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domingo, 14 de agosto de 2011

Anabatismo e Reforma Católica (História da Igreja VII)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 25)

TEXTO BASE: Gálatas 1:1-9

INTRODUÇÃO
A Reforma Protestante, nome que os historiadores usaram para descrever os movimentos que buscavam corrigir a Igreja do século XVI, caracteriza-se por sua complexidade, pois não houve uma tentativa homogênea de reforma, mas ocorreram diversas ‘reformas’. Assim, geralmente, tais reformas são classificadas como: (1) luteranismo; (2) a igreja reformada, também designada como calvinista, (3) a reforma radical (anabatista) e (4) a reforma católica. Os programas para a reforma da igreja diferem em relação à tradição da Igreja antiga, e dentre elas a posição anabatista é a mais extrema, justificando o seu espírito radical.

NEM CATÓLICO NEM PROTESTANTE
Por José Cristiano de Oliveira Sampaio

Os principais reformadores rejeitavam, de modo geral, as tendências anabatistas, pois viam, com razão, certos perigos advindos da negação de doutrinas cristãs fundamentais. Todavia, não podemos deixar de reconhecer que a Reforma Radical também foi um movimento de renovação espiritual e eclesiástica que, além de negar a validade do batismo infantil, tema ainda discutível, também divergia em vários pontos. Essa é uma das razões porque os radicais permaneceram à margem das igrejas protestantes territoriais. O seu principal direcionamento era uma exacerbação do Sola Scriptura. Como afirma Timothy George (1994), eles desejavam não apenas reformar a Igreja, mas restaurá-la à sua pureza anterior, apostólica; isso, às custas até mesmo das ordenanças do Senhor (batismo e ceia), como advogava Kasper Schwenckfeld, acreditando que esses sacramentos seriam irrelevantes, haja vista que são atos aparentes e não o testemunho do Espírito. Outros questionavam a trindade e os dogmas cristológicos da Igreja Patrística.

Do ramo anabatista, Menno Simons (daí o termo menonitas) foi o líder mais importante, pois era talvez o mais equilibrado naquele grupo. Menno nasceu em 1496, no que é hoje a Holanda, e foi ordenado padre aos 28 anos de idade. Era um pároco fanfarrão. Gastava muito tempo bebendo e jogando cartas. Dizia não ter lido a bíblia até dois anos após a sua ordenação, mas, como os outros reformadores, teve um encontro com a Palavra de Deus e isso, é óbvio, mudou o curso da sua vida. A partir de 1525, enquanto se organizavam as primeiras congregações anabatistas em sua pátria, desatou a questionar o dogma da transubstanciação. Ele relatou que sempre que tomava o pão e o vinho na missa, eles não eram a carne e o sangue do Senhor e pensava que o demônio estava sugerindo isso. Tal idéia o afligiu muito e foi motivo incessante de confissões e penitências. Não se pode afirmar o que fez Menno questionar a missa, porém se sabe que ele havia lido panfletos de Lutero de 1520, nos quais o reformador alemão descrevia a transubstanciação como nada mais que uma invenção humana sem nenhuma base nas Escrituras. No entanto, Menno, dissimuladamente, celebrava as missas, mesmo não lhes atribuindo o valor de sacrifício.

A ruptura definitiva de Menno com Roma demoraria alguns anos. Logo, não mais reconhecia o valor do batismo infantil, mas continuava padre. Um evento, todavia, foi crucial para a tomada de rumo que ele faria. O seu irmão, Pedro Simons, e outros trezentos anabatistas foram brutalmente mortos pelas autoridades locais, após resistirem por uma semana entrincheirados num castelo, em 1535. A partir dessa época, Menno começou a pregar abertamente contra os dogmas católicos que considerava equivocados e, durante quase um ano, tentou fazer reformas na igreja de Witmarsum. Na mesma época, pregava contra o uso da violência praticado mesmo por anabatistas, a ‘filosofia da espada’.

Para todos os radicais, o verdadeiro cristianismo constituía-se em uma experiência pessoal e individual. Nesse sentido, o novo nascimento era um pré-requisito para o batismo. Menno ensinava também que a fé era a resposta do homem a Deus e o que a caracterizaria era o verdadeiro arrependimento e não aquelas práticas externas como jejuns, peregrinações, abundantes ave-marias e pais-nossos. Ele cria que a salvação é pela graça, mas discordava dos outros reformadores quanto à predestinação e à escravidão da vontade nos termos agostinianos defendidos por Lutero e Zuínglio (não conhecia Calvino), pois, entendia que a teologia daqueles reformadores era muito fatalista.
Menno Simons cria que a Igreja de Cristo caracterizava-se por sofrer perseguição, mas não perseguir. Ninguém pode ser compelido a aceitar o Evangelho. Com efeito, o próprio Menno foi duramente perseguido durante toda a sua vida e viu dois de seus filhos e sua mulher morrerem; ele morreu de causas naturais. “Se o cabeça teve de sofrer tal tortura, angústia, miséria e sofrimento, como poderiam os seus servos, filhos e membros esperar paz e liberdade quanto à sua carne?” Essa era a convicção do reformador frente às dificuldades no mundo. De fato, o seu contexto de vida não lhe permitiu escrever extensamente uma obra sistemática sobre a fé cristã, mas o seu principal livro marca o legado desse grande homem: ‘O Fundamento da fé Cristã’ que defendia com seu verso bíblico preferido: “ninguém pode lançar outro fundamento além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.11).

Os anabatistas são os ancestrais espirituais das igrejas Batistas e Menonitas. A grande contribuição do anabatismo para a igreja evangélica foi a ênfase na conversão através do arrependimento, através de uma experiência pessoal e necessariamente genuína.

REFORMA CATÓLICA

Devido à expansão da Reforma Protestante, com constante perda de fiéis e territórios, somada a crescente insatisfação do clero e dos imperadores católicos, uma resposta era necessária ser dada ao movimento protestante.

O auge da reforma católica se deu com os papas reformistas. O primeiro deles foi Adriano VI, sucedeu-lhe Clemente VII com um governo de nove anos. Os papas Paulo III, Paulo IV, Pio V e Sixto V cobriram um período que vai de 1534 a 1590, e foram os mais zelosos reformistas que presidiram a Santa Sé desde Gregório VII.

As finanças da Igreja foram reorganizadas e os cargos foram ocupados por padres e religiosos de reconhecida fama de disciplina e foram rigorosos com os clérigos que persistiam no vício e no ócio. A ação dos papas reformistas foi completada com a convocação do Concílio ecumênico que se reuniu na cidade de Trento. Os desdobramentos do Concílio foram:

• No campo doutrinal o Concílio reafirmou, sem exceção, os dogmas atacados pela Reforma Protestante, tratando entre outros temas sobre a questão da "justificação" e, contra as teologias luterana e calvinista, ensinou e declarou que "a graça divina e a cooperação livre e meritória da vontade humana operam em conjunto a justificação do homem.", definiu-se ser verdade também a doutrina dos sete sacramentos (batismo, crisma, confissão, eucaristia, ordem sacerdotal, matrimônio e unção dos enfermos).
• O Concílio confirmou, como elementos essenciais da religião católica, como verdades absolutas (dogmas) a transubstanciação, a sucessão apostólica, a crença no purgatório, a comunhão dos santos e reafirmou-se o primado e autoridade do Papa como sucessor de São Pedro.
• No campo disciplinar procurou-se com empenho a por fim nos abusos existentes no clero, e melhorou-se substancialmente a sua formação intelectual e cultural. Um episcopado plenamente dedicado ao serviço das almas, um clero bem formado e de elevada moralidade, foram metas da legislação do concílio.
• A formação do clero se faria nos seminários - tanto cultural como espiritual e obrigou-se aos párocos a ensinar a catequese às crianças e a dar doutrina e instrução religiosa aos fiéis. Os habitantes de terras descobertas foram catequizados através da ação dos jesuítas.
• Retomou-se o Tribunal do Santo Ofício e Inquisição: para punir e condenar os acusados de heresias e todos os outros que não aceitassem a autoridade da igreja romana.

O período que se seguiu ao Concílio de Trento foi marcado por uma grande renovação da vida católica. A reforma fundada nos decretos e nas constituições tridentinas foi levada a efeito pelos papas que se sucederam. Foi criado o "Index Librorium Proibitorium" (Índice de Livros Proibidos) para evitar a propagação de idéias contrárias à fé da Igreja Católica. Todos estes livros proibidos eram queimados, a Igreja Católica proibiu-os de serem lidos. Publicou-se uma Catecismo Romano.

Também são frutos e conseqüência da Reforma Católica levada a efeito pelo Concílio a renovação da arte sacra cristã, com o surgimento do Barroco que é o estilo artístico da Reforma Católica. Portugal e Espanha levaram a fé católica para além-mar. Hoje os católicos da América Latina e das Filipinas constituem a grande reserva demográfica da Igreja e do Cristianismo.

Extraído da Wikipédia 

APLICAÇÃO
Por José Cristiano de Oliveira Sampaio

É interessante mergulhar na história dos desdobramentos da Reforma Protestante porque nos propicia fazer o currículo do movimento evangélico de hoje, com todos os seus frutos, tanto bons quanto lastimáveis. É relevante estudar hoje a Reforma Protestante, pois, a despeito dos fatores sociais, políticos, econômicos e culturais que a engendraram, aquele movimento na Igreja do século XVI foi um mover do Espírito de Deus, o que precisamente dá à Reforma um significado permanente para a Igreja de Jesus. A pergunta a fazer é: como a teologia dos reformadores pode ajudar a Igreja moderna? A Igreja do XVI vivia uma crise espiritual aguda e, com as devidas proporções, ainda é muito semelhante ao que ocorre atualmente no incongruente movimento evangélico no Brasil e no exterior.

A solução encontrada pelos reformadores foi um retorno à Palavra de Deus, Sola Scriptura. Lá encontraram respostas para as suas mais profundas questões. Ao enfatizar o Sola Gratia estavam declarando a impossibilidade de autojustificação humana diante de Deus. As obras autônomas são ineficazes, Sola Fide é o mecanismo com que Deus nos agracia para nos salvar, porque o pecado corrompeu a liberdade de escolha do homem e Aquele que nos quer salvar nos elege em sua infinita soberania; assim, a vida não é vista de forma fatalista, mas como totalmente dependente d’Ele. Solus Christus destaca o senhorio de Cristo sobre a nossa salvação e sobre o todo do universo, pois tudo foi criado por Ele e para Ele, sendo Jesus o único mediador entre Deus e os homens. Diante da inefável grandeza de Deus que nos ama, somente podemos reconhecer que só a Ele é devida a glória. Dado que um neopelagianismo e o orgulho religioso nos cercam no meio evangélico, a mensagem dos reformadores ainda é muito pertinente, Soli Deo Gloria.

MEMORIZAR VERSÍCULO
Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Gálatas 1:8.
QUESTÕES
Quais as divergências dos reformadores com os anabatistas?
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Qual foi a reação da igreja Católica frente aos desdobramentos da Reforma Protestante?
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Como esses movimentos de “correção” reformaram a Igreja?
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Como a teologia dos reformadores pode ajudar a Igreja moderna?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• Textos de José Cristiano de Oliveira Sampaio escritos especialmente para a comemoração da Reforma Protestante no ano de 2010. Publicados originalmente no boletim da Igreja Esperança/BH.

• Movimento Reformado, por Alderi de Souza Matos. Universidade Mackenzie 
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.
• Wikipédia - Contra-Reforma Católica <http://pt.wikipedia.org/wiki/Contrarreforma>

domingo, 24 de julho de 2011

SOLUCIONANDO CONFLITOS

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 22)


TEXTO BASE: Atos 15:1-16:5

Conflitos entre os cristãos é uma das coisas mais difíceis que enfrentamos. A opinião de algumas pessoas a respeito do Cristianismo foi drasticamente afetada como resultado de divisões na Igreja ou por causa de amigos cristãos que não se falam.
Felizmente a Bíblia não se cala a respeito de conflitos. Ela ensina muito sobre como lidar com conflitos e diferenças de idéias de modo peidoso. Atos 15 é uma dessas passagens. A questão vital de como crentes gentios seriam recebidos na comunidade cristã começou a surgir na mente dos cristãos judeus. Essa questão, se desprezada, poderia ter dividido a Igreja. Há muitas discussões como essa nos dias de hoje, e o concílio de Jerusalém apresenta excelente modelo para resolver nossas diferenças.

“Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus".
Atos 15:11

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

domingo, 19 de junho de 2011

Decadência e tentativas de renovação na Igreja Ocidental (História da Igreja V)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 17)


TEXTO BASE: Jeremias 29:11-14a

INTRODUÇÃO
Os dois séculos que antecederam a Reforma Protestante foram marcados por um período de declínio do poder papal e uma constante insatisfação com a moralidade dos clérigos, somado a isso o crescente distanciamento das Escrituras. Nesta aula veremos os eventos antecederam as profundas reformas religiosas no Cristianismo do século XVI, um verdadeiro renovo na fé da Igreja Ocidental.

TENTATIVAS DE REFORMA INTERNA
Durante os anos de 1305 e 1517 d.C., vários movimentos surgiram na tentativa de reformar a Igreja Ocidental. Destaca-se a volta do misticismo, os pré-reformadores e os concílios realizados na expectativa de uma renovação moral dentro da Igreja Romana.

Os místicos
A volta do misticismo em momentos que a Igreja descamba para o formalismo testemunha o desejo do coração humano de entrar em contato direto com Deus no ato do culto, em vez de participar passivamente de atos de culto friamente formal celebrados pelo sacerdote. O místico deseja um contato direto com Deus pela intuição imediata ou pela contemplação.

O escolasticismo contribuiu para o surgimento do misticismo porque ressaltava a razão em detrimento da natureza emocional do homem, sendo uma reação contra essa tendência racionalista. O movimento buscava o desenvolvimento de uma espiritualidade pessoal, menos litúrgica, uma adoração comunitária participativa e que incluísse os leigos.

Os perigos da substituição da Bíblia pela autoridade interior subjetiva e da minimização da doutrina foram alguns dos desvios desses movimentos.

Os precursores da reforma
Os místicos tentaram tornar pessoal a religião, mas os reformadores bíblicos e nacionalistas, como Wycliffe, Huss e Savonarola, empenharam-se mais numa tentativa de retorno ao ideal de Igreja representado no Novo Testamento.

João Wycliffe (1328-1384) estudou e ensinou em Oxford a maior parte de sua vida. Até 1378, queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de suas propriedades que, segundo ele, era a fonte da corrupção. A partir de 1979, ele começou a opor-se aos dogmas da Igreja Romana com idéias revolucionárias – atacou a autoridade do papa (era Cristo e não o papa o chefe da Igreja), afirmou que a Bíblia e não a Igreja era a autoridade única para o crente, e que a Igreja Romana deveria se amoldar ao padrão da Igreja do Novo Testamento. Para apoiar essas idéias, Wycliffe tornou a Bíblia acessível ao povo em sua própria língua (em 1382 ele terminou a primeira tradução completa do Novo Testamento para o inglês, e Nicolau de Hereford terminou a tradução do Antigo Testamento em 1384), o que possibilitou os ingleses lerem a Bíblia toda em sua própria língua.

Outra medida de Wycliffe foi contestar o dogma da transubstanciação. Ele defendia que Cristo estava espiritualmente presente na eucaristia e isto era percebido pela fé. Se adotada, a idéia de Wycliffe significaria que o sacerdote não mais reteria a salvação de alguém por ter em suas mãos o corpo e o sangue de Cristo na Santa Ceia.

As idéias de Wycliffe foram condenadas em 1382 e em 1401 todos os pregadores adeptos as idéias de Wycliffe (os lolardos) receberiam a pena de morte como castigo quando perseverassem nesses ensinos contrários a Igreja Romana.

 
João Huss (1373-1415), originário da Boêmia, foi pastor da Capela de Belém de 1402 a 1414, e adepto das idéias de Wycliffe. Suas pregações e ensinos reformistas coincidiram com o sentimento nacionalista boêmio contra o controle da Boêmia pelo Sacro Império Romano. Convocado para comparecer no Concílio de Constança, as idéias de Huss foram condenadas, e como ele se recusou a se retratar, foi queimado na fogueira por ordem do Concílio em 6 de julho de 1415.

Os concílios reformadores
Os líderes dos concílios do século XV procuraram fazer a reforma pela criação de uma liderança eclesiástica que representasse os leigos, numa tentativa de eliminar os líderes eclesiásticos corruptos. Os concílios não acentuaram o valor da Bíblia como defendiam Huss e Wycliffe, pelo contrário, suas idéias foram condenadas e João Huss condenado à morte.

Frente aos insucessos dos 3 concílios (Pisa – 1409, Constança – 1414-1418 e Florença-1449) em reformar a Igreja Romana, a reforma protestante tornara-se inevitável.

PRESSÕES EXTERNAS
Apesar de ser um movimento religioso mais do que qualquer outra coisa, o seu contexto a marcou profundamente.

Renascença
A Renascença, que teve lugar em importantes países da Europa entre 1350 e 1650, marca a transição da era medieval para o mundo moderno. Esse período pode ser definido como aquele de reorientação cultural em que os homens trocaram a compreensão corporativa, religiosa e medieval da vida por uma visão individualista, secular e moderna. A concepção teocêntrica medieval do mundo, em que Deus era a medida de todas as coisas, foi substituída por uma interpretação antropocêntrica da vida, em que o homem se tornara a medida de todas as coisas. As classes médias se tornaram mais importantes do que a velha sociedade agrária rural do período feudal. O comércio passou a ter mais importância do que a agricultura como meio de subsistência. Adotou-se uma forma humanista, otimista e experimental de ver as coisas desta vida.

Surgimento das nações estado e da classe média
Novas cidades e a crescente influência dos comerciantes (burguesia) e o desassossego dos camponeses prenunciavam o fim do feudalismo. Contribuiu para esse processo também o nacionalismo, com o enfraquecimento da nobreza e a centralização da autoridade nas mãos dos reis. Assim, nasceram fortes estados nacionais (como por exemplo, Inglaterra, França e Espanha) que resistiam às pretensões absolutistas do Papa.

Invenção da imprensa
A invenção do tipo mecânico móvel para impressão, por João Gutenberg (1398-1468), começou a revolução da imprensa e é amplamente considerado o evento mais importante do período moderno. Teve um papel fundamental no desenvolvimento da renascença, reforma e na revolução científica e lançou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e a disseminação da aprendizagem em massa.





APLICAÇÃO
Jeremias se destacou entre os profetas hebreus por causa da dimensão em que revelou seus sentimentos pessoais, um coração turbulento e angustiado devido a dureza de coração da sua geração.

O livro de Jeremias se destaca pelo choro de um profeta que percebe uma nação obstinada pelo mal e distante de Deus, que não se arrepende e não ouve a sua pregação. Diante a iminente e certa destruição de Judá, o profeta se apega as promessas de restauração do Senhor, a Sua fidelidade e lembra que Deus é o Senhor da história.

Jeremias nos lembra desse ministério profético que nós cristãos temos, o ministério de denunciar o mal e não se conformar a ele, ainda que muitos tenham se contaminado e até mesmo a igreja tenha o seu discurso comprometido pela corrupção. Somos convocados para seguir a Cristo e servi-Lo, independentemente das circunstâncias que nos cercam. Da mesma forma, a vida de João Wycliffe e João Huss nos traz a memória essa firmeza e compromisso com a Palavra de Deus, ainda que tenham vivido dias difíceis.

QUESTÕES
Quais os problemas que a Igreja Romana enfrentava?
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Como os místicos queriam reformar a Igreja?
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Qual o perigo de uma reforma sem as Escrituras?
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Por que você acha que Wycliffe e Huss estavam tão seguros das suas idéias?
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Como a Igreja deve enfrentar as mudanças que acontecem no mundo?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 20 de março de 2011

Igreja Imperial - (História da Igreja 2)

Por Pedro Paulo Valente
Blog do Pedro

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 6)

TEXTO BASE: João 17

INTRODUÇÃO
Chegamos num período da história no qual a Igreja passará de perseguida pelo Império Romano à religião oficial do Estado. Durante o período de 313 a 590 d.C. o Cristianismo passará por um momento de desenvolvimento doutrinário através de diversos concílios realizados, do desenvolvimento de uma filosofia cristã e da influência Igreja nos assuntos políticos do Estado.
Nesta época a fé cristã também se espalhará entre os bárbaros através de diversos movimentos missionários nas fronteiras do Império Romano.

SITUAÇÃO HISTÓRICA
O Império Romano começou a se enfraquecer frente aos constantes ataques bárbaros, paralelamente o número de cristãos cada vez aumentava mais. O imperador vigente, Constantino (247-337), filho de mãe cristã (Helena), descobriu no cristianismo uma possibilidade de promover uma unidade em torno da fé cristã para salvar a cultura clássica e o Império frente aos ataques e a iminente desintegração que o ameaçava.
Uma série de políticas de favorecimento a Igreja começou a entrar em ação, iniciando com o Édito de Milão (313), no qual foi concedida liberdade de culto a Igreja, seguido de diversos outros editos como a recuperação dos bens confiscados durante as perseguições promovidas por Diocleciano (303 e 305), isenção do clero do serviço público, auxílio a Igreja pelo Império, entre outros.
Constantino ainda promoveu o Concílio de Nicéia para fortalecer a unidade da Igreja e por fim a disputas teológicas, principalmente sobre as questões da divindade de Cristo e a natureza da Trindade.
Porém, foi no governo de Teodósio, entre 380-381 que foi proclamado o edito que tornou o cristianismo a religião oficial do Império, e em 392 o Edito de Constantinopla que proibia o paganismo e tornando o cristianismo a religião exclusiva do Império.
Neste período, o cristianismo elevou o nível moral da sociedade ao ponto de a dignidade da mulher ser reconhecida, os espetáculos de gladiadores serem abolidos, os escravos receberem melhor tratamento, a legislação romana tornar-se mais justa e o avanço da obra missionária ter aumentado. Entretanto, houve também desvantagens, dentre as quais podemos destacar a interferência do governo em assuntos espirituais e teológicos da Igreja, o cristianismo ter se tornado um arrogante perseguidor do paganismo e o surgimento de hierarquia na Igreja a partir do bispo de Roma, concedendo a ele privilégios e poderes, dando subsídios para o desenvolvimento do papado.

O DESENVOLVIMENTO DOUTRINÁRIO
O período de 313-451 foi marcado por grandes controvérsias teológica, que resultaram em 7 concílios universais de líderes da Igreja para resolver os conflitos (Nicéia em 325, Constantinopla em 381, Éfeso em 431, Calcedônia em 451, II Constantinopla em 553, III Constantinopla em 680-681 e II Nicéia em 787). Esses concílios fizeram grandes formulações universais como os credos e estabeleceram os principais dogmas da Igreja Cristã.






A relação entre as pessoas da Trindade
A controvérsia era basicamente em torno da divindade de Cristo, e o primeiro concílio foi organizado para discutir a questão (Nicéia, 325), com a presença de mais de 250 bispos da Igreja.
Ário era um dos líderes que defendia que Cristo era divino, mas não Deus. E foi Atanásio (296-373), que com menos de 30 anos defendeu a idéia de que Cristo existiu desde a eternidade com o Pai e era de mesma essência com o Pai, embora fosse uma personalidade distinta. Ele insistia nessa interpretação porque cria que, se Cristo fosse menor do que ele mesmo afirmava ser, não poderia ser o Salvador dos homens.
Já o concílio de Constantinopla (381) condenou as idéias de Macedônio, que ensinava que o Espírito Santo era “ministro servo” no mesmo nível dos anjos. Isso era uma negação da verdadeira divindade do Espírito Santo.
É importante lembrar que o conceito da Trindade não foi elaborado nos concílios, pelo contrário, inclusive o vocabulário trinitário já havia sido criado por Tertuliano (160-220), mas foram discutidos e ratificados pela Igreja em defesa da fé cristã e em prol da unidade da Igreja.

Controvérsias sobre a relação entre as naturezas de Cristo
Várias controvérsias surgiram sobre as duas naturezas de Cristo. Alguns costumavam dar ênfase na divindade de Jesus enquanto outros valorizavam a sua humanidade. A pesar de dois concílios (Éfeso e Calcedônia) já terem condenado essas doutrinas, foi apenas no III concílio de Constantinopla (380-381) que a questão foi finalmente resolvida.
O concílio estabeleceu que Cristo era completo em sua divindade e completo em sua humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, tendo duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. Sendo que ambas as vontades, humana e divina, existiram em Cristo, a primeira se submetendo a segunda.

O processo da Salvação do homem
Agostinho (354-430) e Pelágio (360-420) tiveram um embate defendendo diferentes visões sobre o processo de salvação do homem. Pelágio defendia que a vontade humana tem um papel no processo de salvação, enquanto Agostinho havia descoberto que a vontade humana era insuficiente para livrá-lo do pântano onde se encontrava por causa do seu pecado.
Para Pelágio, todo homem é criado livre como Adão, tendo, portanto, a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Cada alma é uma criação individual de Deus, não herdando por isso a contaminação do pecado de Adão. O homem não herda o pecado original de seu primeiro pai, sendo a vontade livre para cooperar com Deus no processo de salvação e santificação.
Agostinho se opôs ao que ele cria por considerar isto uma negação da graça de Deus, afirmando que a regeneração é uma obra exclusiva do Espírito Santo. O homem foi feito originalmente à imagem de Deus e livre para escolher o bem e o mal, mas o pecado de Adão atingiu a todos os homens, porque Adão era o pai da raça humana. A vontade do homem está totalmente corrompida pela queda, razão pela qual ele pode ser considerado totalmente depravado e incapaz de usar a sua vontade no que diz respeito ao problema da salvação. A salvação vem somente para os eleitos através da graça de Deus em Cristo.
As idéias de Pelágio foram condenadas no concílio de Éfeso (431). A Reforma Protestante também reafirmou a posição de Agostinho, embora até hoje ainda haja muito embate entre o conceito de eleição e livre-arbítrio.

O CRISTIANISMO NOS MOSTEIROS

Imagem: O Mosteiro da Batalha ou Mosteiro de Santa Maria da Vitória, é desde 2007 classificado pela UNESCO como Património da Humanidade e a em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das 7 maravilhas de Portugal.

Vários fatores contribuíram para o surgimento do monasticismo dentro da Igreja. Vejamos alguns motivos:


1. A doutrina dualista sobre a carne e o espírito, com sua tendência a considerar a carne má e o espírito bom. A fuga do mundo, segundo se pensava, ajudava a pessoa a crucificar a carne e desenvolver a vida espiritual.
2. O elevado número de pessoas que se converteram a fé cristã e não foram devidamente discipuladas, contribuiu para trazer a igreja muitas práticas pagãs, causando a revolta de alguns. Associado a isso, acrescenta-se a decadência moral presente na igreja, na qual seus opositores enxergavam no monasticismo uma crítica à sociedade da época.

Os mosteiros desenvolveram técnicas sofisticadas para a agricultura, proporcionaram educação de nível superior e serviram de refúgio para aqueles que necessitavam de cuidado.
Entretanto também deixaram muito débito a se considerar. Muitos se isolaram e deixaram de contribuir com o mundo, favorecendo a arrogância espiritual e uma experiência de fé individual.

A IGREJA CATÓLICA ROMANA
Devido às preocupações com heresias e cismas na Igreja, o conceito de bispo monárquico foi se fortalecendo na Igreja, destacando-se 3 bispados proeminentes: Alexandria, Roma e Antioquia.
Bispo monárquico era aquele que liderava um grupo de pastores de uma determinada região.
Embora o sistema de governo criado pela Igreja visava manter a integridade da doutrina dos apóstolos, ele fortaleceu a concentração de poder sobre o bispo da capital do Império (Roma) no momento que o Cristianismo passou a ser a religião oficial do Império.
No ano de 590, Gregório I assumiu o trono episcopal de Roma e tornou-se o primeiro Papa da agora fortalecida Igreja Católica Romana, assumindo tanto o poder sacro quanto o régio, porque agora os governadores deveriam se submeter ao papa.

APLICAÇÃO
A oração sacerdotal de Jesus pelos seus discípulos (João 17) é bem propícia para refletirmos sobre esse período da história e reconhecer que esta oração tem se cumprido, além de nos ensinar muito sobre a obra de Deus.
Jesus nos lembra que a obra que Ele começou agora é destinada a nós, para que unidos por meio da Igreja possamos testemunhar da nossa fé. Essa unidade requer fé genuína e compreensão de que Jesus é Senhor, um com o Pai antes da fundação do mundo.
Ao mesmo tempo somos advertidos de que não pertencemos a esse mundo, e esse é um dos perigos que a Igreja enfrenta, o perigo de ser seduzida pelo poder desse mundo. Quando isso ocorre, confundimos nossa missão e corremos sério risco de perder Jesus de vista.

QUESTÕES
Observando a história do cristianismo, você acredita que ele contribui positivamente para transformar uma sociedade?
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Como o conhecimento das controvérsias teológicas da Igreja pode contribuir para a sua fé hoje?
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Quais as contribuições dos mosteiros e dos monges para a Igreja?
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Quais os perigos que você enxerga na associação da Igreja com o Estado?
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Você acha que o cristão deve se envolver com política? Por quê?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• McGrath, Alister E. Sistemática, Histórica e Filosófica. Uma Introdução a Teologia Cristã, São Paulo 2005. Shedd Publicações.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.