domingo, 26 de junho de 2011

Igreja e identidade

Por Jan Tammadge

COMO VAI A SUA IGREJA?

Em nossa classe de escola dominical, este ano, temos estudado sobre o nascimento e crescimento da Igreja. Olhamos para o livro de Atos, onde lemos as histórias da Igreja primitiva em Jerusalém, depois na Judéia, Samaria e as regiões do sul da Ásia e Europa. Ouvimos também sobre o que aconteceu com a Igreja após os registros de Atos, bem como o estabelecimento do Catolicismo Romano, a Reforma Protestante - e também estudamos a biografia de algumas pessoas que influenciaram o crescimento e desenvolvimento da Igreja.

Mas hoje nós queremos olhar para a Igreja contemporânea - a nossa Igreja hoje - para observar como ela funciona e está crescendo. Então, para começar vamos conversar sobre a "nossa" igreja.

Descreva a sua Igreja – (Dividir a turma em 4 grupos e pedir para cada um responder as perguntas abaixo anotando as respostas num papel, e depois compartilhar as respostas com a classe toda).

  • Quantas pessoas freqüentam a sua igreja? Qual a quantidade de velhos, jovens, crianças?
  • Quais atividades você tem na igreja? No domingo e/ou durante a semana?
  • Se alguém visitasse a sua igreja como ele a descreveria?
Certo, então é assim que a nossa igreja se comporta/parece. Mas qual é o plano de Deus para a Sua Igreja? Como é que Ele pretende que a Igreja deva ser? (Dividir novamente em 4 grupos e pedir para cada grupo ler o texto bíblico e responder as perguntas que lhe foram destinadas, e depois compartilhar as respostas com a classe toda).

E uma última pergunta ....
Porque você acha que existem quatro diferentes imagens para Igreja descrita no Novo Testamento?


Conclusões
A Igreja ou o Corpo de Cristo é o grupo de crentes nascidos de novo e que foram unidos a Jesus Cristo pelo Espírito Santo, para cumprir a tarefa de testemunhar e estabelecer o Reino de Deus, inaugurado por Jesus Cristo. Todos os discípulos estão unidos nesta tarefa, e cada um tem um papel a desempenhar. Esses discípulos precisam trabalhar juntos como um corpo com muitos membros, dependentes uns dos outros como os tijolos de um edifício, puros como uma esposa, amando e cuidando um do outro como membros de uma mesma família. Todos os crentes participantes da Igreja, no mundo todo, obviamente, não podem reunir-se, e assim Deus ordenou que se reúnam em grupos pequenos, seja numa igreja local, ou uma igreja que se reune em casas.

Para pensar ...
Como um membro do corpo de Cristo, você se vê como uma parte necessária deste corpo e está totalmente comprometido com ele?

Faça a você mesmo essa pergunta: "Como eu posso contribuir com a igreja local, participante do corpo de Cristo?" Ou responda a pergunta a seguir: "O que a igreja local pode contribuir comigo?".


Um Edifício
Efésios 2:20-22: Vocês são como um edifício e estão construídos sobre o alicerce que os apóstolos e os profetas colocaram. E a pedra fundamental desse edifício é o próprio Cristo Jesus. Ele mantém o edifício todo bem firme e faz com que cresça como um templo dedicado ao Senhor. Assim vocês também, unidos com Cristo, estão sendo construídos, junto com os outros, para se tornarem uma casa onde Deus vive por meio do seu Espírito.

1 Coríntios 3:16: Certamente vocês sabem que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus vive em vocês.

2 Coríntios 6:16: Que relação pode haver entre o Templo de Deus e os ídolos? Pois nós somos o templo do Deus vivo, como o próprio Deus já disse: "Eu vou morar e viver com eles. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo."

1 Pedro 2:4-5: Cheguem perto dele, a pedra viva que os seres humanos rejeitaram como inútil, mas que Deus escolheu como de grande valor. Vocês, também, como pedras vivas, deixem que Deus os use na construção de um templo espiritual onde vocês servirão como sacerdotes dedicados a Deus. E isso para que, por meio de Jesus Cristo, ofereçam sacrifícios que Deus aceite.

Qual imagem é utilizada para descrever a Igreja?



 Qual é o propósito deste templo ou "morada de Deus"?



 Como as pessoas deste prédio devem se relacionar entre si?



Uma Família
Efésios 1:4-6: Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para sermos dele por meio da nossa união com Cristo, a fim de pertencermos somente a Deus e nos apresentarmos diante dele sem culpa. Por causa do seu amor por nós, Deus já havia resolvido que nos tornaria seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois este era o seu prazer e a sua vontade. Portanto, louvemos a Deus pela sua gloriosa graça, que ele nos deu gratuitamente por meio do seu querido Filho.

Efésios 2:19: Portanto, vocês, os não-judeus, não são mais estrangeiros nem visitantes. Agora vocês são cidadãos que pertencem ao povo de Deus e são membros da família dele.

Romanos 8:17: Nós somos seus filhos, e por isso receberemos as bênçãos que ele guarda para o seu povo, e também receberemos com Cristo aquilo que Deus tem guardado para ele. Porque, se tomamos parte nos sofrimentos de Cristo, também tomaremos parte na sua glória.

Hebreus 2:10,14-17: Pois Deus, que cria e sustenta todas as coisas, fez o que era apropriado e tornou Jesus perfeito por meio do sofrimento. Deus fez isso a fim de que muitos, isto é, os seus filhos, tomassem parte na glória de Jesus. Pois é Jesus quem os guia para a salvação. Os filhos, como ele os chama, são pessoas de carne e sangue. E por isso o próprio Jesus se tornou igual a eles, tomando parte na natureza humana deles. Ele fez isso para que, por meio da sua morte, pudesse destruir o Diabo, que tem poder sobre a morte. E também para libertar os que foram escravos toda a sua vida por causa do medo da morte. É claro que ele não veio para ajudar os anjos. Em vez disso, como dizem as Escrituras: "Ele ajuda os descendentes de Abraão." Isso quer dizer que foi preciso que Jesus se tornasse em tudo igual aos seus irmãos a fim de ser o Grande Sacerdote deles, bondoso e fiel no seu serviço a Deus, para que os pecados do povo fossem perdoados.

 Qual imagem é utilizada para descrever a Igreja?



 Qual é o propósito desta família?



 Como os indivíduos desta família devem se relacionar entre si?



Uma Noiva
Efésios 5:25-32: Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela. Ele fez isso para dedicar a Igreja a Deus, lavando-a com água e purificando-a com a sua palavra. E fez isso para também poder trazer para perto de si a Igreja em toda a sua beleza, pura e perfeita, sem manchas, ou rugas, ou qualquer outro defeito. O homem deve amar a sua esposa assim como ama o seu próprio corpo. O homem que ama a sua esposa ama a si mesmo. Porque ninguém odeia o seu próprio corpo. Pelo contrário, cada um alimenta e cuida do seu corpo, como Cristo faz com a Igreja, pois nós somos membros do corpo de Cristo. Como dizem as Escrituras Sagradas: "É por isso que o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua esposa, e os dois se tornam uma só pessoa." Há uma verdade imensa revelada nessa passagem das Escrituras, e eu entendo que ela está falando a respeito de Cristo e da Igreja. Mas também está falando a respeito de vocês: cada marido deve amar a sua esposa como ama a si mesmo, e cada esposa deve respeitar o seu marido.

João 17:11,21: Agora estou indo para perto de ti. Eles continuam no mundo, mas eu não estou mais no mundo. Pai santo, pelo poder do teu nome, o nome que me deste, guarda-os para que sejam um, assim como tu e eu somos um. E peço que todos sejam um. E assim como tu, meu Pai, estás unido comigo, e eu estou unido contigo, que todos os que crerem também estejam unidos a nós para que o mundo creia que tu me enviaste.

2 Coríntios 11:1-3: Eu gostaria que vocês me suportassem mesmo quando sou um tanto louco. Por favor, me suportem! O mesmo zelo que Deus tem por vocês eu também tenho. Porque vocês são como uma virgem pura que eu prometi dar em casamento somente a um homem, que é Cristo. Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo.

 Qual imagem é utilizada para descrever a Igreja?



 Qual é o propósito desta noiva?



 Como os indivíduos que compõem a “noiva de Cristo” devem se comportar?



Um Corpo
1 Coríntios 12:12-27: Cristo é como um corpo, o qual tem muitas partes. E todas as partes, mesmo sendo muitas, formam um só corpo. Assim, também, todos nós, judeus e não-judeus, escravos e livres, fomos batizados pelo mesmo Espírito para formar um só corpo. E a todos nós foi dado de beber do mesmo Espírito. Pois o corpo não é feito de uma só parte, mas de muitas. Se o pé disser: "Já que não sou mão, não sou do corpo", nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: "Já que não sou olho, não sou do corpo", nem por isso deixa de ser do corpo. Se o corpo todo fosse olho, como poderíamos ouvir? E, se o corpo todo fosse ouvido, como poderíamos cheirar?
Assim Deus colocou cada parte diferente do corpo conforme ele quis. Se o corpo todo fosse uma parte só, não existiria corpo. De fato, existem muitas partes, mas um só corpo. Portanto, o olho não pode dizer para a mão: "Eu não preciso de você." E a cabeça não pode dizer para os pés: "Não preciso de vocês."

O fato é que as partes do corpo que parecem ser as mais fracas são as mais necessárias, e aquelas que achamos menos honrosas são as que tratamos com mais honra. E as partes que parecem ser feias recebem um cuidado especial, que as outras mais bonitas não precisam. Foi assim que Deus fez o corpo, dando mais honra às partes menos honrosas. Desse modo não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras. Se uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela. Se uma é elogiada, todas as outras se alegram com ela. Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é uma parte desse corpo.

 Qual imagem é utilizada para descrever a Igreja?



 Qual é o propósito deste corpo?



 Como os indivíduos deste corpo devem se relacionar entre si?



domingo, 19 de junho de 2011

Decadência e tentativas de renovação na Igreja Ocidental (História da Igreja V)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 17)


TEXTO BASE: Jeremias 29:11-14a

INTRODUÇÃO
Os dois séculos que antecederam a Reforma Protestante foram marcados por um período de declínio do poder papal e uma constante insatisfação com a moralidade dos clérigos, somado a isso o crescente distanciamento das Escrituras. Nesta aula veremos os eventos antecederam as profundas reformas religiosas no Cristianismo do século XVI, um verdadeiro renovo na fé da Igreja Ocidental.

TENTATIVAS DE REFORMA INTERNA
Durante os anos de 1305 e 1517 d.C., vários movimentos surgiram na tentativa de reformar a Igreja Ocidental. Destaca-se a volta do misticismo, os pré-reformadores e os concílios realizados na expectativa de uma renovação moral dentro da Igreja Romana.

Os místicos
A volta do misticismo em momentos que a Igreja descamba para o formalismo testemunha o desejo do coração humano de entrar em contato direto com Deus no ato do culto, em vez de participar passivamente de atos de culto friamente formal celebrados pelo sacerdote. O místico deseja um contato direto com Deus pela intuição imediata ou pela contemplação.

O escolasticismo contribuiu para o surgimento do misticismo porque ressaltava a razão em detrimento da natureza emocional do homem, sendo uma reação contra essa tendência racionalista. O movimento buscava o desenvolvimento de uma espiritualidade pessoal, menos litúrgica, uma adoração comunitária participativa e que incluísse os leigos.

Os perigos da substituição da Bíblia pela autoridade interior subjetiva e da minimização da doutrina foram alguns dos desvios desses movimentos.

Os precursores da reforma
Os místicos tentaram tornar pessoal a religião, mas os reformadores bíblicos e nacionalistas, como Wycliffe, Huss e Savonarola, empenharam-se mais numa tentativa de retorno ao ideal de Igreja representado no Novo Testamento.

João Wycliffe (1328-1384) estudou e ensinou em Oxford a maior parte de sua vida. Até 1378, queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de suas propriedades que, segundo ele, era a fonte da corrupção. A partir de 1979, ele começou a opor-se aos dogmas da Igreja Romana com idéias revolucionárias – atacou a autoridade do papa (era Cristo e não o papa o chefe da Igreja), afirmou que a Bíblia e não a Igreja era a autoridade única para o crente, e que a Igreja Romana deveria se amoldar ao padrão da Igreja do Novo Testamento. Para apoiar essas idéias, Wycliffe tornou a Bíblia acessível ao povo em sua própria língua (em 1382 ele terminou a primeira tradução completa do Novo Testamento para o inglês, e Nicolau de Hereford terminou a tradução do Antigo Testamento em 1384), o que possibilitou os ingleses lerem a Bíblia toda em sua própria língua.

Outra medida de Wycliffe foi contestar o dogma da transubstanciação. Ele defendia que Cristo estava espiritualmente presente na eucaristia e isto era percebido pela fé. Se adotada, a idéia de Wycliffe significaria que o sacerdote não mais reteria a salvação de alguém por ter em suas mãos o corpo e o sangue de Cristo na Santa Ceia.

As idéias de Wycliffe foram condenadas em 1382 e em 1401 todos os pregadores adeptos as idéias de Wycliffe (os lolardos) receberiam a pena de morte como castigo quando perseverassem nesses ensinos contrários a Igreja Romana.

 
João Huss (1373-1415), originário da Boêmia, foi pastor da Capela de Belém de 1402 a 1414, e adepto das idéias de Wycliffe. Suas pregações e ensinos reformistas coincidiram com o sentimento nacionalista boêmio contra o controle da Boêmia pelo Sacro Império Romano. Convocado para comparecer no Concílio de Constança, as idéias de Huss foram condenadas, e como ele se recusou a se retratar, foi queimado na fogueira por ordem do Concílio em 6 de julho de 1415.

Os concílios reformadores
Os líderes dos concílios do século XV procuraram fazer a reforma pela criação de uma liderança eclesiástica que representasse os leigos, numa tentativa de eliminar os líderes eclesiásticos corruptos. Os concílios não acentuaram o valor da Bíblia como defendiam Huss e Wycliffe, pelo contrário, suas idéias foram condenadas e João Huss condenado à morte.

Frente aos insucessos dos 3 concílios (Pisa – 1409, Constança – 1414-1418 e Florença-1449) em reformar a Igreja Romana, a reforma protestante tornara-se inevitável.

PRESSÕES EXTERNAS
Apesar de ser um movimento religioso mais do que qualquer outra coisa, o seu contexto a marcou profundamente.

Renascença
A Renascença, que teve lugar em importantes países da Europa entre 1350 e 1650, marca a transição da era medieval para o mundo moderno. Esse período pode ser definido como aquele de reorientação cultural em que os homens trocaram a compreensão corporativa, religiosa e medieval da vida por uma visão individualista, secular e moderna. A concepção teocêntrica medieval do mundo, em que Deus era a medida de todas as coisas, foi substituída por uma interpretação antropocêntrica da vida, em que o homem se tornara a medida de todas as coisas. As classes médias se tornaram mais importantes do que a velha sociedade agrária rural do período feudal. O comércio passou a ter mais importância do que a agricultura como meio de subsistência. Adotou-se uma forma humanista, otimista e experimental de ver as coisas desta vida.

Surgimento das nações estado e da classe média
Novas cidades e a crescente influência dos comerciantes (burguesia) e o desassossego dos camponeses prenunciavam o fim do feudalismo. Contribuiu para esse processo também o nacionalismo, com o enfraquecimento da nobreza e a centralização da autoridade nas mãos dos reis. Assim, nasceram fortes estados nacionais (como por exemplo, Inglaterra, França e Espanha) que resistiam às pretensões absolutistas do Papa.

Invenção da imprensa
A invenção do tipo mecânico móvel para impressão, por João Gutenberg (1398-1468), começou a revolução da imprensa e é amplamente considerado o evento mais importante do período moderno. Teve um papel fundamental no desenvolvimento da renascença, reforma e na revolução científica e lançou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e a disseminação da aprendizagem em massa.





APLICAÇÃO
Jeremias se destacou entre os profetas hebreus por causa da dimensão em que revelou seus sentimentos pessoais, um coração turbulento e angustiado devido a dureza de coração da sua geração.

O livro de Jeremias se destaca pelo choro de um profeta que percebe uma nação obstinada pelo mal e distante de Deus, que não se arrepende e não ouve a sua pregação. Diante a iminente e certa destruição de Judá, o profeta se apega as promessas de restauração do Senhor, a Sua fidelidade e lembra que Deus é o Senhor da história.

Jeremias nos lembra desse ministério profético que nós cristãos temos, o ministério de denunciar o mal e não se conformar a ele, ainda que muitos tenham se contaminado e até mesmo a igreja tenha o seu discurso comprometido pela corrupção. Somos convocados para seguir a Cristo e servi-Lo, independentemente das circunstâncias que nos cercam. Da mesma forma, a vida de João Wycliffe e João Huss nos traz a memória essa firmeza e compromisso com a Palavra de Deus, ainda que tenham vivido dias difíceis.

QUESTÕES
Quais os problemas que a Igreja Romana enfrentava?
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Como os místicos queriam reformar a Igreja?
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Qual o perigo de uma reforma sem as Escrituras?
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Por que você acha que Wycliffe e Huss estavam tão seguros das suas idéias?
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Como a Igreja deve enfrentar as mudanças que acontecem no mundo?
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MATERIAL UTILIZADO
• Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
• Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.

domingo, 12 de junho de 2011

A Conversão de Cornélio

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 16)

TEXTO BASE: Atos 10:1-11:18

Racismo. Tribalismo. Sexismo. Arrogância cultural. Vários tipos de discriminação ocupam um grande espaço na Igreja e têm grande força para destruir a unidade do corpo de Cristo. Isso era tão verdade na Igreja primitiva como é hoje.
Através da conversão de Cornélio, Deus demonstrou claramente que não faz distinções no seu Reino. Por isso nós também não temos o direito de fazer distinções.


A aula foi extraída do guia de estudos bíblicos: O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A missão do apóstolo Pedro

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 15b)

TEXTO BASE: Atos 9:32-43

Você já viu ou ouviu falar de algum milagre?

 
Antes, quando a perseguição começou, os apóstolos julgaram prudente permanecer em Jerusalém (At 8:1). Agora, entretanto, que a igreja estava gozando um tempo de paz (At 9:31), eles se sentiam livres para deixar a cidade.

Leia Atos 9:32-35
Por que o apóstolo Pedro viajava bastante? Quem ele visitava e qual era sua motivação?


Qual era a função do apóstolo?

De que modo o poder de Deus foi demonstrado nessa passagem?

Qual a semelhança entre esse milagre realizado com Pedro e o realizado por Jesus na cura do paralítico de Cafarnaum (Mc 2:1-12)?

Qual o resultado da demonstração desse poder?

Para lembrar - os apóstolos aos quais Lucas se referem tinham algumas qualificações especiais. Foram designados como apóstolos por Jesus, foram testemunhas oculares do Jesus histórico, possuem autorização para falar em nome de Jesus e o Espírito capacitador de Jesus para inspirar seus ensinamentos.

Quem era Tabita?


Por que Deus não livra os cristãos de passarem pelo sofrimento?

Qual a semelhança entre esse milagre realizado com Pedro e o realizado por Jesus na ressurreição de Talita (Mc 5:35-42)?


Quais as semelhanças entre esses dois milagres narrados por Lucas?

Quantos milagres o apóstolo Pedro realizou em benefício próprio?


Os relatos retratam o apóstolo Pedro como um autêntico apóstolo de Jesus Cristo, tendo ele realizado “os sinais de um verdadeiro apóstolo”. Milagres semelhantes haviam endossado o ministério profético de Elias e Eliseu. Quatro fatores apóiam essa sugestão. Primeiro, ambos os milagres seguiram o exemplo de Jesus. Segundo, ambos os milagres foram realizados pelo poder de Jesus. Terceiro, ambos os milagres foram sinais da salvação de Jesus. Pedro usa as mesmas palavras, “Levanta-te”, que Jesus usou para curar um paralítico. Quarto, ambos os milagres levaram pessoas a se converter ao Senhor.

Interessante – Lucas encerrou a história de Enéas e Tabita com a informação de que “Pedro ficou em Jope muitos dias, em casa de um curtidor, chamado Simão” (v. 43). Os curtidores eram considerados cerimonialmente impuros, pois trabalhavam com animais mortos para retirar e curtir o couro. Esse pode ter sido o primeiro sinal de abertura de Pedro para os gentios.

APLICAÇÃO

Observamos até aqui que nenhum dos milagres foi realizado em benefício próprio, e ainda que a maioria dos milagres narrados no livro de Atos não aconteceu dentro das igrejas (ou nos cultos). O que você acha que isso sugere?


Os milagres também mostram que Jesus cumpriu sua promessa de enviar seu Espírito para nos capacitar a realizar a tarefa de testemunhar dEle. Como você reage a essa missão?

MAPA – VIAGEM MISSIONÁRIA DE PEDRO


ORAÇÃO
Peça que o Senhor lhe encha de coragem e poder para testemunhar o senhorio e a obra de redenção de Jesus.

MEMORIZAR VERSÍCULO
Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra". Atos 1:8

MATERIAL UTILIZADO
O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã Estudos Bíblicos sobre o livro de Atos baseados no comentário bíblico de John Stott.
• John Stott. A Mensagem de Atos. Editora ABU.

domingo, 5 de junho de 2011

A Conversão de Saulo

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 15)

TEXTO BASE: Atos 9:1-43

A Vida de Saulo ANTES: Leia Atos 7: 57-58; 8:1-3 e 9:1-2.

Lucas descreve Saulo como um amargo oponente de Cristo e de sua Igreja. Ele tinha uma disposição mental de ódio e hostilidade – como um animal selvagem e feroz!

A CONVERSÃO de Saulo: Leia Atos 9:3-9

Se você fosse Saulo, como descreveria esta experiência de encontrar Jesus? O que sentiria; o que pensaria?
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De que modo a conversão de Saulo demonstra a graça maravilhosa de Deus?
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Saulo não ‘aceitou Jesus’ como dizemos hoje. Ao contrário, ele era um perseguido de Cristo. Foi Cristo que o aceitou e irrompeu sua vida.


Você acha que Saulo tinha escolha nisto tudo?
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A graça soberana que capturou Saulo não foi repentina (no sentido de não ter havido preparação) nem compulsiva (no sentido de dispensar qualquer resposta por parte dele). Não era a primeira vez que Jesus lhe falava - ver Atos 9:10 e 26:14, o que indica que Saulo já sabia quem era Jesus e já tinha ouvido o chamado dele. Na estrada para Damasco Jesus se revelou a ele de modo que provocasse sua resposta.

A Vida de Saulo APÓS: Leia Atos 9:19-22

Que evidência imediata de transformação você vê em Saulo após o encontro com Jesus?
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De acordo com o testemunho do próprio Paulo mais tarde (Atos 26:16), na estrada para Damasco Jesus o designou como servo, testemunha e apóstolo para os gentios.
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Como a sua conversão se compara ou contrasta com a de Saulo?
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ORAÇÃO
Reflita acerca do milagre de seu relacionamento com Deus.


MATERIAL UTILIZADO
O Espírito em ação – John Stott, Editora Cultura Cristã Estudos Bíblicos sobre o livro de Atos baseados no comentário bíblico de John Stott.

domingo, 29 de maio de 2011

Florence Nightingale (Biografia IV)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 14)
Escolhi os plantões, porque sei que o escuro da noite amedronta os enfermos.
Escolhi estar presente na dor porque já estive muito perto do sofrimento.
Escolhi servir ao próximo porque sei que todos nós um dia precisamos de ajuda.
Escolhi o branco porque quero transmitir paz.
Escolhi estudar métodos de trabalho porque os livros são fonte de saber.
Escolhi ser enfermeira porque amo e respeito a vida!

TEXTO BASE: Lucas 10:29-37

OS PRIMEIROS ANOS
Florence nasceu em 12 de maio de 1820 na cidade de Florença, na Itália. Por isso Florence recebeu o nome em inglês da cidade em que nascera. Oriunda de família cristã, rica e bem relacionada com a alta classe da sociedade, a menina recebeu excelente formação na infância. Nightingale estudou vários idiomas (francês, latim e alemão), música (piano e canto), artes e matemática.

As leituras bíblicas com a mãe e as constantes visitas a lugares pobres durante as caminhadas diárias, produziram em Florence uma compaixão por aqueles que sofrem. Desde a infância Nightingale sentia que Deus a estava "chamando", mas ela não sabia qual vocação seria essa. Sua fé era a força motriz ao longo de sua vida, e antes de seu 17º aniversário, ela sentiu que ouviu "a voz" de Deus falando com ela. Aos poucos sentia que Deus a estava chamando para ser enfermeira - uma idéia chocante para a época. Enfermagem não era um emprego para pessoas inteligentes e mulheres de boa aparência como a jovem Florence. Apenas mulheres com idade avançada e sem muitas opções de emprego exerciam a enfermagem para sobreviver. Seus pais ficaram horrorizados.

CONFLITO NA FAMÍLIA
Florence visitou muitas cidades européias quando jovem. Em 1948, numa visita a Roma ela aproveitou para conhecer conventos e hospitais administrados por freiras católicas. Um ano depois, Florence viajou para o Egito e Grécia, em busca de hospitais, bem como visitar as ruínas antigas. Ao invés de se esquecer da enfermagem como seus pais esperavam, a determinação de Nightingale, crescia ainda mais forte.

Florence se sentia cada vez mais aprisionada por sua vida de luxo e de deveres sociais - ou a "tirania" da sala, como ela escreveu. Sua família estava chateada e decepcionada com a sua obsessão com a enfermagem, e sua recusa em se casar. Florence foi proibida de passar alguns meses num hospital em Salisbury, porém ela não desanimou, e estudava enfermagem em segredo, desejando fazer algo maior com a sua vida e servir o próximo.

TORNANDO-SE UMA ENFERMEIRA
Florence, finalmente recebeu permissão dos pais para estudar enfermagem num centro de treinamento em Kaiserswerth, uma comunidade religiosa perto de Dusseldorf, na Alemanha, onde um pastor protestante, Theodore Fliedner, e sua esposa dirigiam um hospital, orfanato e colégio. Nightingale aprendeu sobre as propriedades dos medicamentos, como fazer curativos, observou amputações e cuidou dos doentes e moribundos. Ela nunca se sentiu tão feliz. "Agora eu sei o que é amar a vida", escreveu ela.

De volta à Inglaterra, a mãe de Florence finalmente permitiu que a filha fosse enfermeira. Ela conseguiu emprego numa casa particular de cuidados para mulheres da alta sociedade. Seu pai lhe dava uma generosa ajuda de 500 libras por ano.

Quando a cidade de Londres foi acometida por uma epidemia de cólera em 1854, Florence correu para ajudar as vítimas nas proximidades do hospital Middlesex. A cólera havia matado milhares de pessoas durante o século 19.

No outono de 1854, a Grã-Bretanha e a França se juntaram a sua aliada, a Turquia, e declaram guerra contra a Rússia na Criméia. Florence estava em casa quando leu no jornal sobre a falta de uma boa assistência médica para os soldados feridos na frente de batalha, centenas deles estavam morrendo de doenças devido a situação precária de atendimento e acomodação dos feridos. “As condições tornaram-se horríveis, devem os homens morrer em agonia e ignorados” escreveu o repórter do jornal britânico The Times. O escândalo provocou um clamor público.

Sidney Herbert, o ministro da Guerra, já sabia do interesse de Nightingale em ajudar, e pediu-lhe para supervisionar uma equipe de 38 enfermeiras nos hospitais militares na Turquia. Em novembro de 1854, ela chegou a Scutari, na Turquia, para encontrar os hospitais superlotados. Tudo era escasso - alimentos, cobertores e camas. As vítimas chegavam após uma longa viagem, sujas e muitas vezes quase mortas de fome.

A condição anti-higiênica dos hospitais militares permitia que doenças como cólera e tifo fossem comuns entre os pacientes. Isto significava que soldados feridos tinham sete vezes mais chances de morrer de uma doença hospitalar do que no campo de batalha. A melhoria nas condições sanitárias impostas por Florence resultou num decréscimo no número de mortes. Já em fevereiro de 1855 as taxas de mortalidade caíram de 60% pra 42,7%. Através do estabelecimento do suprimento de água fresca bem como da utilização de fundos próprios para comprar frutas, vegetais e equipamentos hospitalares, a taxa de mortalidade na primavera caiu para 2,2%.

As histórias de devoção de Florence para os feridos de guerra logo chegaram a Grã-Bretanha. A primeira imagem mostrando Florença como a "Dama da Lâmpada" apareceu nos jornais ilustrados de Londres no início de 1855. Sua fama logo se espalhou e imagens suas eram observadas em “suvenir”, e sua história era anunciada em músicas e poemas.

A COMISSÃO REAL
No retorno a Londres, em agosto de 1856, quatro meses após a assinatura do tratado de paz, Florence descobriu que os soldados durante os tempos de paz, com idades variando de 20 a 35 anos, tinham uma taxa de mortalidade que era o dobro da dos civis. Utilizando, estas estatísticas, ela mostrou a necessidade de uma reforma nas condições sanitárias de todos os hospitais militares. Com a divulgação do caso, ela ganhou a atenção da rainha Vitória e do príncipe Albert. Seu desejo, por uma investigação formal, foi atendido em maio de 1857 e levou ao estabelecimento da Comissão Real Sobre a Saúde nas Forças Armadas. Em 1858, por suas contribuições para as forças armadas e para a estatística hospitalar, Florence tornou-se a primeira mulher a ser eleita membro da Sociedade Estatística Real.

“Era chocante a alta taxa de mortalidade de soldados britânicos em tempos de paz. As condições no quartel do exército eram tão ruins, que poderia ser comparado com uma baixa anual de 1100 soldados em tempo de guerra.” Florence Nightingale
ESCOLA E O DESENVOLVIMENTO DA ENFERMAGEM
Durante a guerra da Criméia, um fundo público de formação de enfermeiros foi criado para homenagear Florence, mais de 44 mil libras foram arrecadadas, o equivalente a 2 milhões de dólares hoje. Com esse dinheiro foi inaugurada em 1860 a Escola de Treinamento Nightingale e a Casa das Enfermeiras sediadas no hospital St Thomas em Londres. O dinheiro do fundo também foi usado para criar uma escola de parteiras no King's College Hospital, em Londres.

As instituições foram baseadas em dois princípios. Primeiro que as enfermeiras deveriam receber treinamento prático em hospitais especialmente organizados para este fim. Segundo que as enfermeiras deveriam viver em uma casa baseada em princípios morais e de disciplina. Devido à fundação desta escola, Nightingale conseguiu com que a enfermagem passasse de um passado desprestigiado para uma carreira responsável e respeitável para as mulheres. Florence prestou, por solicitação do gabinete de guerra britânico, assessoria sobre cuidados médicos para as forças armadas no Canadá e foi também consultora do governo americano sobre saúde militar durante a guerra civil americana.

Em 1860 a sua obra mais conhecida foi publicada. Notas sobre a Enfermagem, no qual ressaltou a importância de observar os sintomas de seu paciente e suas necessidades, bem como a importância da limpeza, da ventilação de ar fresco e de uma dieta correta. Este foi o primeiro livro texto publicado especificamente para a utilização no ensino de enfermagem e foi traduzido para muitas línguas.

Florence estudou o projeto dos hospitais na Grã-Bretanha e na Europa. Ela sabia que a má concepção desses projetos prejudicaria o exercício da enfermagem e dos cuidados médicos. Os arquitetos e médicos de vários lugares do mundo pediram seu conselho para projetar hospitais modernos, como fez o rei de Portugal e a rainha da Holanda.

ANOS POSTERIORES
Por uma boa parte do resto da sua vida Nightingale esteve acamada devido a uma doença contraída na Criméia, febre tifóide, que a impossibilitou de continuar seu trabalho como enfermeira. Esta doença, entretanto, não a impediu de continuar fazendo campanha para a melhora dos padrões de saúde. Ela publicou cerca de 200 livros, relatórios e panfletos.

Florence Nightingale acreditava profundamente que o seu trabalho foi um chamado de Deus. Em 1874 ela tornou-se membro honorário da ASA (Associação Estatística Americana) e em 1883 a rainha Vitória a condecorou com a Cruz Vermelha Real por seu trabalho. Ela foi, também, a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito de Edward VII em 1907.

Florence faleceu em 13 de agosto de 1910 aos 90 anos de idade. Ela foi enterrada na Igreja St. Margaret, em Londres. Nightingale nunca se casou, embora não tenha sido por falta de oportunidade. Ela acreditava, no entanto, que Deus tinha claramente sinalizado que ela seria uma mulher solteira.

O monumento Criméia, erigido em 1915, em Waterloo, Londres, foi executado em homenagem a contribuição que Florence Nightingale fez por esta guerra e pela saúdes dos soltados que nela tomaram parte.

O LEGADO DA ENFERMEIRA NIGHTINGALE
As idéias de Florence mudaram completamente a abordagem da sociedade para a enfermagem e seu legado permanece forte até hoje. Sua abordagem holística, para cuidar da saúde de uma pessoa, a importância do bem-estar físico e mental, e sua convicção de que é necessária sensibilidade às necessidades do paciente foi fundamental para a recuperação destes.

Florence trouxe prestígio a enfermagem, trouxe padronização aos procedimentos médicos, promoveu centros de formação de profissionais, produziu materiais didáticos para a instrução dos profissionais e desenvolvimento da ciência, sensibilizou a opinião pública quanto às situações precárias dos soldados e por fim, foi uma crítica severa à estupidez das guerras.

“É necessária uma certa dose de estupidez para se fazer um bom soldado.”

“A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!”

APLICAÇÃO
A vida de Florence Nightingale nos mostra o exemplo de alguém que levou o mandamento de Jesus – amar o próximo como a si mesmo – até as últimas conseqüências, alguém que encarnou a figura do bom samaritano da parábola de Jesus.

Florence atendeu ao chamado de Deus com muito zelo, e ainda adolescente compreendeu que fora chamada para servir aos que sofrem. Sua vida inspirou diversas pessoas, nas quais destacam-se duas:
  • Agatha Christie - Tornou-se voluntária da Cruz Vermelha Britânica, em Torquay, em outubro de 1914, onde ela cuidou de soldados que haviam lutado na Primeira Guerra Mundial. Ela foi voluntária até 1917, quando começou a distribuição de medicamentos para o hospital. Ela estudou para seu exame Hall Apothecaries, e aprendeu tudo sobre drogas, venenos e seus efeitos, conhecimento este que utilizou com maestria nos seus romances de ficção investigativa.
  • Madre Teresa - Mundialmente famosa missionária que fundou a ordem das Missionárias da Caridade. Ela não era uma enfermeira treinada, mas estabeleceu hospitais e lares de crianças, em primeiro lugar em Calcutá, na Índia, e depois em diversos outros lugares do mundo.


QUESTÕES
O que a vida de Florence nos ensina sobre o “chamado de Deus”?
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Como Nightingale se assemelha ao bom samaritano da parábola contada por Jesus?
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O quanto custou para Florence servir a Deus?
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Como a obediência de Nightingale mudou o mundo?
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MEMORIZAR VERSÍCULO
"Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento e ame o seu próximo como a si mesmo" Lucas 10:27

MATERIAL UTILIZADO

domingo, 22 de maio de 2011

Igreja no apogeu da Idade Média (História da Igreja IV)

Por Pedro Paulo Valente

A História do Cristianismo Através dos Séculos (aula 13)

TEXTO BASE: II Tm 3:14-17

INTRODUÇÃO
Nos séculos XII e XIII, o cristianismo na Europa ocidental foi marcado por um zelo religioso que se manifestou em termos de participação em movimentos de cruzadas e reformas. Sobre a bandeira da Igreja Romana muitos cristãos batalhavam por motivos religiosos contra mulçumanos e hereges, enquanto movimentos de reformas eram ensaiados através das ordens monásticas e dos cristãos leigos (que não faziam parte do clero). Embora fosse um período de ardor espiritual, poucos sabiam o que estavam fazendo, uma vez que as Escrituras estavam distantes dos cristãos, ao passo que o poder por trás do trono papal não parava de aumentar.

SUPREMACIA PAPAL
No período de 1054 a 1305 d.C. três papas se destacaram num período que o papado se impôs como autoridade suprema para governar o mundo inteiro e a Igreja.

• Gregório VII (1023-1085) o primeiro a reivindicar o direito de supremacia papal sobre toda forma de autoridade, inclusive sobre imperadores e reis.
  • Defendia que a eleição dos papas deveria ser feita pelo clero.
  • Ele via o papa como vice-regente de Deus e não queria o poder civil dominando a Igreja, ao contrário, acreditava que a Igreja deveria controlar o poder civil.
  • Promoveu a obrigatoriedade do celibato clerical para criar uma classe de homens leais ao seu supervisor espiritual, o papa.
 • Inocêncio III (1160-1216), quem elevou o papado medieval ao apogeu de seu poder, tendo enfrentado e humilhado os soberanos das nações emergentes (França e Inglaterra) e do Sacro Império Romano que haviam desafiado sua autoridade.
  • Promulgou a doutrina da transubstanciação. O ensino de que a substância do pão e a do vinho se transformava no corpo e no sangue real de Cristo após as palavras de consagração dos sacerdotes. Desse modo, o sacerdote celebrava um sacrifício sempre que dirigia uma missa.
  • Achava que a autoridade os reis e príncipes derivavam dele, podendo ele mesmo excomungá-los, depô-los ou colocar até mesmo o Estado sob interdito, que proibia ao clero de celebrar todas as cerimônias essenciais da Igreja. O papa estava acima do homem e abaixo de Deus.
• Bonifácio VIII (1235-1303), o último a gozar do exercício da supremacia papal, tendo sido humilhado por parte do poder temporal (rei da França).
  • Promulgou a bula papal conhecida como Unam Sanctum. Nela dizia que não se pode encontrar “salvação nem remissão de pecados” fora da Igreja Romana, que o papa como chefe da Igreja Romana tinha autoridade espiritual e temporal sobre todos e que a submissão papal era “necessária para a salvação”.
 AS CRUZADAS
Durante os anos de 1095-1291 d.C. os cristãos da Europa Ocidental realizaram diversas cruzadas contra os mulçumanos na Palestina. Deve-se ter em mente que apesar dos cruzados terem interesses econômicos ou políticos, o motivo primeiro das Cruzadas era religioso.

A causa direta da Primeira Cruzada foi a pregação de uma Cruzada contra os mulçumanos feita pelo papa Urbano II em 1095. Ele propôs a Cruzada como resposta ao pedido de ajuda feito por Aleixo (Imperador de Constantinopla) um ano antes, com a idéia de libertar os lugares sagrados dos mulçumanos e ajudar o Império do Oriente. A multidão reunida, composta principalmente por franceses, respondeu com um entusiástico “Deus o quer” à proposta de Urbano.

Foi tão grande o entusiasmo que massas de camponeses começaram a marchar através da Germânica, Hungria e os Bálcãs em direção à Palestina. Porém sem organização e sem disciplinam essa desorganizada cruzada popular foi massacrada pelos turcos ou feitos prisioneiros e vendidos como escravos.

Já a Primeira Cruzada organizada, dirigida pelos nobres da França, Bélgica e Itália movimentaram perto de 1 milhão de pessoas que participaram de atividades ligadas a Primeira Cruzada. Num período de 3 anos (1096-1099) eles conquistaram Nicéia, Antioquia e Jerusalém, tendo a criação de estados feudais como resultado principal.



Ao todo foram 8 Cruzadas num período de 200 anos. A Cruzada das Crianças de 1212 foi o episódio mais triste. Ela ocorreu entre a Terceira e a Quarta Cruzada e foi um movimento extra-oficial, baseado na crença que apenas as almas puras (no caso as crianças) poderiam libertar Jerusalém. 50 mil crianças foram colocadas em navios, saindo do porto de Marselha (França) rumo a Jerusalém. O resultado foi um desastre, pois a maioria das crianças morreu no caminho, de fome ou de frio. As que sobreviveram foram vendidas como escravas pelos turcos no Norte da África. Algumas chegaram somente até a Itália, outras se dispersaram, e houve aquelas que foram seqüestradas e escravizadas pelos muçulmanos.

As Cruzadas deixaram importantes conseqüências políticas e sociais na Europa ocidental. Vejamos algumas:
  • O feudalismo se enfraqueceu porque muitos cavaleiros e nobres que saíram como cruzados jamais voltaram e também, porque muitos venderam as suas terras para financiar as campanhas. Com isso os reis puderam aumentar o seu controle, favorecendo uma nação-estado fortemente concentrada em um monarca a fim de criar condições de segurança e ordem tão necessárias aos negócios da classe média.
  • O papado aumentou seu prestígio durante as Cruzadas, embora as campanhas tenham levado ao surgimento de um sentimento nacional que, a certa altura, enfraquecera o poder papal nas nações-estados.
  • A persuasão substitui a força como técnica de negociação com os mulçumanos. E alguns movimentos missionários para o mundo árabe surgiram, como a escola de missões criada por Raimundo Lullo em Miramir (Espanha, 1276).
  • As cidades italianas, lideradas por Veneza, começaram a comercializar com o Oriente produtos de luxo, como tecidos, temperos e perfumes.
  • A filosofia, a ciência e a literatura árabe chegaram à Europa ocidental e foram estudadas pelos escolásticos, que tentaram fazer uma síntese entre esse saber e a revelação cristã.

Sugestões:

1.Para conhecer cada uma das Cruzadas visite Wickipédia

2.O filme Cruzadas, com Orlando Bloom conta a história entre a Segunda e a Terceira Cruzada, uma ótima forma de visualizar a História (apesar do romance distorcido).



MONASTICISMO
Muitas novas organizações surgiram no século XII como expressão do mesmo ardor religioso manifesto nas Cruzadas e na grande onda de construção de catedrais.

As Ordens Dominicana e Franciscana surgiram como respostas ao problema de trazer os mulçumanos e os hereges a fé pela persuasão, através da educação ou do esforço missionário. O zelo espiritual das Cruzadas provocou a fundação de ordens militares leigas. Todas essas ordens submetiam-se voluntariamente ao papa, sendo que o voto de obediência incluía a obediência ao papa e ao abade ou chefe da ordem. O movimento também satisfez o desejo medieval por uma vida ascética (renuncia do prazer em busca da espiritualidade) e permitiu aos interessados uma oportunidade de se engajarem em estudos de erudição.
  • Ordem cisterciense – foi fundada por um monge beneditino de nome Roberto, em Citeax (França, 1908). Os monges cistercienses davam grande ênfase na autonegação ascética, na simplicidade arquitetônica de suas construções e na organização centralizada. Eles davam mais atenção a agricultura do que as ocupações escolásticas.
  •  Ordens militares – um tipo de monasticismo que combinava a arte da guerra com a vida monástica. A ordem dos Cavaleiros Hospitalários (ou de São João) foi fundada no começo do século XII para defender os peregrinos e cuidar dos doentes. No início de sua história era equivalente a Cruz Vermelha de hoje, porém mais tarde a ordem tornou-se uma organização estritamente militar para defender dos pagãos a Terra Santa (Palestina). Os Cavaleiros Templários foram organizados em 1118, e adotaram a regra cisterciense de vida monástica, dedicados a defender a Terra Santa dos cruéis assaltos dos mulçumanos.
  •  Os frades – o nome frade vem do latim frater e significa irmão. Eles prestavam votos de pobreza, castidade e obediência; entretanto, em vez de viverem em comunidades monásticas para trabalho e oração separadas do mundo, eles viviam entre o povo das cidades para servi-lo e para pregar ao povo na sua língua (as missas eram realizadas em latim). Os mosteiros tinham propriedades e se auto-sustentavam pelo trabalho, já os frades se mantinham graças às doações e esmolas recebidas do povo. Destacam-se os frades franciscanos (Ordem fundada por Francisco de Assis, 1182-1226) e os dominicanos (Ordem fundada por Domingos, 1170-1221). Enquanto os franciscanos foram grandes missionários, convertendo os homens pelo exemplo e pelo apoio emocional, os dominicanos foram grandes eruditos que tentaram converter os homens da heresia através da persuasão intelectual. O apelo dos dominicanos era à cabeça do homem, enquanto o dos franciscanos era ao coração.
PENSADORES CRISTÃOS - ESCOLASTICISMO
A Igreja pode praticar a separação da cultura, ou pode praticar a síntese. Os escolásticos optaram pela síntese. Começando nas escolas de catedrais e de mosteiros, o movimento se expandiu com o surgimento das universidades européias no século XIII. O termo “escolasticismo” e “escolástico” vêm da palavra grega schole, que significa o lugar onde se aprende.

O escolasticismo pode ser definido como a tentativa de racionalizar a teologia para que se sustente a fé com a razão. Eles reconciliavam a filosofia, conquistada por processos racionais, com a teologia especial revelada da Bíblia, aceita pela fé.

Os escolásticos não estavam interessados em buscar a verdade, mas em organizar racionalmente um corpo de verdades aceitas, para que, vindo a verdade da revelação através da fé ou da filosofia através da razão, pudesse constituir um corpo harmônico. Para eles, os dados ou o conteúdo de seu estudo estavam fixados definitivamente e absolutamente.

Tomás de Aquino (1225-1274)

Tomaz de Aquino foi sem dúvida o grande nome desta época. Vindo de berço nobre, fez-se monge dominicano e dedicou-se a estudar. Sua grande obra foi Summa Theologiae, na qual procurou harmonizar as áreas da fé e da razão numa totalidade de verdade. Como ambas vêm de Deus, não pode haver contradição entre elas, dizia Tomás.

A Summa Theologiae consiste em 3000 artigos, com mais de 600 questões em três grandes seções. Ela pretendia ser uma exposição sistemática de toda a teologia. Tornou-se, então, a exposição clássica do sistema da Igreja Católica Romana.

Surgimento das universidades
Como centro de ensino e pesquisa a universidade começou por volta de 1200. Em 1400 havia mais de 75 universidades em toda Europa. Embora já existisse o ensino de nível superior, com a criação das universidades a maior parte da educação deixou de ser centralizada nas escolas monásticas e catedrais. As universidades de Oxford e Cambridge datam dessa época.

APLICAÇÃO
Por muitas vezes a igreja institucionalizada confundiu sua missão no mundo. Sempre que isso ocorreu dois fatores sempre estiveram diretamente ligados a essa confusão, o primeiro foi o distanciamento das Escrituras e o segundo foi a ambição pelo poder.

O apóstolo Paulo nos diz na sua segunda carta a Timóteo que a Escritura é inspirada por Deus, contendo em si mesma toda autoridade para nos ensinar, repreender, corrigir e nos educar na justiça. Toda vez que nos afastarmos dela e tentamos substituí-la por qualquer outra fonte de revelação estaremos correndo sérios riscos de nos distanciarmos de nossa missão, de substituir a promoção da verdade pelo engano, da justiça pela injustiça, do amor pelo ódio e a intolerância (II Tm 3:16-17). Devemos lembrar que a Igreja primitiva permanecia na doutrina dos apóstolos (Bíblia) e por isso era bem sucedida na sua missão de proclamar e promover o reino de Deus (Mt 5:13-16).

O poder é uma tentação que todos nós estamos sujeitos, é o desejo de querer dominar e subjugar o próximo aos seus caprichos e desejos. Jesus, embora sendo Deus, na sua encarnação foi tentado pelo diabo quanto ao poder (Mt 4:8-11), mas não se submeteu a sua tirania. Simão, um mago que havia se convertido, desejou o poder do Espírito Santo que estava sobre os apóstolos e inflamando seu coração de maldade sugeriu comprá-lo para dominar sobre seus conterrâneos (At 8:9-24). Paulo nos lembra que muitos homens perversos e impostores irão de mal a pior, ora enganado e ora sendo enganados, nessa corrida louca pelo domínio (II Tm 3:1-13). Jesus nos lembra que no reino de Deus não existe esta disputa de poder, o maior deve ser como o menor, quem preside deve servir e quem se exaltar será humilhado (Mt 23:11-12; Lc 22:24-27).

QUESTÕES
Quais as conseqüências do papado para o cristianismo?
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Como e por que os cristãos se envolveram com as cruzadas?
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Quais as contribuições do monasticismo ao cristianismo e ao mundo?
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Você concorda com essa frase de John Stott: crer é também pensar? E o lema da ABU: fé que pensa e razão que crê?
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Qual o lugar das Escrituras na fé cristã?
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MATERIAL UTILIZADO
  • Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo 2008. Editora Vida Nova.
  • Williams, Terri. Cronologia da História Eclesiástica, São Paulo 1993. Edições Vida Nova.