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domingo, 13 de novembro de 2011

MADRE TERESA DE CALCUTÁ (Biografia VIII)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 35)

“Não sou nada; sou apenas um instrumento, um pequeno lápis nas mãos do Senhor, com o qual Ele escreve aquilo que deseja. Por mais imperfeitos que sejamos, Ele escreve magnificamente.” 

TEXTO BASE: Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37)

VIDA
Agnes Gonxha Bojaxhiu, a futura madre Teresa, nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, Macedônia, de una família de origem albanesa. O pai, respeitado homem de negócios, morreu quando ela tinha oitos anos, deixando a mãe de Agnes na condição de ter que abrir uma atividade de bordado e fazenda para poder manter a família. Depois de ter transcorrido a adolescência empenhada fervorosamente nas atividades paroquiais, Agnes deixou a sua casa em setembro de 1928, entrando no convento de Loreto a Rathfarnam, (Dublin), Irlanda, onde foi acolhida como postulante no dia 12 de outubro e recebeu o nome de Teresa, como a sua padroeira, Santa Teresa de Lisieux. 

Agnes foi enviada pela congregação de Loreto para a Índia e chegou em Calcutá no dia 6 de janeiro de 1929. Tendo apenas chegado lá, entrou no noviciado de Loreto, em Darjeerling. Fez a profissão perpétua como irmã de Loreto no dia 24 de maio de 1937, e daquele dia em diante foi chamada Madre Teresa. Quando viveu em Calcutá durante os anos 1930-40, ensinou na escola secundária bengalês, Sta Mary. 

No dia 10 de setembro de 1946, no trem que a conduzia de Calcutá para Darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “a chamada na chamada”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade, Irmãs, Irmãos, Padres e Colaboradores. O conteúdo desta inspiração é revelado no objetivo e na missão que ela teria dado ao seu novo Instituto: “Saciar a infinita sede de Jesus sobre a cruz de amor e pelas almas, trabalhando para a salvação e para a santificação dos mais pobres entre os pobres”. No dia 7 de outubro de 1950, a nova congregação das Missionárias da Caridade foi instituída oficialmente como instituto religioso pela Arquidiocese de Calcutá. 

Ao longo dos anos 50 e no inicio dos anos 60, Madre Teresa estendeu a ação das Missionárias da Caridade para toda a Índia. No dia 1 de fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontifício. A primeira casa de missão aberta fora de Calcutá foi a Cocorote na Venezuela em 1965. A congregação se expandiu em toda a Europa (na periferia de Roma, a Torre Fiscale) e na África (em Tabora capital da Tanzânia) em 1968. 

Do final dos anos 60 até 1980, as Missionárias da Caridade cresceram em número de casas de missão abertas em todo o mundo, e também em número dos seus membros. Madre Teresa abriu fundações na Austrália, no Vizinho Oriente, na América do Norte, e o primeiro noviciado fora de Calcutá em Londres. Em 1979 Madre Teresa recebeu o Premio Nobel pela Paz. No mesmo ano já existiam 158 casas de missão. 

As Missionárias da Caridade chegaram aos países comunistas em 1979, abrindo uma fundação em Zagabria, na Croácia, e em 1980 em Berlim. Continuaram a estender a sua missão nos anos 80 e 90 abrindo casas em quase todos os países comunistas, incluindo 15 fundações na ex-União Soviética. Não obstante os repetidos esforços, Madre Teresa não pode abrir nenhuma fundação na China. 
Em outubro de 1985 Madre Teresa falou no quadragésimo aniversário da Assembléia Geral das Nações Unidas. Na vigília de Natal do mesmo ano, abriu em Nova York o “Dom de Amor”, a primeira casa para os doentes de AIDS. 

No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre Teresa continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades. Foram fundadas novas comunidades na África do Sul, Albânia, Cuba e Iraque, que estava dilacerado por causa da guerra. Em 1997 as irmãs eram cerca de 4000, presentes em 123 países do mundo nas mais ou menos 600 fundações.  

Depois de ter viajado por todo o verão a Roma, New York e Washington, em condições de saúde delicadas, Madre Teresa voltou a Calcutá em 1997. Às 9h30 da noite do dia 05 de setembro de 1997, ela morreu na Casa Geral. O seu corpo foi transferido para a Igreja de São Tomas, adjacente ao Convento de Loreto, exatamente onde tinha chegado 69 anos antes. Centenas de milhões de pessoas de todas as classes sociais e de diferentes religiões da Índia e do exterior lhe renderam homenagem. No dia 13 de setembro recebeu o funeral de Estado e o seu corpo foi conduzido em um longo cortejo através as estradas de Calcutá, sobre uma carreta de canhão que tinha trazido também os corpos de Mohandas Gandhi Jawaharlal Nehru. Chefes de Nações, primeiros Ministros, Rainhas e enviados especiais chegaram para representar os países de todo o mundo. 


Relembre a história de vida da Madre Teresa de Calcutá - Parte 1 


Relembre a história de vida da Madre Teresa de Calcutá - Parte 2 

MISSIONÁRIAS DA CARIDADE 
Em meados de 1950, Madre Teresa foi autorizada pelo Papa Pio XII a iniciar uma ordem religiosa, que deveria, segundo o Vaticano, se chamar Congregação Diocesana de Calcutá. A principal missão da ordem seria de cuidar dos "pobres, necessitados, doentes e excluídos do meio social". A ordem foi finalmente fundada em Calcutá, cidade que acolheu Madre Teresa em sua vida religiosa, com apenas 12 membros. Com o apoio do governo indiano, Madre Teresa reformou um templo hindu e o transformou num abrigo para desabrigados e doentes. Madre Teresa também abriu um centro de tratamento de leprosos em Titagarh. 

Em 1965, o Papa Paulo VI autorizou Madre Teresa a expandir o projeto em outros países. A congregação experimentou, então, rápido crescimento e Madre Teresa pôde abrir várias comunidades em todo o mundo. O primeiro país a receber as Missionárias foi a Venezuela, sendo seguida pela Itália e Tanzânia. A primeira filial na América do Norte foi aberta no Bronx, na cidade de Nova Iorque. 

Hoje a ordem conta com A ordem tem cerca de 4500 membros em 133 países do globo. 

PENSAMENTOS 
  • É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado. 
  • O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá. 
  • Mais nos aproximamos de Deus e mais percebemos a gravidade dos nossos defeitos. 
  • Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor. 
  • O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso. 
  • Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda. 
  • Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor. 
  • As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável. 
  • Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las. 
  • Não é o que você faz, mas quanto amor você dedica no que faz o que realmente importa. 
  • A falta de amor é a maior de todas as pobrezas. 
  • A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração. 
  • O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o. 
  • É uma grande virtude considerar todos melhores que nós. 
  • A oração torna nossos corações transparentes e só um coração transparente pode escutar a Deus ! 
  • Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiracão, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação. 
  • Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. 
  • Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos! Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz 
  • Se aceitarmos que uma mãe mate seu filho dentro do próprio ventre, como poderemos impedir que as pessoas matem umas as outras? 

ASSIM MESMO 
Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil, assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.

O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem Paz e é Feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja Feliz assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja que, no final das contas, é entre você e DEUS.
Nunca foi entre você e as outras pessoas.

ORAÇÃO
Mantenha seus olhos puros para que Jesus possa olhar através deles.
Mantenha sua língua pura para que Jesus possa falar por sua boca.

Mantenha suas mãos puras para que Jesus possa trabalhar com suas mãos.
Mantenha sua mente pura para que Jesus possa pensar seus pensamentos em sua mente.

Mantenha seu coração puro para que Jesus possa amar com seu coração.
Peça a Jesus para viver sua própria vida em você porque:

Ele é a Verdade da humildade.
Ele é a Luz da caridade.
Ele é a Vida da santidade. 

APLICAÇÃO
Madre Teresa foi uma missionária entre os pobres, alguém que conseguiu encarnar o bom samaritano da parábola contada por Jesus (Lucas 10). Ela conseguiu amar o próximo e contagiar outros para obedecerem à lei régia (a lei do Reino) – amar o próximo como a si mesmo (Tiago 2:8), quem conseguiu olhar para o próximo que sofria e enxergar dignidade, valor, a imagem do próprio Deus refletida no homem por maior que seja a sua miséria e assim responder com misericórdia (Mateus 25:31-46).

A vida de Teresa de Calcutá é uma inspiração e exemplo de que é possível viver bem e amar o próximo em nossa geração. 

Filme completo sobre a vida de Madre Teresa



MATERIAL UTILIZADO 

domingo, 14 de agosto de 2011

Anabatismo e Reforma Católica (História da Igreja VII)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 25)

TEXTO BASE: Gálatas 1:1-9

INTRODUÇÃO
A Reforma Protestante, nome que os historiadores usaram para descrever os movimentos que buscavam corrigir a Igreja do século XVI, caracteriza-se por sua complexidade, pois não houve uma tentativa homogênea de reforma, mas ocorreram diversas ‘reformas’. Assim, geralmente, tais reformas são classificadas como: (1) luteranismo; (2) a igreja reformada, também designada como calvinista, (3) a reforma radical (anabatista) e (4) a reforma católica. Os programas para a reforma da igreja diferem em relação à tradição da Igreja antiga, e dentre elas a posição anabatista é a mais extrema, justificando o seu espírito radical.

NEM CATÓLICO NEM PROTESTANTE
Por José Cristiano de Oliveira Sampaio

Os principais reformadores rejeitavam, de modo geral, as tendências anabatistas, pois viam, com razão, certos perigos advindos da negação de doutrinas cristãs fundamentais. Todavia, não podemos deixar de reconhecer que a Reforma Radical também foi um movimento de renovação espiritual e eclesiástica que, além de negar a validade do batismo infantil, tema ainda discutível, também divergia em vários pontos. Essa é uma das razões porque os radicais permaneceram à margem das igrejas protestantes territoriais. O seu principal direcionamento era uma exacerbação do Sola Scriptura. Como afirma Timothy George (1994), eles desejavam não apenas reformar a Igreja, mas restaurá-la à sua pureza anterior, apostólica; isso, às custas até mesmo das ordenanças do Senhor (batismo e ceia), como advogava Kasper Schwenckfeld, acreditando que esses sacramentos seriam irrelevantes, haja vista que são atos aparentes e não o testemunho do Espírito. Outros questionavam a trindade e os dogmas cristológicos da Igreja Patrística.

Do ramo anabatista, Menno Simons (daí o termo menonitas) foi o líder mais importante, pois era talvez o mais equilibrado naquele grupo. Menno nasceu em 1496, no que é hoje a Holanda, e foi ordenado padre aos 28 anos de idade. Era um pároco fanfarrão. Gastava muito tempo bebendo e jogando cartas. Dizia não ter lido a bíblia até dois anos após a sua ordenação, mas, como os outros reformadores, teve um encontro com a Palavra de Deus e isso, é óbvio, mudou o curso da sua vida. A partir de 1525, enquanto se organizavam as primeiras congregações anabatistas em sua pátria, desatou a questionar o dogma da transubstanciação. Ele relatou que sempre que tomava o pão e o vinho na missa, eles não eram a carne e o sangue do Senhor e pensava que o demônio estava sugerindo isso. Tal idéia o afligiu muito e foi motivo incessante de confissões e penitências. Não se pode afirmar o que fez Menno questionar a missa, porém se sabe que ele havia lido panfletos de Lutero de 1520, nos quais o reformador alemão descrevia a transubstanciação como nada mais que uma invenção humana sem nenhuma base nas Escrituras. No entanto, Menno, dissimuladamente, celebrava as missas, mesmo não lhes atribuindo o valor de sacrifício.

A ruptura definitiva de Menno com Roma demoraria alguns anos. Logo, não mais reconhecia o valor do batismo infantil, mas continuava padre. Um evento, todavia, foi crucial para a tomada de rumo que ele faria. O seu irmão, Pedro Simons, e outros trezentos anabatistas foram brutalmente mortos pelas autoridades locais, após resistirem por uma semana entrincheirados num castelo, em 1535. A partir dessa época, Menno começou a pregar abertamente contra os dogmas católicos que considerava equivocados e, durante quase um ano, tentou fazer reformas na igreja de Witmarsum. Na mesma época, pregava contra o uso da violência praticado mesmo por anabatistas, a ‘filosofia da espada’.

Para todos os radicais, o verdadeiro cristianismo constituía-se em uma experiência pessoal e individual. Nesse sentido, o novo nascimento era um pré-requisito para o batismo. Menno ensinava também que a fé era a resposta do homem a Deus e o que a caracterizaria era o verdadeiro arrependimento e não aquelas práticas externas como jejuns, peregrinações, abundantes ave-marias e pais-nossos. Ele cria que a salvação é pela graça, mas discordava dos outros reformadores quanto à predestinação e à escravidão da vontade nos termos agostinianos defendidos por Lutero e Zuínglio (não conhecia Calvino), pois, entendia que a teologia daqueles reformadores era muito fatalista.
Menno Simons cria que a Igreja de Cristo caracterizava-se por sofrer perseguição, mas não perseguir. Ninguém pode ser compelido a aceitar o Evangelho. Com efeito, o próprio Menno foi duramente perseguido durante toda a sua vida e viu dois de seus filhos e sua mulher morrerem; ele morreu de causas naturais. “Se o cabeça teve de sofrer tal tortura, angústia, miséria e sofrimento, como poderiam os seus servos, filhos e membros esperar paz e liberdade quanto à sua carne?” Essa era a convicção do reformador frente às dificuldades no mundo. De fato, o seu contexto de vida não lhe permitiu escrever extensamente uma obra sistemática sobre a fé cristã, mas o seu principal livro marca o legado desse grande homem: ‘O Fundamento da fé Cristã’ que defendia com seu verso bíblico preferido: “ninguém pode lançar outro fundamento além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.11).

Os anabatistas são os ancestrais espirituais das igrejas Batistas e Menonitas. A grande contribuição do anabatismo para a igreja evangélica foi a ênfase na conversão através do arrependimento, através de uma experiência pessoal e necessariamente genuína.

REFORMA CATÓLICA

Devido à expansão da Reforma Protestante, com constante perda de fiéis e territórios, somada a crescente insatisfação do clero e dos imperadores católicos, uma resposta era necessária ser dada ao movimento protestante.

O auge da reforma católica se deu com os papas reformistas. O primeiro deles foi Adriano VI, sucedeu-lhe Clemente VII com um governo de nove anos. Os papas Paulo III, Paulo IV, Pio V e Sixto V cobriram um período que vai de 1534 a 1590, e foram os mais zelosos reformistas que presidiram a Santa Sé desde Gregório VII.

As finanças da Igreja foram reorganizadas e os cargos foram ocupados por padres e religiosos de reconhecida fama de disciplina e foram rigorosos com os clérigos que persistiam no vício e no ócio. A ação dos papas reformistas foi completada com a convocação do Concílio ecumênico que se reuniu na cidade de Trento. Os desdobramentos do Concílio foram:

• No campo doutrinal o Concílio reafirmou, sem exceção, os dogmas atacados pela Reforma Protestante, tratando entre outros temas sobre a questão da "justificação" e, contra as teologias luterana e calvinista, ensinou e declarou que "a graça divina e a cooperação livre e meritória da vontade humana operam em conjunto a justificação do homem.", definiu-se ser verdade também a doutrina dos sete sacramentos (batismo, crisma, confissão, eucaristia, ordem sacerdotal, matrimônio e unção dos enfermos).
• O Concílio confirmou, como elementos essenciais da religião católica, como verdades absolutas (dogmas) a transubstanciação, a sucessão apostólica, a crença no purgatório, a comunhão dos santos e reafirmou-se o primado e autoridade do Papa como sucessor de São Pedro.
• No campo disciplinar procurou-se com empenho a por fim nos abusos existentes no clero, e melhorou-se substancialmente a sua formação intelectual e cultural. Um episcopado plenamente dedicado ao serviço das almas, um clero bem formado e de elevada moralidade, foram metas da legislação do concílio.
• A formação do clero se faria nos seminários - tanto cultural como espiritual e obrigou-se aos párocos a ensinar a catequese às crianças e a dar doutrina e instrução religiosa aos fiéis. Os habitantes de terras descobertas foram catequizados através da ação dos jesuítas.
• Retomou-se o Tribunal do Santo Ofício e Inquisição: para punir e condenar os acusados de heresias e todos os outros que não aceitassem a autoridade da igreja romana.

O período que se seguiu ao Concílio de Trento foi marcado por uma grande renovação da vida católica. A reforma fundada nos decretos e nas constituições tridentinas foi levada a efeito pelos papas que se sucederam. Foi criado o "Index Librorium Proibitorium" (Índice de Livros Proibidos) para evitar a propagação de idéias contrárias à fé da Igreja Católica. Todos estes livros proibidos eram queimados, a Igreja Católica proibiu-os de serem lidos. Publicou-se uma Catecismo Romano.

Também são frutos e conseqüência da Reforma Católica levada a efeito pelo Concílio a renovação da arte sacra cristã, com o surgimento do Barroco que é o estilo artístico da Reforma Católica. Portugal e Espanha levaram a fé católica para além-mar. Hoje os católicos da América Latina e das Filipinas constituem a grande reserva demográfica da Igreja e do Cristianismo.

Extraído da Wikipédia 

APLICAÇÃO
Por José Cristiano de Oliveira Sampaio

É interessante mergulhar na história dos desdobramentos da Reforma Protestante porque nos propicia fazer o currículo do movimento evangélico de hoje, com todos os seus frutos, tanto bons quanto lastimáveis. É relevante estudar hoje a Reforma Protestante, pois, a despeito dos fatores sociais, políticos, econômicos e culturais que a engendraram, aquele movimento na Igreja do século XVI foi um mover do Espírito de Deus, o que precisamente dá à Reforma um significado permanente para a Igreja de Jesus. A pergunta a fazer é: como a teologia dos reformadores pode ajudar a Igreja moderna? A Igreja do XVI vivia uma crise espiritual aguda e, com as devidas proporções, ainda é muito semelhante ao que ocorre atualmente no incongruente movimento evangélico no Brasil e no exterior.

A solução encontrada pelos reformadores foi um retorno à Palavra de Deus, Sola Scriptura. Lá encontraram respostas para as suas mais profundas questões. Ao enfatizar o Sola Gratia estavam declarando a impossibilidade de autojustificação humana diante de Deus. As obras autônomas são ineficazes, Sola Fide é o mecanismo com que Deus nos agracia para nos salvar, porque o pecado corrompeu a liberdade de escolha do homem e Aquele que nos quer salvar nos elege em sua infinita soberania; assim, a vida não é vista de forma fatalista, mas como totalmente dependente d’Ele. Solus Christus destaca o senhorio de Cristo sobre a nossa salvação e sobre o todo do universo, pois tudo foi criado por Ele e para Ele, sendo Jesus o único mediador entre Deus e os homens. Diante da inefável grandeza de Deus que nos ama, somente podemos reconhecer que só a Ele é devida a glória. Dado que um neopelagianismo e o orgulho religioso nos cercam no meio evangélico, a mensagem dos reformadores ainda é muito pertinente, Soli Deo Gloria.

MEMORIZAR VERSÍCULO
Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Gálatas 1:8.
QUESTÕES
Quais as divergências dos reformadores com os anabatistas?
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Qual foi a reação da igreja Católica frente aos desdobramentos da Reforma Protestante?
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Como esses movimentos de “correção” reformaram a Igreja?
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Como a teologia dos reformadores pode ajudar a Igreja moderna?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• Textos de José Cristiano de Oliveira Sampaio escritos especialmente para a comemoração da Reforma Protestante no ano de 2010. Publicados originalmente no boletim da Igreja Esperança/BH.

• Movimento Reformado, por Alderi de Souza Matos. Universidade Mackenzie 
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.
• Wikipédia - Contra-Reforma Católica <http://pt.wikipedia.org/wiki/Contrarreforma>

domingo, 19 de junho de 2011

Decadência e tentativas de renovação na Igreja Ocidental (História da Igreja V)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 17)


TEXTO BASE: Jeremias 29:11-14a

INTRODUÇÃO
Os dois séculos que antecederam a Reforma Protestante foram marcados por um período de declínio do poder papal e uma constante insatisfação com a moralidade dos clérigos, somado a isso o crescente distanciamento das Escrituras. Nesta aula veremos os eventos antecederam as profundas reformas religiosas no Cristianismo do século XVI, um verdadeiro renovo na fé da Igreja Ocidental.

TENTATIVAS DE REFORMA INTERNA
Durante os anos de 1305 e 1517 d.C., vários movimentos surgiram na tentativa de reformar a Igreja Ocidental. Destaca-se a volta do misticismo, os pré-reformadores e os concílios realizados na expectativa de uma renovação moral dentro da Igreja Romana.

Os místicos
A volta do misticismo em momentos que a Igreja descamba para o formalismo testemunha o desejo do coração humano de entrar em contato direto com Deus no ato do culto, em vez de participar passivamente de atos de culto friamente formal celebrados pelo sacerdote. O místico deseja um contato direto com Deus pela intuição imediata ou pela contemplação.

O escolasticismo contribuiu para o surgimento do misticismo porque ressaltava a razão em detrimento da natureza emocional do homem, sendo uma reação contra essa tendência racionalista. O movimento buscava o desenvolvimento de uma espiritualidade pessoal, menos litúrgica, uma adoração comunitária participativa e que incluísse os leigos.

Os perigos da substituição da Bíblia pela autoridade interior subjetiva e da minimização da doutrina foram alguns dos desvios desses movimentos.

Os precursores da reforma
Os místicos tentaram tornar pessoal a religião, mas os reformadores bíblicos e nacionalistas, como Wycliffe, Huss e Savonarola, empenharam-se mais numa tentativa de retorno ao ideal de Igreja representado no Novo Testamento.

João Wycliffe (1328-1384) estudou e ensinou em Oxford a maior parte de sua vida. Até 1378, queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de suas propriedades que, segundo ele, era a fonte da corrupção. A partir de 1979, ele começou a opor-se aos dogmas da Igreja Romana com idéias revolucionárias – atacou a autoridade do papa (era Cristo e não o papa o chefe da Igreja), afirmou que a Bíblia e não a Igreja era a autoridade única para o crente, e que a Igreja Romana deveria se amoldar ao padrão da Igreja do Novo Testamento. Para apoiar essas idéias, Wycliffe tornou a Bíblia acessível ao povo em sua própria língua (em 1382 ele terminou a primeira tradução completa do Novo Testamento para o inglês, e Nicolau de Hereford terminou a tradução do Antigo Testamento em 1384), o que possibilitou os ingleses lerem a Bíblia toda em sua própria língua.

Outra medida de Wycliffe foi contestar o dogma da transubstanciação. Ele defendia que Cristo estava espiritualmente presente na eucaristia e isto era percebido pela fé. Se adotada, a idéia de Wycliffe significaria que o sacerdote não mais reteria a salvação de alguém por ter em suas mãos o corpo e o sangue de Cristo na Santa Ceia.

As idéias de Wycliffe foram condenadas em 1382 e em 1401 todos os pregadores adeptos as idéias de Wycliffe (os lolardos) receberiam a pena de morte como castigo quando perseverassem nesses ensinos contrários a Igreja Romana.

 
João Huss (1373-1415), originário da Boêmia, foi pastor da Capela de Belém de 1402 a 1414, e adepto das idéias de Wycliffe. Suas pregações e ensinos reformistas coincidiram com o sentimento nacionalista boêmio contra o controle da Boêmia pelo Sacro Império Romano. Convocado para comparecer no Concílio de Constança, as idéias de Huss foram condenadas, e como ele se recusou a se retratar, foi queimado na fogueira por ordem do Concílio em 6 de julho de 1415.

Os concílios reformadores
Os líderes dos concílios do século XV procuraram fazer a reforma pela criação de uma liderança eclesiástica que representasse os leigos, numa tentativa de eliminar os líderes eclesiásticos corruptos. Os concílios não acentuaram o valor da Bíblia como defendiam Huss e Wycliffe, pelo contrário, suas idéias foram condenadas e João Huss condenado à morte.

Frente aos insucessos dos 3 concílios (Pisa – 1409, Constança – 1414-1418 e Florença-1449) em reformar a Igreja Romana, a reforma protestante tornara-se inevitável.

PRESSÕES EXTERNAS
Apesar de ser um movimento religioso mais do que qualquer outra coisa, o seu contexto a marcou profundamente.

Renascença
A Renascença, que teve lugar em importantes países da Europa entre 1350 e 1650, marca a transição da era medieval para o mundo moderno. Esse período pode ser definido como aquele de reorientação cultural em que os homens trocaram a compreensão corporativa, religiosa e medieval da vida por uma visão individualista, secular e moderna. A concepção teocêntrica medieval do mundo, em que Deus era a medida de todas as coisas, foi substituída por uma interpretação antropocêntrica da vida, em que o homem se tornara a medida de todas as coisas. As classes médias se tornaram mais importantes do que a velha sociedade agrária rural do período feudal. O comércio passou a ter mais importância do que a agricultura como meio de subsistência. Adotou-se uma forma humanista, otimista e experimental de ver as coisas desta vida.

Surgimento das nações estado e da classe média
Novas cidades e a crescente influência dos comerciantes (burguesia) e o desassossego dos camponeses prenunciavam o fim do feudalismo. Contribuiu para esse processo também o nacionalismo, com o enfraquecimento da nobreza e a centralização da autoridade nas mãos dos reis. Assim, nasceram fortes estados nacionais (como por exemplo, Inglaterra, França e Espanha) que resistiam às pretensões absolutistas do Papa.

Invenção da imprensa
A invenção do tipo mecânico móvel para impressão, por João Gutenberg (1398-1468), começou a revolução da imprensa e é amplamente considerado o evento mais importante do período moderno. Teve um papel fundamental no desenvolvimento da renascença, reforma e na revolução científica e lançou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e a disseminação da aprendizagem em massa.





APLICAÇÃO
Jeremias se destacou entre os profetas hebreus por causa da dimensão em que revelou seus sentimentos pessoais, um coração turbulento e angustiado devido a dureza de coração da sua geração.

O livro de Jeremias se destaca pelo choro de um profeta que percebe uma nação obstinada pelo mal e distante de Deus, que não se arrepende e não ouve a sua pregação. Diante a iminente e certa destruição de Judá, o profeta se apega as promessas de restauração do Senhor, a Sua fidelidade e lembra que Deus é o Senhor da história.

Jeremias nos lembra desse ministério profético que nós cristãos temos, o ministério de denunciar o mal e não se conformar a ele, ainda que muitos tenham se contaminado e até mesmo a igreja tenha o seu discurso comprometido pela corrupção. Somos convocados para seguir a Cristo e servi-Lo, independentemente das circunstâncias que nos cercam. Da mesma forma, a vida de João Wycliffe e João Huss nos traz a memória essa firmeza e compromisso com a Palavra de Deus, ainda que tenham vivido dias difíceis.

QUESTÕES
Quais os problemas que a Igreja Romana enfrentava?
___________________________________________________________________
Como os místicos queriam reformar a Igreja?
___________________________________________________________________
Qual o perigo de uma reforma sem as Escrituras?
___________________________________________________________________
Por que você acha que Wycliffe e Huss estavam tão seguros das suas idéias?
___________________________________________________________________
Como a Igreja deve enfrentar as mudanças que acontecem no mundo?
___________________________________________________________________

MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 22 de maio de 2011

Igreja no apogeu da Idade Média (História da Igreja IV)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 13)

TEXTO BASE: II Tm 3:14-17

INTRODUÇÃO
Nos séculos XII e XIII, o cristianismo na Europa ocidental foi marcado por um zelo religioso que se manifestou em termos de participação em movimentos de cruzadas e reformas. Sobre a bandeira da Igreja Romana muitos cristãos batalhavam por motivos religiosos contra mulçumanos e hereges, enquanto movimentos de reformas eram ensaiados através das ordens monásticas e dos cristãos leigos (que não faziam parte do clero). Embora fosse um período de ardor espiritual, poucos sabiam o que estavam fazendo, uma vez que as Escrituras estavam distantes dos cristãos, ao passo que o poder por trás do trono papal não parava de aumentar.

SUPREMACIA PAPAL
No período de 1054 a 1305 d.C. três papas se destacaram num período que o papado se impôs como autoridade suprema para governar o mundo inteiro e a Igreja.

• Gregório VII (1023-1085) o primeiro a reivindicar o direito de supremacia papal sobre toda forma de autoridade, inclusive sobre imperadores e reis.
  • Defendia que a eleição dos papas deveria ser feita pelo clero.
  • Ele via o papa como vice-regente de Deus e não queria o poder civil dominando a Igreja, ao contrário, acreditava que a Igreja deveria controlar o poder civil.
  • Promoveu a obrigatoriedade do celibato clerical para criar uma classe de homens leais ao seu supervisor espiritual, o papa.
 • Inocêncio III (1160-1216), quem elevou o papado medieval ao apogeu de seu poder, tendo enfrentado e humilhado os soberanos das nações emergentes (França e Inglaterra) e do Sacro Império Romano que haviam desafiado sua autoridade.
  • Promulgou a doutrina da transubstanciação. O ensino de que a substância do pão e a do vinho se transformava no corpo e no sangue real de Cristo após as palavras de consagração dos sacerdotes. Desse modo, o sacerdote celebrava um sacrifício sempre que dirigia uma missa.
  • Achava que a autoridade os reis e príncipes derivavam dele, podendo ele mesmo excomungá-los, depô-los ou colocar até mesmo o Estado sob interdito, que proibia ao clero de celebrar todas as cerimônias essenciais da Igreja. O papa estava acima do homem e abaixo de Deus.
• Bonifácio VIII (1235-1303), o último a gozar do exercício da supremacia papal, tendo sido humilhado por parte do poder temporal (rei da França).
  • Promulgou a bula papal conhecida como Unam Sanctum. Nela dizia que não se pode encontrar “salvação nem remissão de pecados” fora da Igreja Romana, que o papa como chefe da Igreja Romana tinha autoridade espiritual e temporal sobre todos e que a submissão papal era “necessária para a salvação”.
 AS CRUZADAS
Durante os anos de 1095-1291 d.C. os cristãos da Europa Ocidental realizaram diversas cruzadas contra os mulçumanos na Palestina. Deve-se ter em mente que apesar dos cruzados terem interesses econômicos ou políticos, o motivo primeiro das Cruzadas era religioso.

A causa direta da Primeira Cruzada foi a pregação de uma Cruzada contra os mulçumanos feita pelo papa Urbano II em 1095. Ele propôs a Cruzada como resposta ao pedido de ajuda feito por Aleixo (Imperador de Constantinopla) um ano antes, com a idéia de libertar os lugares sagrados dos mulçumanos e ajudar o Império do Oriente. A multidão reunida, composta principalmente por franceses, respondeu com um entusiástico “Deus o quer” à proposta de Urbano.

Foi tão grande o entusiasmo que massas de camponeses começaram a marchar através da Germânica, Hungria e os Bálcãs em direção à Palestina. Porém sem organização e sem disciplinam essa desorganizada cruzada popular foi massacrada pelos turcos ou feitos prisioneiros e vendidos como escravos.

Já a Primeira Cruzada organizada, dirigida pelos nobres da França, Bélgica e Itália movimentaram perto de 1 milhão de pessoas que participaram de atividades ligadas a Primeira Cruzada. Num período de 3 anos (1096-1099) eles conquistaram Nicéia, Antioquia e Jerusalém, tendo a criação de estados feudais como resultado principal.



Ao todo foram 8 Cruzadas num período de 200 anos. A Cruzada das Crianças de 1212 foi o episódio mais triste. Ela ocorreu entre a Terceira e a Quarta Cruzada e foi um movimento extra-oficial, baseado na crença que apenas as almas puras (no caso as crianças) poderiam libertar Jerusalém. 50 mil crianças foram colocadas em navios, saindo do porto de Marselha (França) rumo a Jerusalém. O resultado foi um desastre, pois a maioria das crianças morreu no caminho, de fome ou de frio. As que sobreviveram foram vendidas como escravas pelos turcos no Norte da África. Algumas chegaram somente até a Itália, outras se dispersaram, e houve aquelas que foram seqüestradas e escravizadas pelos muçulmanos.

As Cruzadas deixaram importantes conseqüências políticas e sociais na Europa ocidental. Vejamos algumas:
  • O feudalismo se enfraqueceu porque muitos cavaleiros e nobres que saíram como cruzados jamais voltaram e também, porque muitos venderam as suas terras para financiar as campanhas. Com isso os reis puderam aumentar o seu controle, favorecendo uma nação-estado fortemente concentrada em um monarca a fim de criar condições de segurança e ordem tão necessárias aos negócios da classe média.
  • O papado aumentou seu prestígio durante as Cruzadas, embora as campanhas tenham levado ao surgimento de um sentimento nacional que, a certa altura, enfraquecera o poder papal nas nações-estados.
  • A persuasão substitui a força como técnica de negociação com os mulçumanos. E alguns movimentos missionários para o mundo árabe surgiram, como a escola de missões criada por Raimundo Lullo em Miramir (Espanha, 1276).
  • As cidades italianas, lideradas por Veneza, começaram a comercializar com o Oriente produtos de luxo, como tecidos, temperos e perfumes.
  • A filosofia, a ciência e a literatura árabe chegaram à Europa ocidental e foram estudadas pelos escolásticos, que tentaram fazer uma síntese entre esse saber e a revelação cristã.

Sugestões:

1.Para conhecer cada uma das Cruzadas visite Wickipédia

2.O filme Cruzadas, com Orlando Bloom conta a história entre a Segunda e a Terceira Cruzada, uma ótima forma de visualizar a História (apesar do romance distorcido).



MONASTICISMO
Muitas novas organizações surgiram no século XII como expressão do mesmo ardor religioso manifesto nas Cruzadas e na grande onda de construção de catedrais.

As Ordens Dominicana e Franciscana surgiram como respostas ao problema de trazer os mulçumanos e os hereges a fé pela persuasão, através da educação ou do esforço missionário. O zelo espiritual das Cruzadas provocou a fundação de ordens militares leigas. Todas essas ordens submetiam-se voluntariamente ao papa, sendo que o voto de obediência incluía a obediência ao papa e ao abade ou chefe da ordem. O movimento também satisfez o desejo medieval por uma vida ascética (renuncia do prazer em busca da espiritualidade) e permitiu aos interessados uma oportunidade de se engajarem em estudos de erudição.
  • Ordem cisterciense – foi fundada por um monge beneditino de nome Roberto, em Citeax (França, 1908). Os monges cistercienses davam grande ênfase na autonegação ascética, na simplicidade arquitetônica de suas construções e na organização centralizada. Eles davam mais atenção a agricultura do que as ocupações escolásticas.
  •  Ordens militares – um tipo de monasticismo que combinava a arte da guerra com a vida monástica. A ordem dos Cavaleiros Hospitalários (ou de São João) foi fundada no começo do século XII para defender os peregrinos e cuidar dos doentes. No início de sua história era equivalente a Cruz Vermelha de hoje, porém mais tarde a ordem tornou-se uma organização estritamente militar para defender dos pagãos a Terra Santa (Palestina). Os Cavaleiros Templários foram organizados em 1118, e adotaram a regra cisterciense de vida monástica, dedicados a defender a Terra Santa dos cruéis assaltos dos mulçumanos.
  •  Os frades – o nome frade vem do latim frater e significa irmão. Eles prestavam votos de pobreza, castidade e obediência; entretanto, em vez de viverem em comunidades monásticas para trabalho e oração separadas do mundo, eles viviam entre o povo das cidades para servi-lo e para pregar ao povo na sua língua (as missas eram realizadas em latim). Os mosteiros tinham propriedades e se auto-sustentavam pelo trabalho, já os frades se mantinham graças às doações e esmolas recebidas do povo. Destacam-se os frades franciscanos (Ordem fundada por Francisco de Assis, 1182-1226) e os dominicanos (Ordem fundada por Domingos, 1170-1221). Enquanto os franciscanos foram grandes missionários, convertendo os homens pelo exemplo e pelo apoio emocional, os dominicanos foram grandes eruditos que tentaram converter os homens da heresia através da persuasão intelectual. O apelo dos dominicanos era à cabeça do homem, enquanto o dos franciscanos era ao coração.
PENSADORES CRISTÃOS - ESCOLASTICISMO
A Igreja pode praticar a separação da cultura, ou pode praticar a síntese. Os escolásticos optaram pela síntese. Começando nas escolas de catedrais e de mosteiros, o movimento se expandiu com o surgimento das universidades européias no século XIII. O termo “escolasticismo” e “escolástico” vêm da palavra grega schole, que significa o lugar onde se aprende.

O escolasticismo pode ser definido como a tentativa de racionalizar a teologia para que se sustente a fé com a razão. Eles reconciliavam a filosofia, conquistada por processos racionais, com a teologia especial revelada da Bíblia, aceita pela fé.

Os escolásticos não estavam interessados em buscar a verdade, mas em organizar racionalmente um corpo de verdades aceitas, para que, vindo a verdade da revelação através da fé ou da filosofia através da razão, pudesse constituir um corpo harmônico. Para eles, os dados ou o conteúdo de seu estudo estavam fixados definitivamente e absolutamente.

Tomás de Aquino (1225-1274)

Tomaz de Aquino foi sem dúvida o grande nome desta época. Vindo de berço nobre, fez-se monge dominicano e dedicou-se a estudar. Sua grande obra foi Summa Theologiae, na qual procurou harmonizar as áreas da fé e da razão numa totalidade de verdade. Como ambas vêm de Deus, não pode haver contradição entre elas, dizia Tomás.

A Summa Theologiae consiste em 3000 artigos, com mais de 600 questões em três grandes seções. Ela pretendia ser uma exposição sistemática de toda a teologia. Tornou-se, então, a exposição clássica do sistema da Igreja Católica Romana.

Surgimento das universidades
Como centro de ensino e pesquisa a universidade começou por volta de 1200. Em 1400 havia mais de 75 universidades em toda Europa. Embora já existisse o ensino de nível superior, com a criação das universidades a maior parte da educação deixou de ser centralizada nas escolas monásticas e catedrais. As universidades de Oxford e Cambridge datam dessa época.

APLICAÇÃO
Por muitas vezes a igreja institucionalizada confundiu sua missão no mundo. Sempre que isso ocorreu dois fatores sempre estiveram diretamente ligados a essa confusão, o primeiro foi o distanciamento das Escrituras e o segundo foi a ambição pelo poder.

O apóstolo Paulo nos diz na sua segunda carta a Timóteo que a Escritura é inspirada por Deus, contendo em si mesma toda autoridade para nos ensinar, repreender, corrigir e nos educar na justiça. Toda vez que nos afastarmos dela e tentamos substituí-la por qualquer outra fonte de revelação estaremos correndo sérios riscos de nos distanciarmos de nossa missão, de substituir a promoção da verdade pelo engano, da justiça pela injustiça, do amor pelo ódio e a intolerância (II Tm 3:16-17). Devemos lembrar que a Igreja primitiva permanecia na doutrina dos apóstolos (Bíblia) e por isso era bem sucedida na sua missão de proclamar e promover o reino de Deus (Mt 5:13-16).

O poder é uma tentação que todos nós estamos sujeitos, é o desejo de querer dominar e subjugar o próximo aos seus caprichos e desejos. Jesus, embora sendo Deus, na sua encarnação foi tentado pelo diabo quanto ao poder (Mt 4:8-11), mas não se submeteu a sua tirania. Simão, um mago que havia se convertido, desejou o poder do Espírito Santo que estava sobre os apóstolos e inflamando seu coração de maldade sugeriu comprá-lo para dominar sobre seus conterrâneos (At 8:9-24). Paulo nos lembra que muitos homens perversos e impostores irão de mal a pior, ora enganado e ora sendo enganados, nessa corrida louca pelo domínio (II Tm 3:1-13). Jesus nos lembra que no reino de Deus não existe esta disputa de poder, o maior deve ser como o menor, quem preside deve servir e quem se exaltar será humilhado (Mt 23:11-12; Lc 22:24-27).

QUESTÕES
Quais as conseqüências do papado para o cristianismo?
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Como e por que os cristãos se envolveram com as cruzadas?
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Quais as contribuições do monasticismo ao cristianismo e ao mundo?
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Você concorda com essa frase de John Stott: crer é também pensar? E o lema da ABU: fé que pensa e razão que crê?
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Qual o lugar das Escrituras na fé cristã?
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MATERIAL UTILIZADO
  • Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
  • Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 8 de maio de 2011

Martinho Lutero, 1483-1546 d.C. (Biografia III)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 13)

Lutero em 1529 por Lucas Cranach

“Eu estou atado as Escrituras”

TEXTO BASE: Romanos 3:21-31

OS PRIMEIROS ANOS
Martinho Lutero (em alemão: Martin Luther) nasceu no dia 10 de novembro de 1483 em Eisleben, Alemanha. A posição e condição de seus pais eram originalmente humildes, e a profissão de seu pai era trabalhar nas minas; porém, é provável que por seu esforço e trabalho ajuntara uma fortuna para a sua família. Lutero foi prontamente iniciado nos estudos, e aos treze anos de idade foi enviado a uma escola de Magdeburgo, e dali a Eisenach, na Turíngia, onde permaneceu por quatro anos e recebeu o ensino superior de Latin, condição essencial para a sua entrada na universidade.

Em 1501, foi enviado à Universidade de Erfurt, onde passou pelos costumeiros cursos de lógica e filosofia. Aos vinte anos de idade, recebeu o título de licenciado, e passou logo a ensinar a filosofia de Aristóteles, ética e outros assuntos ligados à filosofia. Posteriormente, por indicação de seus pais, dedicou-se à lei civil, a fim de trabalhar como advogado; porém, foi separado desta atividade devido ao incidente relatado a seguir.

VOCAÇÃO MONÁSTICA
Ao andar certo dia pelos campos, foi lançado ao solo por um raio, e ficou tão apavorado que prometeu a Santa Ana tornar-se monge caso fosse poupado. Este fato afetou-o de tal modo que se retirou do mundo e enclausurou-se junto à ordem dos eremitas de Santo Agostinho.

Dedicou-se ali à leitura das obras de Santo Agostinho e dos escolásticos; porém, ao vasculhar a biblioteca, encontrou, acidentalmente, uma cópia da Bíblia latina que jamais havia visto antes. Esta atraiu poderosamente a sua curiosidade; leu-a ansiosamente e sentiu-se atônito ao perceber que apenas uma pequena porção das Escrituras era ensinada ao povo.

Fez a sua profissão de fé no mosteiro de Erfurt, após ter sido noviço durante um ano; e tomou ordens sacerdotais, ao celebrar a sua primeira missa em 1507. Um ano mais tarde lecionou teologia por um semestre na nova universidade de Wittenberg. Assim prosseguiu os seus estudos em Erfurt pelo período de quatro anos no mosteiro dos agostinianos, principalmente teológicos.

O PAVOR DO PECADO
Em Erfurt havia certo ancião no convento dos agostinianos, com quem Lutero, que pertencia à mesma ordem, como frade agostiniano, conversou sobre vários assuntos, especialmente a remissão dos pecados. Sobre este tema, este sábio padre foi franco com Lutero, ao dizer-lhe que o expresso mandamento de Deus é que cada homem creia particularmente que os seus pecados foram perdoados em Cristo; disse-lhe ainda que esta interpretação particular fora confirmada por São Bernardo: “Este é o testemunho que o Espírito Santo te dá em teu coração, quando diz: Os teus pecados te são perdoados. Porque este é o ensino do apóstolo, que o homem é livremente justificado pela fé”.

Estas palavras não serviram somente para fortalecer Lutero, mas também para ensinar-lhe o pleno sentido do ensino do apóstolo Paulo, que insiste tantas vezes na seguinte frase: “Somos justificados pela fé”. E, após ler as exposições de muitos sobre esta passagem, logo percebeu, tanto pelo discurso do ancião como pelo conselho que recebeu em seu espírito, o quão vãs eram as interpretações que antes havia lido nos trabalhos dos escolásticos. E assim, pouco a pouco, ao ler e comparar os ditos e os exemplos dos profetas e dos apóstolos, com uma contínua invocação a Deus, e com a excitação da fé pelo poder da oração, deu-se conta desta doutrina com a maior evidência.

DECEPICIONANTE VISITA A ROMA
Entre 1510-11, sete mosteiros de sua ordem tiveram uma divergência com o seu vigário geral. Lutero foi escolhido para ir a Roma e defender a sua causa. Lá ele viu um pouco da corrupção e luxúria da Igreja Romana e começou a compreender a necessidade de uma reforma. Passou muito tempo visitando igrejas e vendo as numerosas relíquias que estavam em Roma. Ficou chocado com a leviandade dos sacerdotes italianos, capazes de rezar várias missas enquanto ele rezava uma.

LUTERO E A BÍBLIA
Em 1511, Lutero foi transferido para Wittenberg. Durante o ano seguinte, tornou-se professor de Bíblia e recebeu o título de doutor em teologia. Lutero, então, passou a ensinar os livros da Bíblia no latin e, para fazê-lo melhor, começou a estudar as línguas originais da Bíblia (Grego e Hebraico). Aos poucos desenvolveu a idéia de que somente na Bíblia se podia encontrar a verdadeira autoridade. De 1513 a 1515, deu aulas sobre Salmos; de 1515 a 1517, sobre Romanos e depois, Gálatas e Hebreus.

A leitura do versículo 1:17 de Romanos convenceu-o de que somente pela fé em Cristo era possível alguém tornar-se justo diante de Deus. O estudo da Bíblia o levara a crer em Cristo somente para a sua salvação.

AS INDULGÊNCIAS E AS 95 TESES
Leão X, que sucedeu a Júlio II em março de 1513, teve o desígnio de reconstruir a magnífica Catedral de São Pedro em Roma, cujas obras haviam sido iniciadas por Júlio, mas que ainda precisava de muito dinheiro para ser concluída. Por esta razão, Leão X, em 1517, aprovou a concessão de indulgências gerais a toda Europa, em favor de todos os que contribuíssem com qualquer soma de dinheiro para a reedificação da catedral; e designou pessoas em diferentes países para proclamarem estas indulgências e receberem o dinheiro das mesmas. Estes estranhos procedimentos provocaram muito escândalo em Wittenberg e, de modo particular, inflamaram o zelo de Lutero. Neste caso, por ser incapaz de conter-se, estava decidido a declarar-se contrário a tais indulgências em todas as circunstâncias.


Por esta razão, na véspera do dia de todos os santos, em 31 de outubro de 1517, fixou publicamente, na igreja adjacente ao castelo naquela cidade, as noventa e cinco teses contra as indulgências, onde desafiava a qualquer que se opusesse a elas, fosse por escrito ou por debate oral.
Em pouco tempo toda a Alemanha tomou conhecimento do conteúdo dessas teses e elas espalharam-se também pelo resto da Europa. Embora tivesse sido pressionado de muitas formas - excomungado e cassado - para abandonar suas idéias e os seus escritos, Lutero manteve suas convicções. Suas idéias atingiram rapidamente o povo e essa divulgação foi facilitada pelo recém inventado sistema de impressão de textos em série.

A RESPOSTA DO PAPADO
Após 2 anos de embate entre Lutero e representantes do papa, em 15 de junho de 1520, Leão X advertiu Lutero, com a bula "Exsurge Domine", onde o ameaçava com a excomunhão, a menos que, num prazo de sessenta dias, repudiasse 41 pontos de sua doutrina, destacados pela Igreja.

Em outubro de 1520, Lutero enviou seu escrito "A Liberdade de um Cristão" ao Papa, acrescentando a frase significativa:
"Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus".

MATRIMÔNIO E FAMÍLIA
Em abril de 1523, Lutero ajudou 12 freiras a escaparem do cativeiro no Convento de Nimbschen. Entre essas freiras encontrava-se Catarina von Bora, filha de nobre família, com quem veio a se casar, em 13 de junho de 1525. Dessa união nasceram seis filhos: Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margaretha. Dos seis filhos, Margaretha foi a única que manteve a linhagem até os dias de hoje. Um descendente ilustre da família Lutero é o ex-presidente alemão Paul von Hindenburg.

O casamento de Lutero com a ex-freira cisterciense incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Foi um rompimento definitivo com a Igreja Romana.

LEGADO DE LUTERO
Lutero morreu no dia 18 de fevereiro de 1546, com sessenta e três anos de idade. A herança de Lutero permanece até hoje na Igreja Protestante, como o pai de um movimento que procurava uma reforma na Igreja através das Escrituras como fonte exclusiva de autoridade para a fé cristã, proclamando a salvação pela fé genuína e pessoal em Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e o homem.

Lutero foi o autor de uma das primeiras traduções da Bíblia para alemão, algo que não era permitido sem especial autorização eclesiástica. Com isso os alemães passaram a ter acesso as Escrituras no seu próprio idioma e um forte incentivo pela sua leitura e redescoberta dos ensinos da Palavra de Deus.

APLICAÇÃO
A vida de Lutero se assemelha muito a vida do rei Josias (2 Crônicas 34 e 35), um jovem que começou a reinar aos 8 anos e fez o que era reto perante o Senhor. Através de diversas reformas políticas e religiosas pôs fim a corrupção dos sacerdotes e da idolatria de Israel, reencontrando as Sagradas Escrituras e voltando-se para os seus ensinos. Tanto Josias quanto Lutero foram líderes de um avivamento espiritual na sua geração.

  • Qual o valor das Escrituras na reforma religiosa promovido por Josias e Lutero? Comente sobre o zelo que ambos tinham para com a Bíblia.
  • Por que Lutero valorizou tanto a Bíblia?
  • Como Lutero encontrou absolvição para os seus pecados?
  • Quais as divergências de Lutero com a Igreja Católica?
  • Qual a repercussão e as conseqüências dos ensinos e da reforma promovida e liderada por Lutero?
  • O que a vida de Lutero pode lhe inspirar no cotidiano?

MEMORIZAR VERSÍCULO
Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé". Romanos 1:16-17
FILME LUTERO
O filme Lutero conta a história de Martinho Lutero, um padre alemão que inconformado com a decadência espiritual e moral da Igreja Católica, começa a questionar a igreja, a autoridade do Papa e o poder de Roma.

Com uma ótima produção, o filme é bastante envolvente. Mostra o lado absolutamente negro que a Igreja Católica estava envolvida e os motivos que levaram Lutero a escrever as 95 teses que iniciou a Reforma Protestante.



MATERIAL UTILIZADO
• Foxe, John. História da Vida e Perseguições de Martinho Lutero. Livro dos Mártires, 2003. Editora Mundo Cristão.
• César, Elben L. Conversas com Lutero. História e Pensamento, Viçosa/MG 2006. Editora Ultimato.
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 1 de maio de 2011

Igreja no início da Idade Média (História da Igreja 3)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 12)



INTRODUÇÃO
O ano de 590 constituiu um divisor de águas entre o período antigo da história da Igreja e o período medieval, como o início de uma nova era de poder para a Igreja no Ocidente, inaugurada pelo papado de Gregório I. Um momento no qual a Igreja, liderada pelo bispo de Roma deteve o poder político do Império.

GREGÓRIO, O GRANDE
Nascido de uma família tradicional, nobre e rica de Roma, Gregório (540-604) recebeu uma formação jurídica que o prepararia para a vida pública. Em 573 tornou-se prefeito de Roma, porém logo depois abriu mão da herança que herdara e tornou-se monge, renunciado seu cargo político.

No ano de 590, Gregório foi escolhido bispo de Roma. Sua maior obra foi aumentar a influência política do bispo de Roma, e embora não reivindicasse para si o título de papa, exerceu todos os poderes e privilégios dos papas posteriores, tornando-se o primeiro papa universal.

Gregório foi o organizador do canto gregoriano, contribuindo para a forma da liturgia na Igreja Medieval. Ele também teve uma proeminência no campo da teologia, sendo considerado um dos grandes doutores da Igreja Ocidental. Ele sistematizou a doutrina e fez da Igreja uma potência na área da política.

Vejamos algumas das idéias de Gregório que influenciaram a teologia medieval:

• O homem é um pecador por nascimento e escolha, herdando de Adão o pecado como uma doença a que todos estão sujeitos.
• A vontade do homem é livre, porém a sua bondade foi perdida.
• A predestinação limitada aos eleitos.
• A graça não é irresistível, está fundamentada na presciência de Deus e no mérito do homem.
• As almas são purificadas no purgatório, antes de entrarem nos céus.
• A Bíblia foi inspirada por Deus, porém a tradição tem a mesma autoridade que as Escrituras.
• A ceia é um sacrifício do corpo e do sangue de Cristo que se repete todas as vezes que é celebrada – doutrina da transubstanciação.
• A importância das boas novas e a invocação dos santos para alcançar o favor de Deus.

SURGIMENTO E IMPACTO DO ISLAMISMO
O Islamismo teve suas origens na península árabe, através de Maomé (570-632), um mercador que chegou a ter contato com o Cristianismo e o Judaísmo através de viagens à Síria e Palestina, as únicas religiões monoteístas até então.

Em 610, Maomé sentiu um chamado divino para proclamar o monoteísmo. Maomé não rejeitou completamente o judaísmo e o cristianismo, duas religiões monoteístas já conhecidas pelos árabes. Em vez disso, informou que tinha sido enviado por Deus para restaurar os ensinamentos originais destas religiões, que tinham sido corrompidos e esquecidos.

Ele afirmava ter recebido a visita do anjo Gabriel, que lhe ordenou que recitasse uns versos enviados por Deus, e comunicou que Deus o havia escolhido como o último profeta enviado à humanidade. Maomé deu ouvidos à mensagem do anjo e, após sua morte, estes versos foram reunidos e integrados no Alcorão, durante o califado de Abu Bakr.

Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu da Pérsia até a Península Ibérica.

As porções oriental e ocidental da Igreja se enfraqueceram com as perdas pessoais e territoriais para o islamismo. A sólida Igreja do norte da África desapareceu, e a Terra Santa e o Egito foram perdidos. Os islamitas resistiram obstinadamente aos esforços do papado e dos cruzados de reconquistar a Terra Santa e, desde então, tem resistido duramente a qualquer tentativa de missionários cristãos de propagação do cristianismo entre os mulçumanos.

A religião islâmica
A principal fonte da religião mulçumana é o Alcorão, composto por 114 capítulos, dos quais o maior fica no começo; os capítulos vão diminuindo em extensão até o último que tem apenas três versículos. O livro é repetitivo e desorganizado.

A crença em um Deus, conhecido como Alá, é o tema central do islamismo. Ala fez conhecida a sua vontade através de 25 profetas, entre os quais se encontram personagens bíblicos como Abraão, Moisés e Cristo; Maomé é porém o último e o maior dos profetas. Os mulçumanos negam a divindade de Cristo quanto a sua morte na cruz. Fatalista, a religião propõe uma submissão passiva à vontade de Alá. Após o julgamento, os homens gozarão de um paraíso sensual ou enfrentarão o terror do inferno.

O bom mulçumano ora 5 vezes ao dia com o rosto voltado a Meca. Jejum e obras de caridade são importantes. Os mulçumanos santos são aqueles que, pelo menos uma vez na vida, fazem uma peregrinação a Meca.

ATIVIDADES MISSIONÁRIAS
Enquanto grande parte da energia da Igreja Oriental foi gasta na luta para evitar que os mulçumanos conquistassem Constantinopla, a Igreja no Ocidente empreendeu várias campanhas missionárias entre os séculos VI e IX para expandir o evangelho a tribos e povoados até então ignorantes a cerca das boas novas de Jesus Cristo.

As atividades missionárias se concentraram nas Ilhas Britânicas, Alemanha, Países Baixos, Itália, Espanha e a Grande Morávia (correspondente as atuais República Checa, Eslováquia e parte da Hungria). Essa impetuosa conquista que, às vezes, convertia e batizava em massa tribos e nações inteiras, suscitou o problema do batismo sem uma experiência pessoal de fé. Esse é, sem dúvida, um problema perene da obra missionária onde quer que a conversão de um líder influente tenha resultado na aceitação coletiva do cristianismo, independentemente se os convertidos tiveram ou não uma experiência genuína de salvação.

A ORIGEM DA IGREJA ORTODOXA GREGA
A Igreja no Oriente esteve sob a jurisdição do Imperador, mas o papa em Roma estava longe de ser submetido ao seu controle. Na ausência de controle político efetivo no Ocidente, com a queda do Império Romano Ocidental (em 476), o papa tornou-se o líder temporal e espiritual em tempos de crise. Os imperadores eram quase papas no Oriente, e no Ocidente os papas eram quase imperadores. Isso deu as duas igrejas uma perspectiva diferente em relação ao poder temporal.

Outro fator de divergência entre as Igrejas foi a formulação de uma teologia ortodoxa. A mente grega do Oriente se interessava mais pela solução de problemas teológicos em termos filosóficos. A maioria das controvérsias teológicas entre 325 e 451 surgiu no Oriente, o que acirrava as disputas entre os bispos do Ocidente e Oriente.

A questão das imagens e esculturas nos templos foi outro fator de disputa entre as igrejas. Acusados pelos mulçumanos de idolatria, o imperador do Oriente, Leão III, em 739 ordenou que tudo, exceto a Bíblia, fosse removido das igrejas. Enquanto a igreja no Ocidente continuou a usar imagens e esculturas no culto, o que aumentou o antagonismo entre os dois grupos.

A interferência do papa na nomeação de patriarcas da Igreja no Oriente era mais um motivo que intensificava as más relações entre as duas igrejas.

E em 1054, todas essas diferenças e antagonismos se centralizaram em torno daquilo que parecia ser um problema menor. O patriarca de Constantinopla (Miguel Cerulário, 1043-1059) condenou a Igreja do Ocidente pelo uso de pão não-levedado na eucaristia. Por mais que o papa tentasse reconciliar os dois lados, as discussões não cessavam e a polêmica aumentava. No dia 16 de julho de 1054, o cardeal romano que representava o papa em Constantinopla colocou no altar superior da catedral de Santa Sofia um decreto de excomunhão do patriarca e seus seguidores. O patriarca não tardou em responder e anatematizou o papa de Roma e seus seguidores. Foi esse o primeiro grande cisma no cristianismo a romper com a unidade da Igreja.

Qualquer movimento ecumênico se tornou muito difícil depois dos amargos acontecimentos que separaram a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente. As mútuas excomunhões só foram levantadas em 7 de Dezembro de 1965, pelo Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, a fim de aproximar as duas Igrejas, afastadas havia séculos. As excomunhões, entretanto, foram retiradas pelas duas Igrejas em 1966. Somente recentemente o diálogo entre elas foi efetivamente retomado, a fim de tentar sanar o cisma.


APLICAÇÃO
O período da Igreja na Idade Média foi um momento de grande expansão do cristianismo, mas ao mesmo tempo de bastante confusão sobre a missão da Igreja.

A grande tentação neste período da história foi o poder e a riqueza que rondaram de perto e acabaram por se concentrar na Igreja institucionalizada, o que interferiu muito na sua pureza, teologia e missão.

QUESTÕES
Observando a história do cristianismo, você acredita que ele contribui positivamente para transformar uma sociedade?
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Quais as conseqüências do papado para o cristianismo?
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Qual o problema da adesão ao cristianismo sem uma experiência de fé pessoal e genuína, a qual denominamos ‘conversão’?
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Quais os perigos que você enxerga na associação da Igreja com o Estado?
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Quais os motivos do primeiro cisma da Igreja? E qual as conseqüências dessa divisão da Igreja?
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Por que Maomé criou uma religião ao invés de aderir a uma das religiões monoteístas já existentes?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.