar em uma clareira ouviu o som do sino que os leprosos usavam para indicar a sua aproximação, e logo se viu frente a frente com o homem doente. Fazia frio e o leproso tinha apenas trapos sobre o corpo. Francisco sempre sentira repulsa dos leprosos, mas nesse momento desceu de seu cavalo e cobriu o homem com seu próprio manto. Espantado consigo mesmo, olhou nos olhos do outro e beijou aquele rosto deformado. Este parece ter sido o ponto de virada em sua vida.
Outro dia ele entrou para orar na igreja de São Damião e ali ele ouviu pela primeira vez a voz de Cristo. A voz chamou a sua atenção para o estado de ruína de sua Igreja, e instou para que Francisco a reconstruísse. Imediatamente voltou para sua casa, recolheu diversos tecidos caros da loja de seu pai e os vendeu no mercado da cidade, e voltou para a igreja doando o dinheiro para o padre, a fim de que ele restaurasse o prédio. O pai se enfureceu e mandou que o buscassem. Francisco se escondeu em um celeiro. Passado algum tempo, decidiu revelar-se, e diante do povo de Assis se acusou de preguiçoso e desocupado. A multidão o tomou por louco e divertiu-se apedrejando-o. O pai ouviu o tumulto e o recolheu para sua casa, mas o acorrentou no porão. Alguns dias depois sua mãe, livrou-o das correntes, e Francisco foi buscar refúgio junto ao bispo. O pai seguiu-o e o acusou de dissipador de sua fortuna. Então, para a surpresa de todos, Francisco despiu todas as suas belas roupas e as colocou aos pés do pai, renunciou à sua herança e partiu, completamente nu, para iniciar uma vida de pobreza junto do povo, da qual jamais retornou. O bispo viu nesse gesto um sinal divino e se tornou seu protetor pelo resto da vida

3) O fazer o que é errado (roubar do pai) é justificado pelo bem que faz (reconstruir a igreja)?
Leiam Mateus 10:5-12 Estes versículos se tornaram a orientação para vida de fransisco - uma vida religiosa de completa pobreza, castidade e obediência. Ele fundou a ordem dos Frades Franciscanos. Era pregador itinerante e falava da sua crença de que o Evangelho devia ser seguido à risca, imitando-se a vida de Cristo. Ele se dedicou aos mais pobres dos pobres, apreçiou à natureza e amou todas as criaturas chamando-as de irmãos.
Passou a ser missionário primeiro fazendo uma viagem aos sarracenos na Síria. Durante a viagem de navio, conta a tradição que o santo fez o milagre de pacificar uma tempestade e de multiplicar a comida dos marinheiros. Nessa época seus milagres foram numerosos. Em 1214 foi pregar na Espanha e em 1219, durante a Primeira Cruzada, foi ao Egito, encontrou-se com os cruzados, profetizando sua derrota, em seguida pregou para o sultão Al-Kamil que, impressionado, pediu que Francisco orasse para que Deus lhe mostrasse a forma de cultuá-lo e permitiu que pregasse entre seus súditos.
Seus anos finais foram passados em tranquilidade, quando seu amor e compaixão por todas as criaturas fluíam abundantes. No Natal de 1223 foi convidado para celebrar a festa numa gruta com pastores e animais, desejando recriar o nascimento de Cristo em Belém, sendo a origem da tradição dos presépios.
É contado que durante uma dessas meditações Francisco viu a figura de um homem pregado a uma cruz, e à medida que continuava na contemplação, que lhe dava imensa felicidade mas era sombreada de tristeza, sentiu se abrirem em seu corpo as feridas que o tornaram uma imitação do próprio Cristo crucificado. E assim falado que foi o primeiro cristão a ser estigmatizado.
No 3 de outubro de 1226 faleceu e menos de dois anos depois, o papa Gregório IX foi pessoalmente para Assis para canonizá-lo. Ele foi reconhecido por seu apreço à natureza e é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente.
A fama de sua santidade e de seus milagres continue até os dias de hoje. O seu exemplo de uma vida de completa dedicação ao próximo, uma sinceridade espontânea, uma simplicidade autêntica em todas as coisas, de uma calorosa fraternidade, simpatia e caridade. Na visão de seus contemporâneos ele era o mais perfeito seguidor de Jesus Cristo, e sua presença em qualquer cidade era sempre um acontecimento.
4) Quais foram os princípios da vida de Fransisco? O que ele queria passar para o mundo?
5) Uma vida de pobreaza ajudaria uma pessoa a estar mais perto de Deus.
6) O que é pobreza interior?

Oração de Francisco de Assis
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.