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domingo, 4 de dezembro de 2011

SEGUINDO A ORIENTAÇÃO DE DEUS

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 38)


TEXTO BASE: Atos 27-28

Roma, a maior e mais esplêndida das cidades antigas funcionava como um Iná para os povos. Capital e símbolo do império, ela presidia magistralmente sobre todo o mundo conhecido. Embora fosse um judeu, Paulo havia herdado a cidadania romana de seu pai, e desde a infância deve ter sonhado com a visita à cidade. Ele deve ter imaginado o que representaria toda aquela grade cidade estar totalmente evangelizada, a Igreja em Roma crescendo, estar consolidada e cheia de visão missionária. Que centro para a irradiação do evangelho Roma poderia ser!
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”. Atos 1:18

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott

domingo, 27 de novembro de 2011

O EVANGELHO SOB JULGAMENTO

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 37)


TEXTO BASE: Atos 24-26

Foi um momento dramático quando o piedoso e humilde apóstolo de Jesus Cristo se colocou diante do representante dessa mundana e moralmente corrupta família dos Herodes que, geração após geração, se colocava contra a verdade e a justiça. O fundador, Herodes o Grande, havia tentado eliminar o menino Jesus. Seu filho Antipas, tetrarca da Galiléia, decapitou João Batista e mereceu do Senhor o título de “raposa”. Seu neto Agripa I matou Tiago, filho de Zebedeu. Agora, vemos Paulo diante do filho de Agripa. Mas Paulo não estava nem um pouco intimidado.

Jesus havia prevenido seus discípulos que seriam levados diante de reis e de governadores por causa de seu nome e que em tais ocasiões lhes daria palavras de sabedoria (Lc 21:12-15). Jesus também havia dito a Ananias (que deve ter transmitido essa informação) que Paulo era o seu instrumento para levar seu nome aos gentios e seus reis e diante do povo de Israel (9:15). Essas predições se cumpriram!
“E é necessário que antes o evangelho seja pregado a todas as nações”. Marcos 13:10

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott

domingo, 6 de novembro de 2011

POLÍTICA E RELIGIÃO

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 34)


TEXTO BASE: Atos 20:1-21:17

O futuro do evangelho estava em risco, com forças poderosas lutando contra e a favor. De um lado, os perseguidores judeus eram preconceituosos e violentos. Do outro, os romanos tinham as mentes abertas e foram além da expectativa para manter os padrões da lei, da justiça e da ordem, dos quais os seus líderes compreensivelmente tinham orgulho.

Entre essas duas forças, religiosa e civil, hostil e amistosa, Jerusalém e Roma, Paulo se viu cercado, desarmado e totalmente vulnerável. Não se pode deixar de admirar a coragem, especialmente quando ficou em pé encarando uma multidão zangada contra ele, sem outro poder além da Palavra e do Espírito de Deus. A fonte de sua coragem era sua serena confiança na verdade. Saber que seu Salvador e Senhor estava com ele e cumpria a promessa de que, algum dia, de algum modo, ele daria testemunho em Roma.
""Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade...” Efésios 2:13-14

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott

domingo, 23 de outubro de 2011

Martin Luther King (Biografia VII)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 33)



"O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício."

Quem foi?

Martin Luther King, Jr. foi um importante pastor evangélico e ativista político norte-americano. Lutou em defesa dos direitos sociais para os negros e mulheres, combatendo o preconceito e o racismo. Defendia a luta pacífica, baseada no amor ao próximo, como forma de construir um mundo melhor, baseado na igualdade de direitos sociais e econômicos.

Biografia
·      Marthin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929 na cidade de Atlanta (estado da Geórgia).

·      Formou-se em sociologia em 1948 na Morehouse College.

·      Em 1951 formou-se no Seminário Teológico Crozer.

·      Em 1954, tornou-se pastor da Igreja Batista da cidade de Montgomery (estado da Virgínia).

·      Em 1953, casou-se com Coretta Scott King com quem teve quatro filhos

·      Em 1955, tornou-se Phd em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston

·      Em 1955, foi um dos líderes ao boicote às empresas de ônibus da cidade de Montgomery. Este boicote era para pressionar o governo a acabar com a discriminação que havia contra os negros no transporte público dos Estados Unidos. A Suprema Corte Americana acatou as reivindicações dos ativistas e terminou com a discriminação no
     sistema de transportes públicos.

·      Em 1957, participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul. Luther King liderou a CLCS, que lutava pelos direitos civis.

·      Na década de 1960, Luther King liderou várias marchas de protesto e manifestações pacíficas em defesa dos direitos iguais entre brancos e negros e o fim do preconceito e da discriminação racial. 

·      Em 14 de outubro de 1964, Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz em função de seu trabalho, combatendo pacificamente o preconceito racial nos Estados Unidos.

·      Em 1967, King fez vários discursos protestando contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

·       Em 1968, King organizou a Campanha dos Pobres, pregando a justiça social e econômica.

·      Em função de sua atuação social e política, Luther King despertou muito ódio naqueles que defendiam a segregação racial nos Estados Unidos. Durante quase toda sua vida adulta, foi constantemente ameaçado de morte por estas pessoas e grupos. 

·      Na manhã de 4 de abril de 1968, antes de uma marcha, Martin Luther King foi assassinado no quarto de um hotel na cidade de Memphis. 

·      Sua atuação política e social foi fundamental nas mudanças que ocorreram nas leis dos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960. As leis segregacionistas foram caindo, dando espaço para uma legislação mais justa e igualitária. Embora sua atuação tenha sido nos Estados Unidos, Luther King é até hoje lembrado nos quatro cantos do mundo como símbolo de luta pacífica pelos direitos civis.




Em Números:

  • 25.000 discursos
  • 4 filhos
  • 9.65 milhoes de km percorridos
  • 5 livros
  • 29 vezes ele foi preso
  • 1 vez foi atirado, e foi fatal

Fome e sede de justiça
  • A Verdadeira paz somente não é a falta de tensão, é a presença de justiça.
  • Quase sempre minorias criativas e dedicadas transformam o mundo num lugar melhor.
  • O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.
  • O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.
  • Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.
  • O que vale não é o quanto se vive...mas como se vive.
  • Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos junto como irmãos.
  • Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Que tal mudarmos o mundo começando por nós mesmos ?
  • O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.
  • A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso.
  • Enfrentaremos a força física com a nossa força moral.
  • Se você não está pronto para morrer por alguma coisa, então você não está pronto para viver.
  • A mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: - O que fiz hoje pelos outros?
  • O amor é a unica força capaz de transformar um inimigo em amigo.
  • Devemos construir diques de coragem para conter a correnteza do medo.
  • Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.
  • Quem aceita o mal sem protestar, coopera realmente com ele.
  • Ou vivemos todos juntos como irmãos, ou morremos todos juntos como idiotas.
Biografia legendada

Esperança
  • Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.
  • Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.
  • Suba o primeiro negrau com fé. Não é necessario que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.
  • Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.
  • Lembremo-nos, que no universo há um grande e benigno poder, que é capaz de abrir caminho onde não há caminho


Nós não somos o que gostaríamos de ser.

Nós não somos o que ainda iremos ser.

Mas, graças a Deus,

Não somos mais quem nós éramos.


    Relação com Deus
    • O nosso mundo depende de uma fundação moral. Deus o fez assim. Deus fez o universo para ser baseado em uma lei moral. Se o homem desobedecê-la, está se revoltando contra Deus.
    • O mais perigoso tipo de ateísmo não é o ateísmo teórico, mas o ateísmo prático. Este é o mais perigoso tipo. E o mundo, e mesmo a igreja, está repleta de pessoas que prestam culto com os lábios em lugar de um culto com a vida.
    • Como um jovem com grande parte de minha vida ainda pela frente eu decidi bem cedo dar minha vida por algo absoluto e eterno. Eu não vou colocar a base de minha fé em um deus que pode construir alguns edifícios arranha-céus, mas em um Deus que criou as gigantescas montanhas, beijando o céu, como se banhassem seus picos no imponente azul.  
    A covardia coloca a questão, 'É seguro?'

    O comodismo coloca a questão, 'É popular?'

    Mas a consciência coloca a questão, 'É correto?'

    E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.

    Eu Tenho Um Sonho

    Martin Luther King, Jr.

    28 de agosto de 1963 Washington, D.C.

    Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

    Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
    Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
    Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
    Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

    De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

    Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

    Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
    Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
    Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
    Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

    Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre

    . Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

    E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

    Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

    Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor.
    Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

    Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

    Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

    Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

    Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

    Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

    Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

    Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

    Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
     Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
     Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
     De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!
     E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
     E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
     Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
     Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
     Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
     Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
     Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
     Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
     Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
     Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
     E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós    deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
     Livre afinal, livre afinal.
     Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal.


    O ÚLTIMO DISCURSO

    domingo, 10 de julho de 2011

    Reforma Protestante (História da Igreja VI)

    Por Pedro Paulo Valente

    A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 20)

    TEXTO BASE: Efésios 2:1-10

    INTRODUÇÃO
    Um mundo em mudanças, assim foi o ambiente do século XVI, o qual propiciou a reforma da Igreja Ocidental, que já havia sido ensaiada por reformadores sinceros como Wycliffe e Huss, místicos, concílios reformadores e humanistas. Um período marcado pelo otimismo nas mudanças e no rompimento com a velha forma de viver, um período no qual o Cristianismo passou por grandes mudanças.

    CONTEXTO
    A insatisfação com a Igreja Católica Romana crescia devido o desenvolvimento de um papado corrupto e extravagante, com cobrança abusiva de impostos dos Estados nacionais que começavam a surgir, um culto que se tornara muito formalistas, no qual não se compreendia, de fato, a graça de Deus, sendo uma época marcada pelo medo do castigo divino e do inferno, venda de indulgências e relicários, simonia, entre outros equívocos.

    Além dos desvios da Igreja no Ocidente, a Europa passava por uma reorientação cultural em que os homens trocaram a compreensão corporativa, religiosa e medieval da vida por uma visão individualista, secular e moderna. A concepção teocêntrica medieval do mundo, em que Deus era a medida de todas as coisas, foi substituída por uma interpretação antropocêntrica da vida, em que o homem se tornara a medida de todas as coisas. As classes médias se tornaram mais importantes do que a velha sociedade agrária rural do período feudal. O comércio passou a ter mais importância do que a agricultura como meio de subsistência. Adotou-se uma forma humanista, otimista e experimental de ver as coisas desta vida.

    Também houve mudanças geográficas. A América acabara de ser descoberta por Colombo, e em meio à era das grandes navegações, os mares do mundo tornaram-se como estradas, abrindo os continentes para a exploração e colonização pelo Velho Mundo.

    E por fim, a invenção da imprensa por Gutenberg (1398-1468), teve um papel fundamental no desenvolvimento da renascença, reforma e na revolução científica, lançando as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e a disseminação da aprendizagem em massa.

    A RAZÃO DA REFORMA
    Os reformadores buscavam uma volta da Igreja aos ensinos bíblicos, ao modelo de vida da igreja primitiva, descentralizado o poder das mãos de uma liderança eclesiástica corrupta e distante dos leigos, para uma experiência de fé pessoal e comunitária acessível a todos. Porém as idéias dos reformadores não foram bem aceitas pela Igreja Romana, excomungando e condenando o ensino daqueles que protestavam.

    Os reformadores protestantes estabeleceram o que seria conhecido como as “cinco solas” (sola é a palavra latina para única) da Reforma. Estes cinco pontos da doutrina formam o coração da Reforma Protestante. São eles:

    1. Sola Scriptura – somente a Bíblia.
    Afirma que somente a Bíblia é a única autoridade para todos os assuntos de fé e prática. A Bíblia é o fundamento da fé cristã. Ela é a revelação de Deus para a humanidade e digna de toda aceitação, ela é como uma lâmpada que ilumina os nossos passos e luz que clareia os nossos caminhos (II Tm 3:17, Sl 119).

    Quando foi pedido que Lutero se retratasse, ele disse: “A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus me ajude. Amém”.

    2. Solus Christus – somente Cristo.
    Afirma que a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficiente para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai.

    Falando de Cristo a Bíblia afirma que “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12). Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (Jo 14:6). Daí a afirmação dos teólogos reformados, “pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (1 Tm 2:5).

    3. Sola Gratia – somente a graça.
    Afirma que a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. 

    A Bíblia diz: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus;não por obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9). O homem e a mulher são aceitos por Deus sem méritos próprios. Tudo que recebemos de Deus é por seu favor, não por nossa bondade. “Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo” (Is 64:6). Como pecadores não podemos nos redimir diante de Deus, mas podemos receber o seu perdão por causa de sua graça estendida a nós em Jesus.

    4. Sola Fide – somente a fé.
    Afirma que a justificação é pela graça somente, através da fé somente, por causa somente de Cristo. É pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus. Devemos tudo a Deus!

    A Bíblia diz: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1). O texto bíblico que revolucionou a vida de Lutero diz: “O justo viverá pela fé” (Rm 1:17). “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6).

    5. Soli Deo Gloria – somente a glória de Deus.
    Afirma que a salvação é de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória.

    A Bíblia diz: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome. Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor” (Is 42:8). Fomos redimidos em Cristo para o louvor da sua glória (Ef 1:12). “Façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31).

    LUTERO E A REFORMA NA ALEMANHA
    Contrariando o desejo de seu pai, o alemão Martinho Lutero (1483-1546) e futuro reformador deixou a faculdade de Direito e ingressou em um mosteiro agostiniano em 1505, com a idade de 22 anos. Ele sofria um desespero espiritual agudo, marcado pelo medo do inferno e do juízo de Deus, fomentado pela noção equivocada de que o homem precisa ser ativo na sua salvação, cumprindo boas obras. Obviamente, o sofrimento é decorrente da constatação da nossa incapacidade de agirmos conforme a vontade de Deus. Foi o seu superior no convento, Johann von Staupitz, quem lhe aconselhou a estudar mais a Bíblia e a não passar excessivas horas em penitência frenética. Em 1507, Lutero ordenou-se padre e, no ano seguinte, começou a ensinar teologia na Universidade de Wittenberg, onde também conseguiria o doutorado anos mais tarde.

    Nos anos precedentes à publicação das 95 teses, Lutero se dedicou a ensinar os livros da Bíblia no vernáculo, porque até então eles só eram ensinados em Latim e, para tal, começou a estudar as línguas originais das Escrituras. Assim, com esse encontro com a desconhecida Palavra de Deus, foi desenvolvendo a idéia de que a maior autoridade da fé estava naquelas letras, Sola Scriptura. Entre 1515 e 1517, lecionou sobre Romanos, Gálatas e Hebreus e foi lendo o verso dezessete do primeiro capítulo de Romanos que ele descobriu o alívio para suas crises espirituais, o verso que lhe causou mais impacto gerando uma verdadeira mudança de pensamento: 'o justo viverá pela fé' independentemente das boas obras. Isso ocorreu depois da sua decepcionante estadia em Roma, aonde a ordem o havia enviado a negócios. Na sede da Igreja, ele pôde perceber um pouco de sua corrupção moral e doutrinária e a luxúria do sacerdócio; essa percepção o levou a compreender a necessidade de uma reforma eclesiástica.

    Por isso, quando, em 1517, o dominicano Tetzel, a fim de arrecadar recursos para a reforma da catedral de São Pedro em Roma, começou a venda de indulgências próximo a Wittenberg, Lutero reagiu vorazmente. O protesto do reformador, ao escrever as 95 teses e convocar um debate, não era apenas contra a imoralidade e exploração do vendedor de perdão em relação aos camponeses alemães pobres, ele estava combatendo uma teologia que dava suporte àquela prática.

    A recente invenção da imprensa foi fundamental para a divulgação da reforma. Após a publicação das 95 teses, o final inevitável seria a ruptura com Roma, embora Lutero não o imaginasse nem o quisesse em princípio. Na Dieta de Augsburg (1518), Lutero se recusou a se retratar a menos que lhe provassem pelas Escrituras que ele estava errado. No mesmo interrogatório, ele também negou que o papa fosse a autoridade final em questões de fé e moral, e a utilidade dos sacramentos sem fé.

    No ano seguinte, Lutero se viu obrigado a reconhecer que seus pensamentos eram muito semelhantes aos de John Hus – condenado havia cem anos pelo Concílio de Constança e queimado vivo. “Eu sou um hussita!” foram as palavras ditas por Lutero que, de fato, selaram a sua ruptura com Roma, pois, dessa maneira, demonstrava o seu repúdio tanto à autoridade dos concílios gerais quanto a do papa. Mas, cabe ressaltar que o reformador não rejeitou a tradição e a história de 1500 anos da Igreja, apenas repudiou a teoria das duas fontes da tradição, isto é, que ao lado da tradição bíblica há uma tradição extra bíblica transmitida oralmente ao longo dos séculos.

    A excomunhão de Lutero veio com a bula Exsurge Domine do papa Leão X, em junho de 1520. As publicações do reformador foram queimadas em Colônia, ao passo que ele queimou em público a referida bula papal em dezembro do mesmo ano.

    Sem dúvida alguma, Lutero foi um gigante da igreja devido à sua influência tanto sobre épocas posteriores quanto sobre o seu próprio tempo. As igrejas luteranas da Alemanha e dos países escandinavos (Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia) nasceram do seu trabalho. Foi para elas que ele elaborou os Catecismos Maior e Menor; preparou apostilas para ajudar os ministros em seus sermões; desenvolveu um sistema de governo eclesiástico; deu a Bíblia ao povo alemão, que em muito contribui para padronizar a língua, além de compor belos hinos, como “Castelo Forte”.

    Além disso, estimulou Filipe Melanchton (1497-1560), um teólogo da Reforma, a criar um sistema universal de educação elementar para que o povo pudesse aprender a ler a Bíblia em Alemão.

    Sugestão
    Para conhecer mais sobre Martinho Lutero, verifique a aula anterior sobre sua biografia - aqui

    ZUÍNGLIO, CALVINO E A REFORMA NA SUÍÇA
    A Reforma Protestante na pátria suíça tem dois personagens principais, Zuínglio e Calvino. Zuínglio nasceu em 1484 e, com uma boa formação humanista, tornou-se um sacerdote. Foi por essa influência humanista que o reformador se encontrou com a Bíblia. Com efeito, o encontro com a Palavra de Deus levaria muitos naquela época a questionar os abusos eclesiásticos, tradições anti-bíblicas e o papado. Não tardaria para Zuínglio levantar sua corajosa voz. Ele começou a se opor às indulgências enquanto era pároco da igreja de Einsiedeln, entre os anos 1516 e 1518.

    O ensino de Zuínglio, a partir da autoridade exclusiva das Escrituras Sagradas, começou a produzir reformas na igreja local de Zurique, inclusive sobre a liturgia que, começando pela retirada das imagens, passando pela rejeição da doutrina medieval da transubstanciação, culminou com a supressão da missa em 1525. As autoridades católicas evidentemente reagiram convocando o reformador para um debate público em que o lado vencedor seria escolhido pelo conselho da cidade como a forma legítima da religião. Para esse debate, Zuínglio preparou 67 artigos em que defendia, entre outras coisas, a salvação pela fé, a autoridade da Bíblia, a supremacia de Cristo na Igreja, o casamento dos sacerdotes e condenava todas as práticas que não repousassem sobre a Palavra de Deus. É óbvio que os papistas estavam convictos de que venceriam, entretanto, perderam e a reforma da Igreja de Zurique foi legalizada pela autoridade civil. A mesma vitória se repetiu mais tarde nas cidades de Berna e Basiléia.

    Zuínglio, aos 47 anos (1531), morreu prematuramente em combate enquanto trabalhava como capelão na guerra entre os cantões protestantes e católicos do território suíço. Mas estava para se levantar outra poderosa voz que naquela terra se tornaria o teólogo da Reforma por excelência: Jean Cauvin (1509-1564), simplesmente, João Calvino. Como um reformador da segunda geração, ele sentia ainda mais a necessidade de sistematizar a teologia reformada, o que fez prodigiosamente trazendo contribuições duradouras para o Corpo de Cristo. Aos 27 anos, ele publicou as Institutas (Instituições da Religião Cristã), uma obra que revisaria durante toda a sua vida e que terminaria sendo uma colossal descrição da fé cristã. As Institutas subdividem-se em quatro livros seguindo a ordem temática do credo apostólico. O primeiro livro trata sobre o Deus criador e sua soberania sobre toda a criação; o segundo, sobre a necessidade de salvação para o homem caído através de Jesus; o terceiro, sobre a maneira por que o homem é redimido; e o quarto livro, sobre a Igreja e seu relacionamento com a sociedade.

    O mote cunhado por Calvino “post tenebras lux” (luz após as trevas) ilustra o que a teologia reformada fez naquele contexto em que a Igreja gemia por reformas. Ninguém escreveu mais do que ele naquele período. Além das Institutas, Calvino escreveu vários comentários de livros bíblicos, inúmeros sermões, folhetos e tratados, cartas pastorais e escritos litúrgicos e catequéticos. Era acima de tudo um pastor consciente de que a única forma de recuperar a vida moral e religiosa do povo era instruindo-o na “escola da fé”. Exerceu o seu ministério em Genebra, mas era francês e fora em Paris que aceitara a mensagem evangélica.

    Em 1533, no Dia de Todos os Santos, Nicolas Cop, amigo de Calvino e reitor da Universidade de Paris, fez um caloroso discurso que chocou os seus ouvintes, dentre eles também estava o futuro reformador. Cop não louvou os santos, mas proclamou a Jesus Cristo como o único mediador com Deus, um verdadeiro insulto aos defensores da ortodoxia católica. Como estava ligado a Cop, Calvino também teve que fugir às pressas de Paris para salvar a sua vida, indo parar em Basileia. Três anos depois, viajando de Paris para Estraburgo, teve que desviar da rota por causa de manobras militares de exércitos hostis à Reforma e acabou chegando a Genebra, onde pretendia passar apenas uma noite. Aquela cidade havia recentemente abraçado a Reforma e agora recebia aquele que se tornaria o seu maior líder. Ali, Calvino faria os seus famosos sermões e Genebra, sob a sua liderança, tornar-se-ia um refúgio para os perseguidos ao se considerar uma cidade modelo da Reforma.

    Curiosidade
    A cidade de Genebra havia abraçado a Reforma através do voto unânime de uma assembléia realizada em maio de 1536. Guilherme Farel (1489-1565) era o líder desse movimento reformador na cidade, e sabendo que Calvino estaria em Genebra por uma noite, foi até seu quarto de hotel e lhe implorou que permanecesse na cidade para que o ajudasse a consolidar a Reforma recentemente abraçada. Calvino ficou chocado com a idéia, pois se sentiu despreparado para a tarefa. Ele pensava que poderia fazer mais pela igreja através de seus tranqüilos estudos e escritos. Nesse momento, Farel trovejou a ira de Deus sobre Calvino com palavras que este jamais esqueceria – Deus amaldiçoaria o seu lazer e os seus estudos se em tão grave emergência ele se retirasse, recusando-se a ajudar. A partir daquele momento, o destino de Calvino ficou ligado a Genebra. (Alderi de Souza Matos, historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil)
    The wall of the Reformers in Geneva
    © Photo Geneva Civil security
    Guillaume Farel, Jean Calvin, Theodore de Bère and John Knox (from left to right)

    A FÉ REFORMADA FORA DA SUIÇA
    Enquanto o luteranismo ganhou terreno entre os escandinavos, o calvinismo fez adeptos durante o século XVI em outras regiões européias, especialmente no vale do Reno na Alemanha, na Hungria, na Morávia, na França, na Holanda, na Escócia, na Irlanda do Norte e, por um breve período, na Polônia.

    A fé reformada na França
    Embora o impulso para a Reforma francesa de início tenha vindo das idéias dos humanistas bíblicos e de Lutero, a conversão de João Calvino deu à Reforma um escritor capaz de popularizá-la, tanto que em 1532 os valdenses do sul da França aceitaram o calvinismo. Foi a perseguição aos protestantes franceses que levou Calvino a publicar a primeira edição das suas Institutas em 1536; sua intensão era defender os cristãos franceses como pessoas leais e sugerir o fim da perseguição.

    A partir de 1560 os protestantes franceses passaram a ser conhecidos como huguenotes, e havia cerca de 400 mil protestantes. Com constantes perseguições, como a terrível carnificina de São Bartolomeu em 1572, na qual milhares de huguenotes foram assassinados, e as constantes intervenções do estado proibindo a fé protestante, o protestantismo reformado não têm exercido grande influencia na França, sendo os huguenotes uma minoria da população.

    A fé reformada na Escócia
    O primeiro pregador do protestantismo na Escócia foi Patrick Hamilton, um jovem erudito, simpatizante de Lutero, que foi morto na fogueira em 1528. O pioneiro da fé reformada foi George Wishart, um jovem culto que estudou na Suíça e lecionou na Universidade de Cambridge. Condenado por heresia foi igualmente queimado vivo, em 1546. Sua vida, pregação e morte causaram vívida impressão no povo escocês. O líder seguinte foi John Knox, nascido entre 1505 e 1515, que havia sido guarda-costas de Wishart. Depois de passar um ano e meio como escravo em um navio francês, ele fugiu para a Inglaterra, onde se tornou capelão do jovem rei Eduardo VI. No reinado sangrento de Maria Tudor (1553-1558), foi para o continente e passou três anos em Genebra, onde estudou aos pés de Calvino. Pastoreou uma igreja de refugiados de língua inglesa e retornou à Escócia em 1559, tornando-se o líder da Reforma em seu país. Naqueles dias conturbados, ele clamou: “Ó Deus, dá-me a Escócia ou morrerei!” 

    Em agosto de 1560, sob a liderança de Knox, o Parlamento renunciou ao catolicismo e adotou a fé reformada para a Escócia. Em poucos dias, Knox e outros quatro homens redigiram a Confissão Escocesa, nitidamente calvinista, que foi prontamente adotada pelo Parlamento. Em dezembro reuniu-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana da Escócia, que redigiu o Livro de Disciplina ou constituição da igreja. Compareceram apenas seis pastores e 36 presbíteros. Na época, havia somente doze ministros protestantes em todo o país. No ano seguinte, subiu ao trono a rainha Maria Stuart, que se esforçou por restaurar o catolicismo, no que foi firmemente combatida por Knox. Forçada a abdicar, Maria fugiu para a Inglaterra, onde foi executada muitos anos mais tarde. Knox continuou o seu trabalho de reformador e pregador até a sua morte em 1572. Diante de seu túmulo, um líder declarou: “Aqui jaz alguém que nunca temeu a face do homem”. (Alderi de Souza Matos, historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil).

    A fé reformada na Holanda
    A fé reformada começou a se fazer sentir em 1523, através de contatos do estudioso holandês Hinne Rode com o reformador suíço Ulrico Zuínglio, e no final da década de 1550, já havia se implantado solidamente, principalmente nas regiões de língua francesa ao sul. Muitos neerlandeses foram influenciados por Calvino em Estrasburgo e Genebra e pelo reformador polonês Jan Laski em Emden e Londres. Em 1561, o belga Guido de Brès escreveu uma confissão de fé “para os fiéis que estão dispersos por todos os Países Baixos”. Esse documento, conhecido como Confissão Belga, foi adotado por um sínodo em Antuérpia, em 1566, vindo a se tornar o principal padrão doutrinário dos calvinistas holandeses. Seu autor foi martirizado em 1567. 

    O primeiro sínodo reformado holandês reuniu-se em Turcoing em 1563, mas os dois primeiros sínodos gerais reuniram-se em Wesel (1568) e Emden (1571), ambos fora das fronteiras do país. Este último foi especialmente importante, porque efetivamente uniu todas as congregações em uma Igreja Nacional, adotando três documentos doutrinários: a Confissão Belga, o Catecismo de Genebra (para as igrejas de idioma francês) e o Catecismo de Heidelberg (para as de língua holandesa). Seguindo o modelo francês, havia quatro níveis administrativos: consistórios locais, classes (presbitérios), sínodos regionais e sínodo nacional. 
    Guilherme de Orange

    O nascimento da Igreja Reformada Holandesa coincidiu com um período de intensas lutas entre os neerlandeses e seu soberano, o rei católico espanhol Filipe II. Este havia declarado que preferia morrer cem mortes a ser um rei de hereges. Em 1566, os nacionalistas entraram em guerra contra os espanhóis. No ano seguinte, Filipe enviou o implacável Duque de Alba para destruir a heresia e sufocar a resistência. A ditadura que se seguiu (1567-1573) custou milhares de vidas, mas não conseguiu vencer a rebelião. Sob a liderança de Guilherme de Orange, que abraçou o calvinismo em 1573, o Holanda declarou a sua independência em 26 de julho de 1581. Guilherme foi assassinado por um fanático em 1584, sendo sucedido por seu filho Maurício, que consolidou a independência da nova República. 

    Em conseqüência das lutas político-religiosas, os Países Baixos se subdividiram em três nações: Bélgica e Luxemburgo (católicas) e Holanda (majoritariamente protestante). Sob o influxo da fé reformada e da recém-conquistada autonomia política, a Holanda se tornou rapidamente uma das nações mais prósperas da Europa, criando um império comercial que se estendeu por todos os continentes. Tornou-se também uma das regiões da Europa marcadas por maior tolerância religiosa, atraindo dissidentes e refugiados de diversos países. (Alderi de Souza Matos, historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil).

    APLICAÇÃO
    A Reforma provocou mudanças vitais que fizeram com que a Igreja Católica Romana universal e única fosse substituída na Europa ocidental por igrejas nacionais. Essas igrejas tomaram a Bíblia como autoridade final e entendiam que não era necessário nenhum mediador humano entre o homem e Deus para a obtenção da salvação, já adquirida por Cristo na cruz para todos.

    Precisamos lembrar sempre que a Igreja é de Jesus (Mt 16:18). Ela deve ser edificada nos pilares bíblicos: somente a Bíblia, somente Cristo, somente a graça, somente a fé, e, somente a glória de Deus. Qualquer outro evangelho deve ser rejeitado (Gl 1.8).

    MEMORIZAR VERSÍCULO
    Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8-9.

    QUESTÕES
    Quais as divergências dos reformadores com a Igreja Católica?
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    Quais os cinco pilares da Reforma Protestante?
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    O que a vida de Lutero e Calvino pode lhe inspirar no seu dia a dia?
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    Qual a importância de ler e estudar a Bíblia para o desenvolvimento da sua fé?
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    Como a Igreja deve enfrentar as mudanças que acontecem no mundo?
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    MATERIAL UTILIZADO
    • Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
    • Textos de José Cristiano de Oliveira Sampaio escritos especialmente para a comemoração da Reforma Protestante no ano de 2010. Publicados originalmente no boletim da Igreja Esperança/BH.
    • Movimento Reformado, por Alderi de Souza Matos. Universidade Mackenzie
    • Matos, Alderi Souza. Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. Revista Fides Reformata. Volume II, nº2, 1997.
    • Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

    domingo, 3 de julho de 2011

    Sofrimento

    A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 20)
    TEXTO BASE: Atos 11.19-12.24

    Deus age de modos estranhos. Num momento em que poderia parecer bom para os cristãos novos ficarem juntos na Igreja nova, para crescerem e amadurecerem, para desfrutarem da comunhão, eles foram espalhados pela perseguição.


    A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

    domingo, 15 de maio de 2011

    Filipe, o evangelista

    A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 12)

    TEXTO BASE: Atos 8:1-40


    PARA LER E PENSAR
    As pessoas com quem Filipe dividiu as boas novas eram diferentes em raça, posição e religião. Os samaritanos eram de raça mista, meio israelitas e meio gentios, e asiáticos; o etíope era um africano negro, embora provavelmente judeu de nascença. Quanto à disposição, presume-se que os samaritanos fossem cidadãos comuns, enquanto o etíope era um funcionário público destacado, a serviço da coroa. As diferenças religiosas incluem o fato de os samaritanos reverenciarem Moisés, mas rejeitarem os profetas, enquanto o etíope estava retornando de uma peregrinação e estava lendo precisamente um dos profetas rejeitados. Porém, apesar das diferenças quanto à origem racial, à classe social e à religião, Filipe apresentou-lhes as mesmas boas novas a respeito de Jesus.
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    A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

    MAPA DAS VIAGENS DE FILIPE

    domingo, 13 de março de 2011

    O Início da Perseguição (aula 5)

    A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 5)

    TEXTO BASE: Atos 3:1 – 4:31


    PARA LER E PENSAR
    Observamos que, antes de as pessoas fazerem qualquer pedido, elas alimentam suas mentes com pensamentos acerca da soberania divina. Primeiro, ele é o Deus da criação, que fez o céu, a terra e o mar, e tudo o que há neles (v. 24). Segundo, ele é o Deus da revelação, que falou pelo Espírito Santo por meio de Davi e, no Salmo 2 (já no primeiro século a.C. reconhecido como messiânico), previu a oposição do mundo ao seu Cristo, com os gentios se enfurecendo, os povos tramando, reis se levantando e príncipes conspirando contra o Ungido do Senhor (vs. 25, 26). Terceiro, ele é o Deus da História, que fez até seus inimigos (Herodes e Pilatos, gentios e judeus, unidos em conspiração contra Jesus, v. 27) fazerem o que seu poder e vontade haviam decidido antecipadamente (v. 28). Essa era, portanto, a compreensão que a igreja primitiva tinha de Deus, o Deus da criação, da revelação e da História, cujas ações características são resumidas pelos três verbos, fizeste (v. 24), disseste (v. 25) e predeterminaram (v. 28).

    A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

    sábado, 12 de março de 2011

    Na arena com Perpétua e Felicidade

    Por Délnia Bastos
    Publicado Originalmente na Revista Ultimato, edição 311 / 2008

    Era o início do terceiro século. O Império Romano tinha se fortificado em toda a região do Mediterrâneo. A sociedade gozava de estabilidade e privilégios — entre eles o de assistir aos jogos.

    O anfiteatro era o local construído para a realização dos jogos. Compunha-se de uma estrutura oval, com algumas jaulas laterais para as feras, a arena no centro e um pequeno templo debaixo da arena. Ali, os gladiadores pediam as bênçãos dos deuses romanos para suas lutas, ao mesmo tempo em que os condenados aguardavam sua sentença. Ao redor da arena, havia uma espécie de arquibancada para o público assistir confortavelmente aos espetáculos.

    Naquela época, o imperador Sétimo Severo baixou um edito segundo o qual todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos e ao próprio imperador. O infrator era sentenciado, juntamente com outros criminosos.

    Vívia Perpétua, uma jovem senhora da nobreza, e sua empregada Felicidade eram cristãs. Aos 20 anos, grávida, Perpétua foi condenada, juntamente com Felicidade e mais três cristãos, por desobedecerem ao edito imperial. Em vão o pai de Perpétua tentou várias vezes convencê-la de desistir da fé e sacrificar aos deuses. “O que será do seu filho?”, o pai a advertiu, sem sucesso.

    Assim, em 7 de março de 203, foi dado o veredicto final: “Perpétua, Felicidade, Revocato, Secúndulo, Saturnino e Saturo são condenados às bestas no Anfiteatro de Cartago” (hoje na Tunísia).

    Segundo a história, Saturo não estava entre os condenados, mas voluntariamente compartilhou do martírio de seus irmãos em Cristo.

    Perpétua havia feito um pedido especial a Deus, e foi atendida: deu à luz no dia anterior à sua morte e uma amiga cristã adotou seu pequeno filho.

    Os condenados deveriam usar uma roupa designada para o espetáculo. Cada roupa fazia menção de um deus romano, de modo que o sentenciado era oferecido como sacrifício àquele deus. Perpétua e Felicidade, e depois seus companheiros, se negaram a usar a “roupa festiva”, como que num último fôlego de testemunho — nem mesmo sua morte se tornaria oferenda para os deuses. Eles entraram na arena com pouquíssima roupa, mas com um brilho e uma alegria de espírito humanamente inexplicáveis. Todos eles tinham consciência de que sua morte seria um testemunho público importante para o avanço da fé cristã.

    Felicidade dizia que seu martírio significava para ela não a morte, mas um segundo batismo.

    Os homens foram os primeiros a entrar na arena. Dois deles deveriam passar por uma ponte com uma série de obstáculos, entre os quais algumas feras, como leões e tigres, até que chegassem aos gladiadores. Secúndulo morreu na prisão, antes mesmo de chegar à arena. Saturnino foi decapitado e os outros dois morreram durante o espetáculo.

    Por último, entraram a jovem senhora e sua companheira. Para elas, foi designada uma bezerra, que investiu primeiramente em Perpétua e em seguida avançou para Felicidade. Perpétua, após recobrar a consciência, ajudou Felicidade a se levantar. Conta-se que escorria leite daquela que amamentara apenas um dia seu filhinho recém-nascido. Elas foram retiradas da arena feridas, para serem mortas pelos gladiadores. A platéia estava exaltada. Queria mais, e exigiu que a morte fosse pública. Elas então morreram na arena, pelas espadas dos gladiadores.

    Esta história comovente certamente nos lembra a passagem bíblica que diz: “Eles, pois, venceram [Satanás] por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). Segundo Tertuliano, o sangue dos mártires é a semente da igreja. Com efeito, o sangue de Perpétua, Felicidade, Revocato, Secúndulo, Saturnino e Saturo foi a semente da igreja no Norte da África. Sua morte deveria ser um presente do imperador Severo para seu filho César Geta. Mas foi muito mais um presente para a igreja.

    Os poucos cristãos que vivem naquela região felizmente não estão mais sob o jugo opressor romano. Mas precisam da mesma ousadia e fé para “enxergar além do véu” e enfrentar os obstáculos de oposição e perseguição a que ainda estão sujeitos hoje.

    Publicado Originalmente na Revista Ultimato, edição 311 / 2008