sábado, 19 de novembro de 2011

Pacto de Lausanne


SUMÁRIO

Introdução
1. O Propósito de Deus
2. A Autoridade e o Poder da Bíblia
3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo
4. A Natureza da Evangelização
5. A Responsabilidade Social Cristã
6. A Igreja e a Evangelização
7. Cooperação na Evangelização
8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização
9. Urgência da Tarefa Evangelística
10. Evangelização e Cultura
11. Educação e Liderança
12. Conflito Espiritual
13. Liberdade e Perseguição
14. O Poder do Espírito Santo
15. O Retorno de Cristo
Conclusão
INTRODUÇÃO


Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.



1. O Propósito de Deus

Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.



2. A Autoridade e o Poder da Bíblia

Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.



3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo

Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se ofereceu a si mesmo como único resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e os homems. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como "o Salvador do mundo" não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.



4. A Natureza da Evangelização

Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.



5. A Responsabilidade Social Cristã

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.



6. A Igreja e a Evangelização

Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.



7. Cooperação na Evangelização

Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.



8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização

Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua efetividade como parte da missão da igreja.



9. Urgência da Tarefa Evangelística

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.



10. Evangelização e Cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.



11. Educação e Liderança

Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiáticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.



12. Conflito Espiritual

Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e postestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano. A igreja deve estar no mundo; o mundo não deve estar na igreja.



13. Liberdade e Perseguição

É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem quaisquer interferências. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que têm sido injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Nós não nos esquecemos de que Jesus nos previniu de que a perseguição é inevitável.



14. O Poder do Espírito Santo

Cremos no poder do Espírito Santo. O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.



15. O Retorno de Cristo

Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.



CONCLUSÃO

Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!
[Lausanne, Suíça, 1974]

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A NECESSIDADE DE UMA NOVA REFORMA



A Reforma protestante é mais do que um acontecimento histórico restrito à Europa do século 16. Seus questionamentos ainda são aplicáveis aos dias atuais.

Para falar da Reforma protestante é preciso falar de Martinho Lutero, “o gigante da Reforma”. Ele era monge da Ordem de Santo Agostinho e estudioso da teologia e das Sagradas Escrituras. O cenário religioso em que ele vivia o incomodava: via de regra, a religião não passava de adoração externa e física, baseada em símbolos sagrados, mas com pouca ou sem nenhuma importância para a vida pessoal do povo que se dizia cristão; muitos se diziam adoradores de Deus, mas o negavam por meio de suas obras. Proclamavam a existência de Deus, mas viviam como se ele não existisse. No geral, Deus não era adorado nem “em espírito”, nem “em verdade” (João 4.23-24).

Havia algo em especial que deixava Lutero indignado: a venda de indulgências (o perdão da punição pelos pecados). Naqueles dias, era comum a crença de que, depois da morte, as almas não totalmente purificadas de seus pecados tinham de sofrer por um tempo no purgatório. Entretanto, seus familiares poderiam abreviar essas aflições por meio de “cartas de indulgência” ou de perdão concedidas pelo papa. Havia também a possibilidade de alguém comprar o perdão em vida como uma espécie de seguro depois da morte ou de pecados futuros. Como obtê-las? Pagando por elas. Havia muitos vendedores de indulgências nos dias de Lutero. Era uma atividade bastante lucrativa. Esse negócio financiava projetos megalomaníacos de um clero cada vez mais corrompido pela ganância, pela ostentação e pelo amor ao dinheiro.

Lutero decidiu agir. Em 31 de outubro de 1517, ele se dirigiu à Abadia de Wittenberg, na Alemanha, e seguiu uma prática comum entre os acadêmicos de seus dias: apresentar, sustentar e defender teses (enunciados) em público. Ele expôs 95 teses, com as quais procurou discutir e questionar os mandos e desmandos por parte do papa e do clero na venda de indulgências. Ele queria discutir essas teses e promover o debate dessas ideias.

O impacto dessas teses tomou proporções inimagináveis e afetou grandemente a Europa desde então. Lutero desejava incentivar uma reforma, não uma rebelião na Igreja, mas os cismas foram inevitáveis.

Se você nunca leu essas teses, faça isso imediatamente. Elas são facilmente encontradas na Internet. A título de exemplo, eis 12 dessas teses:
Quando Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre, disse "Arrependei-vos", certamente queria que toda a vida dos seus crentes na terra fosse de contínuo arrependimento.
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda espécie de modificações da carne.
O papa não pode perdoar dívida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus.
24ª
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando se o homem singelo com as penas pagas.
27ª
Pregam futilidades humanas quantos alegam que a alma se vai do purgatório no momento em que a moeda soa ao cair no gazofilácio.
28ª
Certo é que no momento em que a moeda soa no gazofilácio o lucro vem e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; porém, somente a ajuda ou a intercessão da Igreja correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
46ª
Deve-se ensinar aos cristãos que se não tiverem fartura, fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
50ª
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos pregadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
52º
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.
54ª
Esperar ser salvo mediante cartas de indulgência é inutilidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
86ª
Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer homem rico, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?
92ª
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

Tudo isso foi dito no século 16, no seio da Igreja Romana. Mas algumas dessas teses poderiam ser adaptadas ao atual cenário evangélico. Uma breve analogia revela a veracidade dessa afirmação.
24ª
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas de prosperidade financeira, impressionando-se o homem singelo com as riquezas desses pregadores.
27ª
Pregam futilidades humanas quantos alegam que o crente prosperará no momento em que a moeda soa ao cair no gazofilácio, em que ele fizer sacrifícios financeiros e barganhar com Deus.
28ª
Certo é que no momento em que a moeda soa no gazofilácio o lucro vem para esses pregadores e o amor ao dinheiro cresce e aumenta.
50ª
Deve-se ensinar aos cristãos que se os pastores que pregam a teologia da prosperidade financeira levassem a Palavra de Deus a sério, eles prefeririam ver seu império religioso ser reduzido a cinzas a ser edificado com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
52º
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo ao dinheiro ou às palavras de autoajuda do que à pregação da Palavra do Senhor.
86ª
Ainda: Por que muitos pastores e apóstolos, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer milionário, não prefere edificar seus templos gigantescos e suntuosos de seu próprio bolso em vez de fazê-lo com o dinheiro de fiéis pobres?
92ª
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Prosperidade! Prosperidade!, quando só há prosperidade real para eles.

A comunidade evangélica, com boas exceções, tem se rendido à Teologia da Prosperidade. Como escrevi no prefácio à segunda edição do livro Supercrentes (Mundo Cristão), do pastor Paulo Romeiro, a aplicação dessa teologia tem produzido líderes ricos, poderosos e gananciosos, e cada vez mais distanciados da simplicidade de Cristo, enxergando a vida piedosa como meio de ganho. Ávidos pelo poder, criaram megaigrejas, compraram mansões, tornaram-se celebridades. O poder os corrompeu. Essa teologia não produziu crentes melhores, mas crentes doentes, confusos e em eterno conflito, pois estes não veem os resultados práticos da aplicação dos princípios que fazem de seus líderes o que eles mesmos gostariam de ser.

Estamos vivendo um período como o que deu origem à Reforma, mas desta vez no meio evangélico. Alas da Igreja evangélica estão cada vez mais sedentas e possuídas pelo poder político e pelas coisas do mundo. Alianças políticas são traçadas a fim de atingir esses objetivos. Eles financiam “Marchas para Jesus” com o intuito de se prostituírem com os poderosos e obterem favores políticos e financeiros. Valem-se das boas intenções de eventos desse tipo para alcançarem seus objetivos nefastos. Muitos afirmam que querem "O Brasil para o Senhor Jesus", mas suas práticas revelam que querem o Brasil do Senhor Jesus.

A mídia, infelizmente, vem se fartando com a quantidade de matéria-prima na área ética produzida por uma liderança corrompida. Foi-se o tempo em que a designação "evangélico" era símbolo de seriedade e respeito. Hoje, é motivo de chacota. É lamentável e vergonhoso ver líderes religiosos sendo acusados de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, entre outras práticas dessas categorias. Os exemplos pululam por aí.

Precisamos orar para que surja uma geração de novos Luteros, de gente que pensa antes de dar aceitação a qualquer nova doutrina ou a qualquer novo líder, por mais carismático que seja. Que surja a geração do "ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom" (1Ts 5:21; NVI) e do "não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus..." (1Jo 4:1; NVI).

Que o espírito da Reforma não morra por nossa covardia nos calabouços da Teologia da Prosperidade, das práticas supersticiosas (sal grosso, rosa ungida, óleos milagrosos, lágrimas curativas etc.), dos falsos mestres, apóstolos, pastores, primazes, bispos e missionários (seja qual for a nomenclatura que adotem), que tosquiam seus rebanhos para financiar o culto aos seus egos e sua vida luxuosa.

Mas não podemos olhar para a Reforma pensando apenas nos outros. Precisamos também nos avaliar. Aproveitemos também o momento para refletir nos aspectos de nossa vida que necessitam de reforma. Como anda nosso padrão de vida no Senhor? Estamo-nos parecendo cada vez mais com Jesus? Nosso caráter tem sido moldado à imagem de Cristo? Temos cultivado as disciplinas espirituais, as quais nos conduzem a um estilo de vida que agrada a Deus, como a oração e a leitura da Palavra? Estamos sendo fiéis mordomos, administrando corretamente nossos dons, nossas paixões e nossa personalidade? Estamos lutando contra as tentações, enfrentando os perigos do dinheiro, do sexo e do poder? (Para ajudar nessa tarefa, quero lhe recomendar o livro “Elementos essenciais da liderança: visão, influência, caráter”, de Greg Ogden e Daniel Meyer, publicado pela Editora Vida).

 Aldo Menezes é Presbítero na Diocese do Recife; editor de teologia e filosofia; sendo clérigo na Região Eclesiástica 1, no Arcediagado PB/RN da Diocese.

domingo, 13 de novembro de 2011

MADRE TERESA DE CALCUTÁ (Biografia VIII)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 35)

“Não sou nada; sou apenas um instrumento, um pequeno lápis nas mãos do Senhor, com o qual Ele escreve aquilo que deseja. Por mais imperfeitos que sejamos, Ele escreve magnificamente.” 

TEXTO BASE: Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37)

VIDA
Agnes Gonxha Bojaxhiu, a futura madre Teresa, nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, Macedônia, de una família de origem albanesa. O pai, respeitado homem de negócios, morreu quando ela tinha oitos anos, deixando a mãe de Agnes na condição de ter que abrir uma atividade de bordado e fazenda para poder manter a família. Depois de ter transcorrido a adolescência empenhada fervorosamente nas atividades paroquiais, Agnes deixou a sua casa em setembro de 1928, entrando no convento de Loreto a Rathfarnam, (Dublin), Irlanda, onde foi acolhida como postulante no dia 12 de outubro e recebeu o nome de Teresa, como a sua padroeira, Santa Teresa de Lisieux. 

Agnes foi enviada pela congregação de Loreto para a Índia e chegou em Calcutá no dia 6 de janeiro de 1929. Tendo apenas chegado lá, entrou no noviciado de Loreto, em Darjeerling. Fez a profissão perpétua como irmã de Loreto no dia 24 de maio de 1937, e daquele dia em diante foi chamada Madre Teresa. Quando viveu em Calcutá durante os anos 1930-40, ensinou na escola secundária bengalês, Sta Mary. 

No dia 10 de setembro de 1946, no trem que a conduzia de Calcutá para Darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “a chamada na chamada”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade, Irmãs, Irmãos, Padres e Colaboradores. O conteúdo desta inspiração é revelado no objetivo e na missão que ela teria dado ao seu novo Instituto: “Saciar a infinita sede de Jesus sobre a cruz de amor e pelas almas, trabalhando para a salvação e para a santificação dos mais pobres entre os pobres”. No dia 7 de outubro de 1950, a nova congregação das Missionárias da Caridade foi instituída oficialmente como instituto religioso pela Arquidiocese de Calcutá. 

Ao longo dos anos 50 e no inicio dos anos 60, Madre Teresa estendeu a ação das Missionárias da Caridade para toda a Índia. No dia 1 de fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontifício. A primeira casa de missão aberta fora de Calcutá foi a Cocorote na Venezuela em 1965. A congregação se expandiu em toda a Europa (na periferia de Roma, a Torre Fiscale) e na África (em Tabora capital da Tanzânia) em 1968. 

Do final dos anos 60 até 1980, as Missionárias da Caridade cresceram em número de casas de missão abertas em todo o mundo, e também em número dos seus membros. Madre Teresa abriu fundações na Austrália, no Vizinho Oriente, na América do Norte, e o primeiro noviciado fora de Calcutá em Londres. Em 1979 Madre Teresa recebeu o Premio Nobel pela Paz. No mesmo ano já existiam 158 casas de missão. 

As Missionárias da Caridade chegaram aos países comunistas em 1979, abrindo uma fundação em Zagabria, na Croácia, e em 1980 em Berlim. Continuaram a estender a sua missão nos anos 80 e 90 abrindo casas em quase todos os países comunistas, incluindo 15 fundações na ex-União Soviética. Não obstante os repetidos esforços, Madre Teresa não pode abrir nenhuma fundação na China. 
Em outubro de 1985 Madre Teresa falou no quadragésimo aniversário da Assembléia Geral das Nações Unidas. Na vigília de Natal do mesmo ano, abriu em Nova York o “Dom de Amor”, a primeira casa para os doentes de AIDS. 

No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre Teresa continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades. Foram fundadas novas comunidades na África do Sul, Albânia, Cuba e Iraque, que estava dilacerado por causa da guerra. Em 1997 as irmãs eram cerca de 4000, presentes em 123 países do mundo nas mais ou menos 600 fundações.  

Depois de ter viajado por todo o verão a Roma, New York e Washington, em condições de saúde delicadas, Madre Teresa voltou a Calcutá em 1997. Às 9h30 da noite do dia 05 de setembro de 1997, ela morreu na Casa Geral. O seu corpo foi transferido para a Igreja de São Tomas, adjacente ao Convento de Loreto, exatamente onde tinha chegado 69 anos antes. Centenas de milhões de pessoas de todas as classes sociais e de diferentes religiões da Índia e do exterior lhe renderam homenagem. No dia 13 de setembro recebeu o funeral de Estado e o seu corpo foi conduzido em um longo cortejo através as estradas de Calcutá, sobre uma carreta de canhão que tinha trazido também os corpos de Mohandas Gandhi Jawaharlal Nehru. Chefes de Nações, primeiros Ministros, Rainhas e enviados especiais chegaram para representar os países de todo o mundo. 


Relembre a história de vida da Madre Teresa de Calcutá - Parte 1 


Relembre a história de vida da Madre Teresa de Calcutá - Parte 2 

MISSIONÁRIAS DA CARIDADE 
Em meados de 1950, Madre Teresa foi autorizada pelo Papa Pio XII a iniciar uma ordem religiosa, que deveria, segundo o Vaticano, se chamar Congregação Diocesana de Calcutá. A principal missão da ordem seria de cuidar dos "pobres, necessitados, doentes e excluídos do meio social". A ordem foi finalmente fundada em Calcutá, cidade que acolheu Madre Teresa em sua vida religiosa, com apenas 12 membros. Com o apoio do governo indiano, Madre Teresa reformou um templo hindu e o transformou num abrigo para desabrigados e doentes. Madre Teresa também abriu um centro de tratamento de leprosos em Titagarh. 

Em 1965, o Papa Paulo VI autorizou Madre Teresa a expandir o projeto em outros países. A congregação experimentou, então, rápido crescimento e Madre Teresa pôde abrir várias comunidades em todo o mundo. O primeiro país a receber as Missionárias foi a Venezuela, sendo seguida pela Itália e Tanzânia. A primeira filial na América do Norte foi aberta no Bronx, na cidade de Nova Iorque. 

Hoje a ordem conta com A ordem tem cerca de 4500 membros em 133 países do globo. 

PENSAMENTOS 
  • É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado. 
  • O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá. 
  • Mais nos aproximamos de Deus e mais percebemos a gravidade dos nossos defeitos. 
  • Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor. 
  • O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso. 
  • Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda. 
  • Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor. 
  • As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável. 
  • Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las. 
  • Não é o que você faz, mas quanto amor você dedica no que faz o que realmente importa. 
  • A falta de amor é a maior de todas as pobrezas. 
  • A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração. 
  • O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o. 
  • É uma grande virtude considerar todos melhores que nós. 
  • A oração torna nossos corações transparentes e só um coração transparente pode escutar a Deus ! 
  • Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiracão, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação. 
  • Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. 
  • Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos! Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz 
  • Se aceitarmos que uma mãe mate seu filho dentro do próprio ventre, como poderemos impedir que as pessoas matem umas as outras? 

ASSIM MESMO 
Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil, assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.

O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem Paz e é Feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja Feliz assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja que, no final das contas, é entre você e DEUS.
Nunca foi entre você e as outras pessoas.

ORAÇÃO
Mantenha seus olhos puros para que Jesus possa olhar através deles.
Mantenha sua língua pura para que Jesus possa falar por sua boca.

Mantenha suas mãos puras para que Jesus possa trabalhar com suas mãos.
Mantenha sua mente pura para que Jesus possa pensar seus pensamentos em sua mente.

Mantenha seu coração puro para que Jesus possa amar com seu coração.
Peça a Jesus para viver sua própria vida em você porque:

Ele é a Verdade da humildade.
Ele é a Luz da caridade.
Ele é a Vida da santidade. 

APLICAÇÃO
Madre Teresa foi uma missionária entre os pobres, alguém que conseguiu encarnar o bom samaritano da parábola contada por Jesus (Lucas 10). Ela conseguiu amar o próximo e contagiar outros para obedecerem à lei régia (a lei do Reino) – amar o próximo como a si mesmo (Tiago 2:8), quem conseguiu olhar para o próximo que sofria e enxergar dignidade, valor, a imagem do próprio Deus refletida no homem por maior que seja a sua miséria e assim responder com misericórdia (Mateus 25:31-46).

A vida de Teresa de Calcutá é uma inspiração e exemplo de que é possível viver bem e amar o próximo em nossa geração. 

Filme completo sobre a vida de Madre Teresa



MATERIAL UTILIZADO 

domingo, 6 de novembro de 2011

POLÍTICA E RELIGIÃO

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 34)


TEXTO BASE: Atos 20:1-21:17

O futuro do evangelho estava em risco, com forças poderosas lutando contra e a favor. De um lado, os perseguidores judeus eram preconceituosos e violentos. Do outro, os romanos tinham as mentes abertas e foram além da expectativa para manter os padrões da lei, da justiça e da ordem, dos quais os seus líderes compreensivelmente tinham orgulho.

Entre essas duas forças, religiosa e civil, hostil e amistosa, Jerusalém e Roma, Paulo se viu cercado, desarmado e totalmente vulnerável. Não se pode deixar de admirar a coragem, especialmente quando ficou em pé encarando uma multidão zangada contra ele, sem outro poder além da Palavra e do Espírito de Deus. A fonte de sua coragem era sua serena confiança na verdade. Saber que seu Salvador e Senhor estava com ele e cumpria a promessa de que, algum dia, de algum modo, ele daria testemunho em Roma.
""Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade...” Efésios 2:13-14

A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott

domingo, 23 de outubro de 2011

Martin Luther King (Biografia VII)

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 33)



"O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício."

Quem foi?

Martin Luther King, Jr. foi um importante pastor evangélico e ativista político norte-americano. Lutou em defesa dos direitos sociais para os negros e mulheres, combatendo o preconceito e o racismo. Defendia a luta pacífica, baseada no amor ao próximo, como forma de construir um mundo melhor, baseado na igualdade de direitos sociais e econômicos.

Biografia
·      Marthin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929 na cidade de Atlanta (estado da Geórgia).

·      Formou-se em sociologia em 1948 na Morehouse College.

·      Em 1951 formou-se no Seminário Teológico Crozer.

·      Em 1954, tornou-se pastor da Igreja Batista da cidade de Montgomery (estado da Virgínia).

·      Em 1953, casou-se com Coretta Scott King com quem teve quatro filhos

·      Em 1955, tornou-se Phd em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston

·      Em 1955, foi um dos líderes ao boicote às empresas de ônibus da cidade de Montgomery. Este boicote era para pressionar o governo a acabar com a discriminação que havia contra os negros no transporte público dos Estados Unidos. A Suprema Corte Americana acatou as reivindicações dos ativistas e terminou com a discriminação no
     sistema de transportes públicos.

·      Em 1957, participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul. Luther King liderou a CLCS, que lutava pelos direitos civis.

·      Na década de 1960, Luther King liderou várias marchas de protesto e manifestações pacíficas em defesa dos direitos iguais entre brancos e negros e o fim do preconceito e da discriminação racial. 

·      Em 14 de outubro de 1964, Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz em função de seu trabalho, combatendo pacificamente o preconceito racial nos Estados Unidos.

·      Em 1967, King fez vários discursos protestando contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

·       Em 1968, King organizou a Campanha dos Pobres, pregando a justiça social e econômica.

·      Em função de sua atuação social e política, Luther King despertou muito ódio naqueles que defendiam a segregação racial nos Estados Unidos. Durante quase toda sua vida adulta, foi constantemente ameaçado de morte por estas pessoas e grupos. 

·      Na manhã de 4 de abril de 1968, antes de uma marcha, Martin Luther King foi assassinado no quarto de um hotel na cidade de Memphis. 

·      Sua atuação política e social foi fundamental nas mudanças que ocorreram nas leis dos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960. As leis segregacionistas foram caindo, dando espaço para uma legislação mais justa e igualitária. Embora sua atuação tenha sido nos Estados Unidos, Luther King é até hoje lembrado nos quatro cantos do mundo como símbolo de luta pacífica pelos direitos civis.




Em Números:

  • 25.000 discursos
  • 4 filhos
  • 9.65 milhoes de km percorridos
  • 5 livros
  • 29 vezes ele foi preso
  • 1 vez foi atirado, e foi fatal

Fome e sede de justiça
  • A Verdadeira paz somente não é a falta de tensão, é a presença de justiça.
  • Quase sempre minorias criativas e dedicadas transformam o mundo num lugar melhor.
  • O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.
  • O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.
  • Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.
  • O que vale não é o quanto se vive...mas como se vive.
  • Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos junto como irmãos.
  • Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Que tal mudarmos o mundo começando por nós mesmos ?
  • O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.
  • A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso.
  • Enfrentaremos a força física com a nossa força moral.
  • Se você não está pronto para morrer por alguma coisa, então você não está pronto para viver.
  • A mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: - O que fiz hoje pelos outros?
  • O amor é a unica força capaz de transformar um inimigo em amigo.
  • Devemos construir diques de coragem para conter a correnteza do medo.
  • Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.
  • Quem aceita o mal sem protestar, coopera realmente com ele.
  • Ou vivemos todos juntos como irmãos, ou morremos todos juntos como idiotas.
Biografia legendada

Esperança
  • Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.
  • Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.
  • Suba o primeiro negrau com fé. Não é necessario que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.
  • Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.
  • Lembremo-nos, que no universo há um grande e benigno poder, que é capaz de abrir caminho onde não há caminho


Nós não somos o que gostaríamos de ser.

Nós não somos o que ainda iremos ser.

Mas, graças a Deus,

Não somos mais quem nós éramos.


    Relação com Deus
    • O nosso mundo depende de uma fundação moral. Deus o fez assim. Deus fez o universo para ser baseado em uma lei moral. Se o homem desobedecê-la, está se revoltando contra Deus.
    • O mais perigoso tipo de ateísmo não é o ateísmo teórico, mas o ateísmo prático. Este é o mais perigoso tipo. E o mundo, e mesmo a igreja, está repleta de pessoas que prestam culto com os lábios em lugar de um culto com a vida.
    • Como um jovem com grande parte de minha vida ainda pela frente eu decidi bem cedo dar minha vida por algo absoluto e eterno. Eu não vou colocar a base de minha fé em um deus que pode construir alguns edifícios arranha-céus, mas em um Deus que criou as gigantescas montanhas, beijando o céu, como se banhassem seus picos no imponente azul.  
    A covardia coloca a questão, 'É seguro?'

    O comodismo coloca a questão, 'É popular?'

    Mas a consciência coloca a questão, 'É correto?'

    E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.

    Eu Tenho Um Sonho

    Martin Luther King, Jr.

    28 de agosto de 1963 Washington, D.C.

    Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

    Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
    Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
    Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
    Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

    De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

    Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

    Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
    Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
    Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
    Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

    Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre

    . Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

    E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

    Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

    Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor.
    Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

    Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

    Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

    Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

    Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

    Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

    Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

    Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

    Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
     Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
     Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
     De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!
     E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
     E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
     Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
     Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
     Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
     Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
     Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
     Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
     Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
     Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
     E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós    deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
     Livre afinal, livre afinal.
     Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal.


    O ÚLTIMO DISCURSO